A Viuvinha

Escrita por José de Alencar, a história relatada em A Viuvinha se passa no Rio de Janeiro e tem início em 1844. A obra conta a história de Jorge, um jovem que perdera o pai ainda cedo e teve sua fortuna controlada por seu tutor, Sr. Almeida, um homem estimado por sua inteligência.

Ao completar 18 anos, Jorge começa a controlar seu próprio dinheiro, mas não sabe poupá-lo – gasta tudo em noitadas, jogos e mulheres. Em meio às festas da corte conhece Carolina, uma jovem que vivia na companhia de sua mãe, D. Maria. Apaixonado, Jorge abre mão da vida noturna para se casar com Carolina, e em menos de dois meses o casamento é marcado.

Dias antes da festa, Jorge recebe a visita do Sr. Almeida, que o alerta sobre sua situação financeira. Toda a riqueza havia sido desperdiçada nas noitadas, e o jovem agora estava na miséria, afundado em dívidas. Preocupado, o protagonista passa a noite em claro, oscilando entre a angústia pela notícia que acabara de receber e a ansiedade com a chegada do casamento.

Mesmo sabendo que estava falido Jorge se casa com Carolina. Depois da festa, porém, serve um licor com tranquilizante a sua esposa, o que a faz adormecer. O rapaz, então, deixa uma carta a sua amada e sai pela janela em direção à praia, onde muitos suicídios eram cometidos.

Chegando lá, Jorge vê um homem atirar contra sua própria face, desfigurando-a totalmente. O jovem toma coragem para fazer o mesmo, mas antes de concretizar seu plano é surpreendido por seu tutor, que, preocupado com o afilhado, resolvera vigiá-lo. Para evitar o suicídio de Jorge, Sr. Almeida apresenta-lhe uma solução: sugere ao afilhado que se passe pelo defunto desfigurado e, com isso, ganhe tempo para recuperar sua herança e limpar o nome do pai. Aceito o desafio, Jorge e seu tutor preparam tudo.

Pouco tempo depois, trabalhadores ouvem alguns estouros e partem em direção ao local, onde se deparam com o corpo de um homem desfigurado por dois tiros. No bolso do casaco encontram uma carteira e, dentro dela, uma carta, em que o suicida pede que poupem sua família de vê-lo naquele estado. Os trabalhadores, então, enterram o corpo.

Com um novo documento em mãos, Jorge embarca para os Estados Unidos, a fim de trabalhar e resgatar parte do dinheiro que havia perdido. Tempos depois retorna ao Brasil, onde termina de quitar suas dívidas.

Passados cinco anos do “suicídio” de Jorge, Carolina continua usando seu traje de viuvez, o que lhe rende o apelido de “viuvinha”. A jovem havia se fechado completamente para o amor até a chegada de Carlos, um admirador secreto que toda noite deixava-lhe uma carta com uma rosa na janela. Durante algumas noites, os dois viam apenas a sombra um do outro, até que Carlos resolve marcar um encontro com Carolina.

No horário marcado, meia-noite, Carolina surge vestida de branco, mas ainda com os acessórios pretos. No aguardo de seu admirador, pego pelas lembranças de Jorge, seu coração entra em conflito: deve ou não seguir em frente com o encontro?

Pouco tempo depois Carlos aparece e se declara à jovem. A moça, porém, confessa que ainda era apaixonada por seu falecido marido, o que motiva seu admirador a dar-lhe um beijo e, em seguida, revelar sua verdadeira identidade: ele era Jorge, seu marido. O casal, então, vai até o quarto da moça, onde finalmente tem sua noite de núpcias.

No dia seguinte, o Sr. Almeida vai até a casa de Carolina para contar a ela e a sua mãe sobre a volta de Jorge. Enquanto conversa com D. Maria, Carolina chama a mãe, que se dirige ao quarto da filha. No caminho, vê Carolina de braços dados com o marido e desmaia. Já restabelecida, ouve toda a história sentada com sua filha e o genro na mesa do café.

Com tudo explicado, Jorge e Carolina resolvem viver em uma fazenda longe da curiosidade dos vizinhos, onde acabariam desfrutando a velhice. O Sr. Almeida, por sua vez, parte para a Europa, onde atribui em testamento todos os seus bens aos filhos do jovem casal.