Por que a inflação do Brasil subiu tanto em 2015?

Pergunte aos seus pais. A inflação foi, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, um dragão difícil de domar. Os preços subiam tanto e tantas vezes que, nos supermercados, chegavam a mudar as placas com o valor dos produtos até três vezes ao dia.

Esse fantasma, que assombrou em um período que você nem era nascido, é o que faz com que os economistas e empresários tenham calafrios a cada novo relatório publicado que aponta o crescimento do índice de preços.

Que índices são esses?

Existem vários índices de preços, e cada um tem uma metodologia própria. Um dos principais institutos que medem a inflação é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ele gera, todo final de mês, um relatório chamado de IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Não é o único, mas esse é o responsável por avaliar o quanto os gastos como alimentação, educação e saúde subiram, ou seja, é o que diz quanto o brasileiro teve que desembolsar a mais naquele mês para viver.

Mas o índice está muito alto?

Não está baixo, mas a situação está bem longe daquela vivida nos anos 80 e 90. Para você ter uma ideia, dê uma olhada no gráfico abaixo, que mostra a evolução dos índices inflacionários até os anos 1990.

A crise vivida pelo país depois do regime militar foi sem precedentes e fez com que as equipes econômicas mudassem de moeda cinco vezes entre 1986 e 1994, quando foi lançado o Plano Real.

Fonte: IBGE / HC Investimentos

Nos últimos anos, a inflação ficou na casa dos 6%. Ou seja, a situação é outra, mas ainda assim preocupa. Nós escrevemos um texto aqui no Vestibular.com.br sobre o que está acontecendo com a economia do Brasil este ano. Explicamos que um dos grandes problemas foi o desequilíbrio das contas do governo, que gastou muito mais do que podia em 2014.

E o que causou a inflação, afinal?

Um dos grandes gastos do governo no ano passado foi o subsídio dos preços da gasolina e da energia elétrica. Isso foi feito porque o preço desses produtos compõe o de vários outros. Aumentar a gasolina, por exemplo, provoca um aumento no custo do transporte, o que encarece várias atividades econômicas. No caso da energia elétrica, a alta do preço interfere no comércio e nas fábricas, que acabam repassando o valor para seus produtos.

 

Para evitar que os preços subissem e, consequentemente, o consumo caísse, o governo tentou segurar do jeito que pode os preços desses dois produtos. Com o aperto das contas, não houve saída. O jeito foi retirar os subsídios, e gasolina e conta de luz subiram. Com isso, a inflação pulou de 6% para 9% ao ano em seis meses.

Claro que não foi só isso. Outros fatores também causaram, em menor escala, esse crescimento. A alta do dólar, por exemplo, também força a subida dos produtos importados. Com a estabilização dos preços, a expectativa para o ano que vem é que ele volte para a casa dos 6% – isso se a crise econômica e política do Brasil não se agravar.


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