A Correspondência de Fradique Mendes

A Correspondência de Fradique Mendes é uma reunião de textos publicados por Fradique Mendes, personagem criado por Eça de Queirós, nos jornais O Repórter, de Lisboa, e Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, em 1888. A primeira versão, publicada em 1900 pela Livraria Chardon, foi revisada por Júlio Brandão em 1925.

Divida em duas partes, a obra inicia com Notas e Memórias, onde acontece a apresentação biográfica de um suposto intelectual português chamado Fradique Mendes. Um narrador, que se presume ser Eça de Queirós, conta como, quando e onde conheceu “esse homem admirável”, com quem partilhou momentos de intimidade e por quem nutria a mais viva admiração.

Fradique, um homem de caráter enigmático, aristocrata, poliglota e intelectual, símbolo de uma geração de pensadores da qual o próprio autor participou, é um personagem com pátria, família, gostos, profissão e estilo próprios. Através dele, Eça faz juízo sobre o mundo e sobre a sociedade portuguesa da época, utilizando uma voz diferente da sua.

A segunda parte da obra traz 16 correspondências que discutem desde detalhes pessoais até grandes questões da humanidade. São cartas de Fradique dirigidas a diferentes personalidades do período, fictícias e reais – como Oliveira Martins, J. Teixeira de Azevedo, Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Sr. E. Mollinet, Madame de Jouarre, Baudelaire e Razzini –, enfatizando a alternância entre realidade e fantasia presente em Notas e Memórias.

Nesse jogo estabelecido entre a primeira e a segunda parte da obra, o leitor acaba por descobrir que o fingimento biográfico e as cartas objetivam mais a promoção de um debate sobre os diferentes temas abordados do que a fantasia. Todas as correspondências, mesmo as mais curtas e aparentemente despretensiosas – como a primeira, dirigida “Ao Visconde de A.-T”, recomendando-lhe o alfaiate Tomaz Cook –, servem ao interesse maior de expressar uma opinião ou um gosto estético do autor.