Diva

Diva é um romance urbano de José de Alencar e faz parte da trilogia que o autor denominou “perfis de mulheres”, composta também por Lucíola e Senhora. Escrita em 1864, a obra é narrada pelo protagonista Augusto Amaral e conta a história de Emília, uma jovem mimada filha de um rico capitalista do Rio de Janeiro, e do próprio narrador Augusto, um médico que cuidara de Emília na adolescência, quando ela ainda era uma menina feia e desengonçada e fora acometida por uma doença que quase a levara à morte. Na época, como estava começando sua carreira e Emília era filha de uma importante família da sociedade carioca, Augusto preferira não cobrar pelo trabalho.

Com o passar dos anos, Emília se tornou a mulher mais bela da Corte, o que chamava a atenção dos homens e provocava a ira das mulheres. Gratos pela atitude que o médico tivera há alguns anos, os pais de Emília faziam gosto da amizade da moça com Augusto, mas ela insistia em desprezar o rapaz, como vinha fazendo desde a adolescência.

Apesar do desprezo de Emília, Augusto Amaral logo se viu apaixonado pela moça. No início ele tentou se aproximar, convidando-a para dançar nos bailes em que se encontravam, mas ela sempre lhe negava a dança. Mais tarde, porém, já aniquilado pelos maus tratos de Emília, resolveu vingar-se da jovem e esquecê-la de vez.

Quando Geraldo, irmão de Emília, pediu a Augusto que ajudasse uma órfã a pedido da irmã, o médico viu a possibilidade de concretizar sua vingança. Como o valor que recebera de Geraldo para ajudar a menina era muito pequeno, Augusto foi até a casa de Emília ter com seus pais e cobrar pela vez em que salvara a vida da moça ainda na adolescência. O pai de Emília até ofereceu a Augusto uma quantia maior que aquela paga por Geraldo pelo tratamento dado à pobre órfã, mas o médico aproveitou para se vingar da jovem: com a moça presente, disse que aquela pequena quantia era realmente o preço de seu trabalho, atribuindo à vida de Emília, consequentemente, o mesmo valor.

Augusto, então, foi embora decidido a não manter mais contato com aquela família. Dias depois, porém, o jovem foi chamado à casa de Emília, de onde saiu para um passeio com a bela moça e sua tia. O passeio intencionalmente terminou mais cedo para esta, dando a Emília a oportunidade de se explicar a Augusto. A sós com o médico, ela confessou que o desprezava porque o temia, mas que resolvera lhe contar a verdade ao perceber que sua atitude o machucava. A partir daí, os dois passaram a conviver de forma harmoniosa.

Com a aproximação, o amor e o ciúme de Augusto cresciam cada vez mais, o que chegou a provocar uma briga entre os dois, já que a jovem possuía muitos admiradores, mas eles logo superaram a crise. O médico chegou a se mudar para a vizinhança de Emília e certa vez declarou-se para ela, mas a moça continuava lhe pedindo calma, pois ainda não o amava. Certo dia, Augusto chegou à casa de Emília e a encontrou pronta para ir ao teatro. Enciumado, e percebendo que a moça não correspondia a seus sentimentos, resolveu mais uma vez romper sua relação com a jovem.

Passado um mês, os dois se reencontram. Emília questiona Augusto sobre o amor que ele sentia, mas ele nega qualquer sentimento. Três dias depois eles se encontram novamente e dessa vez o médico afirma que seu interesse era fruto da posição econômica que a família de Emília sustentava, o que faz com que a moça, em um primeiro momento, o despreze novamente. Em seguida, porém, Emília percebe seu erro e se declara a Augusto. Este, por sua vez, descobre que ainda a ama e os dois vivem felizes para sempre, em um romance que segue o típico estilo de folhetim: heróis perfeitos, um obstáculo para o amor dos protagonistas (no caso, a dúvida de Emília) e um final feliz. No final do Capítulo III a protagonista é comparada a uma Vênus moderna, a diva dos salões, o que explica o título do livro.