Redação do Enem 2018: confira 8 argumentos que você poderia ter usado

O tema de redação do Enem 2018 foi: “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet“. Muitas pessoas avaliaram o tema como difícil. De fato, se olhamos o histórico de temas cobrado ao longo dos últimos anos, apesar de alguns temas polêmicos, a exigência vem crescendo.

Entender o que é um “algoritmo” foi o primeiro desafio para muita gente. Depois, pensar no conceito de “dados na internet” e sua relação com a ideia de “manipulação” arrancou suou de muitas mãos. Confira a seguir o tema e confira possíveis argumentos que poderiam ser usados para a redação do Enem.

Prepare-se para o Enem 2019!

Receba aulas, dicas e temas de redação para a próxima prova

* preenchimento obrigatório
 

Plano de Estudos para o Enem 2019

Saiba o que estudar a cada semana em uma agenda organizada e fácil de usar. Mais fácil que isso, só a agenda do tempo de colégio 😉 Veja o cronograma

O que argumentar na redação do Enem

O texto de apoio número 3, um infográfico, traz uma série de números que representam, em palavras bem simples, que quase todo mundo está online. Sendo assim, na lógica das opiniões expressas nos demais trechos de apoio, quase todo mundo está sujeito a ser manipulado.

Um dos argumentos, então, poderia ser a respeito de como uma pessoa pode evitar cair nas “garras manipuladoras” dos algoritmos. Quem acompanha as notícias deve lembrar das recomendações de especialistas: não gravar cookies, navegar em aba anônima, não aceitar solicitações de sites e apps para acessar seus dados.

Outro argumento, que você talvez até já pagou pela frase acima, é no sentido de ensinar as pessoas sobre todas essas coisas. No momento em que a pessoa entende, ela pode começar a se defender.

O que é um algoritmo?

Algoritmo, simplificando, é uma “fórmula”, como essas de Física ou Matemática que caem no vestibular. Mas em vez de “x” ou “y”, essa fórmula junta muitos dados (mais do que um alfabeto inteiro!) e toma uma decisão – ou muitas decisões.

Imagine se você pudesse lembrar de tudo o que você fez online: todas as mensagens e áudios que mandou e recebeu, sites que acessou, cada um dos “curtir” que apertou. Imagine isso todos os dias, por semanas, meses.

Para um ser humano, é impossível lembrar tanta coisa. E nem seria importante saber cada detalhezinho da vida online. Mas um algoritmo consegue não só lembrar de tudo, como “decidir” o que cada “curtir” significa para cada pessoa.

Um exemplo simples: depois que você começou a estudar para o Enem, provavelmente muitas propagandas e posts da sua timeline são sobre a prova, certo? Isso porque esses tais algoritmos perceberam que você estava interessado no assunto “Enem” ou “vestibular” e começaram a entregar para você mais conteúdos sobre o tema. Alguns desses conteúdos, inclusive, foram pagos por empresas que queriam chegar até você.

Não é assinante?

Estude com a gente!

Educação e conscientização

Outro argumento para a redação do Enem é sobre como a educação pode ter papel fundamental na utilização consciente da internet. Pode-se pensar em educação formal, na escola, e na educação em casa, dos pais e tutores para as crianças. Também se pode pensar, mais especificamente, em canais de vídeo, perfis em redes sociais e sites que se dediquem a ensinar as pessoas.

Outro ponto chave é que a conscientização não é só para usuárias(os). Quem desenvolve as tecnologias, pode-se argumentar, também tem um papel importante de pensar no seu uso. Essa criação é para o bem ou para o mal? Quem pode pegar algo legal e usar para fazer algo reprovável? Até que ponto saber tudo sobre o usuário significa escolher por ele?

Dados na internet

Essa ideia de “entregar o que o usuário quer” leva a outro questionamento sobre o tema de redação do Enem 2018. O que são “dados na internet”?

Objetivamente, tudo o que fazemos online são dados. Afinal, quando você ouve o áudio de alguém, a pessoa não está ali do seu lado, certo? Assim, tudo o que fazemos vira informação. Mas existe outra forma de olhar para esses dados de modo menos genérico: o comércio dos dados e a privacidade do usuário.

Não é assinante?

Estude com a gente!

Compre… Compre! Compre?

De um ponto de vista capitalista, qualquer empresa gostaria de poder fazer uma vitrine exclusiva para cada cliente, só com as coisas que aquela uma pessoa gosta – e, por isso, tem mais chance de querer comprar. Claro, nas vitrines das lojas isso é impossível. Só que na tela do seu celular isso é viável: afinal, é só você que está vendo, e cada um tem um celular diferente no bolso.

Isso já acontece, por exemplo, na sua rede social. Não importa qual rede você usa: os amigos que você mais curte e mais comenta sempre vão aparecer mais para você, ou mais para cima, do que as outras pessoas.

A privacidade, então, faz parte desse debate. É possível usar seus “curtir” para ver de quem e do que você gosta. Mas é ético usar esses dados para tentar vender (um produto ou uma ideia) para você, sem que você se dê conta?

Privacidade online

Se você dá um “curtir” na foto de alguém, todo mundo pode ver. Se você posta uma foto no seu perfil, aí já é possível que você selecione quem pode ver a imagem. Quando você acessa um site, no entanto, tem a impressão de que “ninguém está vendo”, certo? Acontece que, por causa do tipo de tecnologia que usamos, essa informação pode, sim, acabar na mão de muita gente.

É por isso que as redes sociais mandam aquelas mensagens avisando que mudaram as políticas de privacidade. Isso significa que os seus dados podem não ser só seus, que o que você acha que “ninguém está vendo” pode passar a ser visto por alguém. Sabe quando o seu buscador já sabe qual palavra você está escrevendo? É um exemplo de que ele já “viu” você escrever essa palavra antes.

O “controle de dados” a que o tema da redação se refere pode, então, significar as duas coisas: por um lado, você controlando quem vê e quem não vê as suas atividades online. Por outro lado, o controle de dados pode ser uma referência aos algoritmos, que escolhem “o que o usuário quer” sem que você – o usuário – possa fazer muito sobre isso.

Não é assinante?

Estude com a gente!

Fake news e notícias de verdade

A questão das notícias falsas, ou fake news como nos acostumamos a chamá-las, também poderia vir à tona com o tema de redação do Enem 2018. Se jornais, revistas e sites podem usar os algoritmos para mostrar notícias reais, quem disse que quem produz fake news também não pode?

Ainda em termos de noticiário há uma outra argumentação a ser feita: quem decide quais notícias mostrar? Uma pessoa que poste bastante sobre política, por exemplo, pode também gostar de esportes ou de decoração. Mas será que esses outros interesses terão espaço, se ficar por conta do algoritmo decidir o que é exibido e o que não é?

Escolha e entrega

À parte o infográfico (Texto III), os três textos de apoio apresentados na prova de redação do Enem 2018 levavam a ideia do “controle de dados” para as mãos virtuais dos algoritmos. Os trechos opinativos questionavam, em especial, o tamanho da escolha dos usuários quanto ao que lhes é apresentado.

E finalmente chegamos à “manipulação do comportamento”. A preocupação expressa nos textos de apoio é no sentido de que, se uma máquina com super-memória e super-processamento consegue saber o que você gosta, e até se poderia dizer que sabe um pouco “o que você pensa”, essa mesma máquina pode influenciar suas opiniões.

Privada, público e usuário

Vale lembrar, como possível argumento, as esferas de público e privado. A privacidade dos seus dados deveria ser sua, porém é você, por livre e espontânea vontade, que faz um perfil na rede social ou acessa um site do seu celular. Só os donos da rede social, ou do site de busca, ou do site de notícias são empresas privadas. Em alguns casos, são empresas públicas, então se pode dizer em alguma medida que o dono é governo.

E você, é dono de quê? Essa linha de argumentação poderia levar a um questionamento mais profundo sobre como individual e coletivo se conectam, e quais os interesses (pro bem e pro mal) de cada agente desse cenário.

Não é assinante?

Estude com a gente!

Prática e leitura

A lista de argumentos não é exaustiva. Cada uma das ideias apresentadas aqui, inclusive, poderia ficar embaixo de uma ideia maior, ou ser desdobrada em ideias mais pontuais.

Quem praticou redação ao longo do ano, por exemplo, deve ter notado que esses temas permeiam outros temas sobre os quais já escrevemos: privacidade online, Netflix, economia compartilhada, WhatsApp, juventude e política. E de novo você vê a importância de praticar: quem escreveu sobre alguma dessas ideias já tinha argumentos que poderiam ser usados na discussão sobre a manipulação do comportamento do usuário online, ou sobre o controle de dados na internet.

Esse tema, ainda que controverso, também evidencia a importância de acompanhar o noticiário nacional regularmente. Desde a última prova do Enem, vários casos de vazamentos de dados, invasão de privacidade e discussões sobre venda de informações chegaram às manchetes.

Como sempre, vale reforçar: para fazer uma boa dissertação argumentativa, é importante ler bastante e praticar. Siga a gente aqui no blog, no Facebook e no Instagram para receber dicas e ficar um passo à frente quando o assunto é redação do Enem!

Assine nosso Curso Completo

Opções de pagamento no cartão de crédito ou no boleto, em até 12x! Experimentar 7 dias