Próximo ministro da Educação diz que presidente pode ver Enem antes da aplicação

O Enem, assim como outros vestibulares e provas de concurso, é cercado de medidas de segurança. De envelopes lacrados a detectores de metal, a intenção é evitar as colas e trapaças em geral.

Mas, para o futuro ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez – escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir a pasta em 2019 –, o chefe do executivo é uma exceção à regra. Rodríguez afirmou, em 26 de novembro de 2018, que “se o presidente se interessar [pela prova], ninguém vai impedir” que ele veja o exame antes da aplicação, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. O Inep não se manifestou publicamente ainda sobre a declaração.

Prepare-se para o Enem 2019!

Receba aulas, dicas e temas de redação para a próxima prova

* preenchimento obrigatório
 

Plano de Estudos para o Enem 2019

Saiba o que estudar a cada semana em uma agenda organizada e fácil de usar. Mais fácil que isso, só a agenda do tempo de colégio 😉 Veja o cronograma

Interesse, há

Segundo o jornal, o futuro ministro da Educação respondeu à afirmação de Bolsonaro de que vai “vai tomar conhecimento da prova” antes de os cadernos chegarem às mãos dos estudantes. A declaração teria surgido em função de uma questão de 2018, que trazia um texto sobre o “dialeto secreto” da comunidade LGBT (questão 37 na prova Azul).

Para o novo ministro, a prova do Enem precisa ser preparada “com muito carinho, para que não se torne um veículo de disseminação de ideias de determinadas posições ideológicas ou doutrinárias”. Ele inferiu, ainda, que nos moldes atuais o exame obriga a(o) estudante “a assumir determinada posição com medo de levar ‘pau'”.

Quem é Ricardo Vélez Rodríguez

O futuro ministro tem 75 anos e é colombiano naturalizado brasileiro. Tem pós-doutorado em Filosofia e é professor da Faculdade Positivo, instituição privada em Londrina (PR).

Seu nome foi indicado a Bolsonaro por Olavo de Carvalho, escritor conservador e guru do futuro chefe do executivo brasileiro. As posições de Rodríguez são alinhadas ao pensamento de extrema direita que marcou a campanha eleitoral e tem se mantido nas indicações dos próximos ministros.

Não é assinante?

Estude com a gente!

Currículo Lattes

Rodríguez foi professor em universidades colombianas e, no Brasil, integrou os quadros da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de Juiz de Fora, além da Universidade Gama Filho, entre outras. Também foi professor da Escola de Comando e Estado Maior do Exército Brasileiro entre 2003 e 2005.

A produção acadêmica de Rodríguez, que contabiliza mais de 200 escritos entre capítulos de livros e artigos acadêmicos, versa majoritariamente sobre filosofia política e ética. Muitos dos trabalhos falam de autores consagrados da Filosofia, como Immanuel Kant, René Descartes e Jean-Jacques Rousseau.

No currículo oficial, o próximo dono da pasta de Educação não tem nenhuma publicação em revista acadêmica desde 2015, e não participa de um congresso da área desde 2007. A última vez que orientou um(a) aluno(a) em trabalho de conclusão (de graduação ou pós-graduação) foi em 2009. Para se ter ideia, um professor universitário na rede pública teria, no mínimo, três alunos para orientar por ano, considerando dados de alunos do MEC.

Se por um lado Rodríguez não se mantém tão ativo nos escritos acadêmicos, por outro escreve regularmente, desde 2009, em seu blog Rocinante – o nome é uma referência ao cavalo de Dom Quixote de La Mancha, na obra clássica do escritor espanhol Miguel Cervantes. No espaço virtual, expõe suas ideias com certa regularidade.

Universidade e Ensino Médio

Rodríguez desviou de pergunta da Folha de S.Paulo sobre o orçamento para as universidades públicas, advogando em favor de uma melhor gestão de recursos. Afirmou, também, que “é bobagem pensar na democratização da universidade”.

“O segundo grau teria como finalidade mostrar ao aluno que ele pode colocar em prática os conhecimentos e ganhar dinheiro com isso. Como os YouTubers, ganham dinheiro sem enfrentar uma universidade”, afirmou ao jornal paulista. Para o futuro ministro da Educação, “nem todo mundo quer fazer uma universidade”. Rodríguez vê importância em um Ensino Médio que forme profissionais.

Não é assinante?

Estude com a gente!

Apoiador da reforma do Ensino Médio, o professor diz que ela “foi bem encaminhada mas ficou incompleta”. Também entende, segundo suas declarações, que as universidades atualmente encontram-se dominadas por uma “doutrinação de cunho marxista”.

Ecoando a ideia difundida por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de “Menos Brasília e mais Brasil”, o futuro ministro da Educação defende que o ensino básico e fundamental fiquem nas mãos dos municípios. Em texto de novembro de 2018, defende que Estados e União “entrariam apenas como variáveis auxiliadoras dos municípios que carecessem de recursos”.

Escola Sem Partido

Alinhado às ideias do próximo presidente, o futuro ministro defende o projeto Escola Sem Partido. Diz que assuntos como gênero e sexo são “maluquice” e que representam um “crime” contra a família.

Rodríguez defende o que chama de “sagrado poder de a família educar seus filhos”. Diz em seu blog, ainda, que o sistema de ensino atual é “afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista”.

Não é assinante?

Estude com a gente!

Ditadura Militar

O futuro ministro da Educação também celebrou em seu blog a data que marca o início da Ditadura Militar no Brasil. Afirmou que o 31 de março é um dia para se “lembrar e comemorar”. Segundo ele, foi o regime militar que livrou o Brasil do comunismo e do populismo.

O professor chama de “patriótico” o “papel” do período ditatorial na história brasileira, mas ressalva que isso “não significa, de forma alguma sacramentar todas as ações efetivadas pelos governos castrenses nos vinte anos à frente do poder, como se não tivesse sido cometido nenhum erro”. Para Rodríguez, as universidades, em especial as públicas, distorcem os significados do que aconteceu no período de 1964 a 1985.

“Nos treze anos de desgoverno lulopetista os militantes e líderes do PT e coligados tentaram, por todos os meios, desmoralizar a memória dos nossos militares e do governo por eles instaurado em 64. A malfadada ‘comissão da verdade’ (sic), que, a meu ver, consistiu mais numa encenação para ‘omissão da verdade’, foi a iniciativa mais absurda que os petralhas tentaram impor”, diz em um post de abril de 2017.

Assine nosso Curso Completo

Opções de pagamento no cartão de crédito ou no boleto, em até 12x! Experimentar 7 dias