Questões do Enem serão revisadas para eliminar “ideologia de gênero”

Em 2018, o Enem trouxe um texto de apoio mencionando gírias da comunidade LGBTI+. Mas, para 2019, o governo federal não quer correr esse risco. Por isso, o Banco Nacional de Itens, de onde saem as questões para o Enem, será revisado. As informações foram publicadas em fevereiro no jornal O Globo.

Segundo o presidente do Inep a partir de 2019, Marcus Vinicius Rodrigues, o objetivo da revisão é fazer com que as provas “busquem o conteúdo usando termos e posições que tenham alinhamento mais adequado com nossa sociedade”. Questões de “ideologia de gênero“, entre outras, não condizem com os “valores da sociedade”, afirmou Rodrigues ao jornal fluminense.

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O que é o Banco Nacional de Itens

As questões do Banco Nacional de Itens funcionam para as avaliações aplicadas pelo Inep, e são elaboradas e revisadas por consultores externos. Colaboradoras e colaboradores passam por capacitações específicas e são selecionadas(os) por meio de chamada pública.

Além do Enem, os itens do chamado Sistema BNI são usados no Provinha Brasil (Saeb), no Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Provas de proficiência em Língua Portuguesa (Celpe-Bras) e em Libras (Prolibras), exames para concurso de docentes, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) e a Revalidação dos Diplomas Médicos (Revalida) completam a lista.

Enem é só o começo

Uma comissão formada por dois representantes do MEC, um do Inep e uma pessoa da sociedade civil ligada à educação vai começar a revisão do Banco Nacional de Itens a partir das questões usadas para o Enem. Mas a intenção é analisar todo o conteúdo, que inclui também materiais para avaliações de Educação Básica e Educação Superior, entre outras.

Rodrigues, do Inep, será o responsável pelo grupo, mas será o próprio ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, quem vai indicar os dois representantes do MEC. O ministro é contra o que chama de “marxismo cultural”, e  já manifestou que, em sua gestão, quer um Enem sem “disseminação de ideias de determinadas posições ideológicas ou doutrinárias”.

O termo “marxismo cultural” se refere à teoria conspiratória de que o marxismo está infiltrado na sociedade por vias culturais, e que sua suposta busca por uma sociedade mais igualitária estaria, na verdade, destruindo instituições e valores tradicionais. Esta matéria da revista Vice traz um ótimo panorama sobre o termo na atualidade.

Segundo a reportagem d’O Globo, a equipe vai montar pareceres sobre as questões, que serão entregues ao corpo técnico do Inep. É a partir daí que será tomada a decisão de excluir ou não as questões.

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Prova de conhecimento

Além de não estarem alinhadas com os “valores da sociedade”, para o presidente no Inep as questões com a chamada “ideologia de gênero” não servem para “medir o conhecimento de um profissional que venha a atuar no mercado”.

– Como ela [uma questão de ideologia de gênero], provavelmente, não vai mensurar esse conhecimento, vou sugerir, sim, que uma questão que tenha essa conotação não conste na prova – afirmou a’O Globo.

Apoio no Executivo

O presidente Jair Bolsonaro endossa a iniciativa. Ainda em 2018, quando do Enem, o atual chefe do Executivo brasileiro criticou a questão 37 (prova azul) da área de Linguagens, que trazia texto de apoio mencionando a comunidade LGBTI+. O trecho, na verdade, tratava sobre usos da linguagem, usando como exemplo termos usados por esse grupo de pessoas.

Na ocasião, o presidente disse que, uma vez empossada, ia olhar pessoalmente a prova do Enem para garantir que não constem questões como a de 2018. Quando foi anunciado para a pasta da Educação, o atual chefe do MEC reiterou que o presidente poderia, de fato, olhar a prova antes da aplicação.

O presidente do Inep, por sua vez, já foi mais cauteloso. “Se ele achar conveniente olhar a prova, o presidente do Inep, dentro de aspectos legais e jurídicos, tomará essa decisão”, disse a’O Globo.

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