O que é o Estado Islâmico?

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O Estado Islâmico se estabeleceu como uma das maiores forças terroristas da atualidade. O tema não é tão recente – desde o ano passado forças rebeldes da região da Síria e do Iraque assassinam jornalistas, invadem cidades e destroem cidades históricas – mas em 2015 a situação saiu do controle e parece estar longe de um fim.

Como o assunto é uma panela de pressão, você precisa entender os pontos centrais que envolvem esse famigerado grupo.

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Sunitas e xiitas

Vamos por etapas. Antes de você avançar sobre o tema do Estado Islâmico, é importante entender que os muçulmanos são divididos em dois grandes grupos: os xiitas e os sunitas. Há uma diferença religiosa central entre eles. De um lado, os xiitas seguem rigorosamente os escritos do Alcorão e da lei Islâmica, a Sharia. Eles acreditam, por exemplo, que os califas, uma espécie de papa do islã, só podem vir da árvore genealógica de Maomé, o profeta que criou a religião.

Já os sunitas, que correspondem a 90% da comunidade islâmica, não concordam com esse tipo de sucessão do profeta. Além disso, em vez de usarem a Sharia, adotam como fonte de doutrina religiosa o livro de Suna, que é um pouco mais progressista. Eis aí um ponto importante ao qual você deve se atentar, vestibulando: o Estado Islâmico é de origem sunita, apesar de adotar um radicalismo que não é característico desse grupo. Mais além explicaremos de onde surgiu esse radicalismo extremo.

A origem do Estado Islâmico

O grupo surgiu com o nome de Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), e hoje também é traduzido como Estado Islâmico do Iraque e da Síria. Isso porque o grupo se aproveitou da instabilidade política no Iraque e na Síria nos últimos anos para fazer um “levante” rebelde na região. Veio de uma composição perigosíssima: juntou militares experientes do antigo regime iraquiano de Saddam Hussein com rebeldes sírios marginalizados pela ditadura do governo de Bashar Al-Assad.

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A ideologia violenta

Esse ponto é bastante importante. Você deve ter visto nos jornais a forma como o Estado Islâmico atua. Seus militantes ficaram famosos por divulgarem diversos vídeos de pessoas sendo decapitadas, enforcadas e apedrejadas. Para os militantes, essa violência extrema é feita para aterrorizar inimigos e impressionar e cooptar jovens para o exército. Em resumo, o EIIL é adepto de uma guerra total sem limites, e não há transigência quando se trata de resolver problemas com os rivais.

Esse método é usado contra três grandes inimigos: os Estados Unidos, os xiitas e, em menor grau, a Europa. O grande objetivo é fazer uma revolução ultraconservadora contra os países do Ocidente que desafiam o Estado Islâmico e contra o que eles chamam de “insurgência dos xiitas”, o outro grupo de muçulmanos que lidera grandes potências do Oriente Médio, como o Irã.

O califado

Apesar de não haver fronteiras geográficas para o Estado Islâmico, há uma instituição por trás. Em junho de 2014, o EIIL anunciou a criação de um califado nas terras do Iraque e da Síria por ele dominadas. Assim sendo, o califa al-Baghdadi se autodeclarou a autoridade principal da religião no mundo.

O califado, como dissemos, é a forma de governo islâmica em que o líder é considerado sucessor do profeta Maomé. Foi utilizada pouquíssimas vezes na história por povos muçulmanos. Uma das principais características desse tipo de governo é o caráter expansionista, sem reconhecer as delimitações políticas modernas. Com um regime de califado, o Estado Islâmico vem justamente aumentando sua extensão territorial sobre diversas cidades da região, principalmente no Iraque e na Síria.

O futuro

Ainda não se sabe onde a guerra contra o Estado Islâmico vai parar. Este ano os militantes chegaram a ocupar 50% do território da Síria, e várias cidades do Iraque estão sob controle dos terroristas. Mas a pressão contrária segue crescendo. Afinal, a coalizão internacional que combate diariamente o regime conta com a parceria de governos vizinhos, cada vez mais desgostosos com um grupo que não respeita os limites políticos da região.

É fato que nos últimos meses a situação mudou de figura. A comunidade mundial parou de apenas assistir ao expansionismo do EIIL e está buscando formas mais complexas de derrubar o regime. Como eles continuam expandindo e dominando poços de petróleo e de gás, principal fonte de financiamento dos terroristas, o segundo semestre de 2015 será definitivo para se conseguir um enfraquecimento do Estado Islâmico.

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