Os oceanos estão mais ácidos, e o vestibular pode perguntar por quê

Você já deve ter ouvido em alguma aula de Biologia, Química ou Geografia que nossos oceanos estão passando por uma série de transformações perigosas. Além da elevação do nível do mar, que nos atinge diretamente, a poluição desenfreada vem causando danos irreversíveis, como a diminuição da fauna e da flora marinha. Como você é um vestibulando esperto e quer gabaritar os exames deste ano, vamos ajudá-lo a ir além e entender de fato o que está deixando os nossos oceanos cada vez mais inóspitos principalmente por meio do aumento da acidez das águas.

Para início de conversa, antes de você entender exatamente como esse fenômeno ocorre, é essencial revisar o conceito de ácido. Assista ao comecinho da aula do professor Robinho (só o primeiro minuto da aula já serve!) que você vai entender exatamente do que estamos falando:

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Quando os seres humanos (nós!) queimamos combustíveis fósseis, a fumaça que se espalha pela atmosfera chega aos oceanos. Lá, as moléculas de água absorvem mais de 30% do dióxido de carbono. Ao reter parte do dióxido de carbono, poderíamos dizer que essa reação tem um efeito positivo, já que ameniza o aquecimento global. Infelizmente essa história não é bem assim…

O CO2 e o aquecimento global
Antes de entender exatamente do que estamos falando, vamos voltar ao básico. O dióxido de carbono (CO2) é formado por dois átomos de oxigênio e um de carbono, que são unidos por meio de ligações covalentes (aqui tem nosso texto que explica tudinho sobre ligações químicas).

Essa molécula é abundante na atmosfera, sendo responsável por criar uma camada que absorve parte da radiação infravermelha refletida pela superfície terrestre. Isso ajuda a tornar a Terra um ambiente habitável, pois evita situações como o esfriamento abruto à noite. No entanto, a poluição desenfreada que vem da queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, vem aumentado o nível de dióxido e agravando o famoso efeito estufa.

O CO2 e os mares
Esse um terço de dióxido de carbono que é absorvido pelo mar pode até nos livrar de um aquecimento ainda maior da temperatura do planeta, mas ao se juntar com a água une-se com átomos de hidrogênio e acaba criando compostos ácidos. Isso resulta num fenômeno chamado acidificação dos oceanos. Se você quiser entender um pouco melhor sobre o que são os ácidos e como eles são formados, leia este texto.

A acidificação dos mares se intensificou depois da Revolução Industrial por conta das toneladas de gás carbônico (o outro nome dado ao dióxido de carbono) que foram despejadas na atmosfera. Desde o século XIX a acidez da da água aumentou maior, aproximando-se do pH 7 (lembre-se de que o pH 7 é neutro). Apesar de ainda ter um teor básico, esse processo de acidificação tende a se aprofundar caso continuemos a emitir mais moléculas de CO2 do que a natureza pode suportar.

Ácido e seres vivos, uma combinação fatal
Essa acidez crescente está destruindo principalmente as estruturas protetoras, como os recifes de corais e as ostras. Muitas espécies estão tendo mais dificuldades de se manter por conta da desestruturação das cadeias alimentares. Isso não significa que todas as espécies irão morrer, mas que algumas vão acabar se sobressaindo na cadeia.

Algumas consequências que já estamos sofrendo é a redução de comunidades de algumas espécies essenciais para a nossa economia. Um estudo feito pelo jornal norte-americano Mudança Climática (o texto é em inglês, mas vale a pena ler!) mostra que a diminuição desses ecossistemas devem custar, nas próximas décadas, cerca de um bilhão de dólares por ano. Ou seja: estamos assistindo a uma simples reação de acidificação que é capaz de causar um estrago gigantesco na natureza e na economia.