Por que a violência contra a mulher persiste no Brasil?

Como você deve lembrar, o tema da redação do Enem 2015 foi a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. A palavra “persistência” explica o motivo pelo qual, nos últimos meses, as manifestações em defesa de questões feministas vêm tomado as ruas de todo o Brasil.

Por isso, é preciso olhar com atenção para o tema, já que a igualdade de gênero é um direito universal. Para ajudar você a entender e acompanhar a causa, levantamos 5 pontos sobre o fenômeno que está sendo chamado de primavera das mulheres.

Violência

Primeiro, vamos lembrar o cenário da agressão de gênero. Os índices de violência nunca esconderam os riscos que a mulher corre dentro e fora de casa. Só para você ter uma ideia, dados de 2014 do Data Popular mostraram que 3 em cada 5 mulheres já sofreram violência em relacionamentos.

Em 2009, o IBGE apontou que cerca de 50% das mulheres declararam que a violência ocorreu na própria residências. Entre os homens, o índice de violência em casa fica na casa dos 15%.

Assédio

O assédio sexual contra a mulher é outro tema latente na sociedade. Uma publicação do movimento Chega de Fiu-Fiu, que pesquisou sobre o teor das cantadas, apontou que 99,6% das mulheres já passaram por situações de assédio constrangedoras. A luta dos movimentos é, justamente, naturalizar o respeito e garantir a igualdade de gênero em todos os aspectos.

Pedofilia

Como na internet os usuários podem se esconder atrás de um avatar, crimes como pedofilia podem ocorrer com maior facilidade. Um exemplo recente que movimentou as redeos sociais no Brasil foram as mensagens pedófilas e agressivas dirigidas à Valentina, a menina de 12 anos que participava do programa de TV MasterChef.

O fato é o retrato de uma realidade triste no país: a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) tem um ranking dos países que mais publicam pedofilia na internet, e o Brasil ocupa a vergonhosa quarta posição.

Aborto

Talvez um dos casos mais representativos de restrição de direitos a mulheres é o projeto de lei do deputado e presidente da Câmara Eduardo Cunha que dificulta o aborto. A proposta gerou uma série de protestos em várias cidades em outubro. O procedimento abortivo é permitido em situações restritas, como o estupro.

Pela proposta, a vítima deverá ter que comprovar que houve um ataque. Hoje, a palavra da gestante de que foi estuprada é suficiente. O grande ponto por trás dessa discussão é que a criminalização não reduz o número de abortos. Em vez disso, a falta de fiscalização em clínicas clandestinas aumenta o risco de morte da mulher.

É importante considerar que os movimentos recentes não são inéditos. Líderes dos protestos afirmam que a luta é para ampliar direitos, mas também para garantir o legado dos movimentos feministas, que se iniciaram há quase cinco décadas. Os pontos citados acima só reiteram que ainda há muito por ser feito para que a mulher possa ocupar um espaço justo na sociedade.