O perfil da população do Brasil nos anos 2010

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em novembro a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que traz dados sobre a população brasileira em 2014. Foram visitados mais de 150 mil lares e ouvidas cerca de 360 mil pessoas. Como resultado, o documento diz que a população do Brasil chegou a 203,2 milhões em 2014.

O crescimento de 0,9% em relação ao ano anterior não trouxe grandes surpresas. A taxa é a esperada para o atual momento demográfico do Brasil, e o próprio IBGE já criou uma ferramenta que mostra, a partir da diferença entre nascimentos e mortes, qual a população brasileira neste exato momento. O mais interessante da pesquisa é o fato de que algumas teses sobre o futuro sociodemográfico do país começam a se consolidar.

Acesso a recursos básicos

Chamou a atenção o novo crescimento do acesso a recursos como energia elétrica. Em 2001, 96% da população tinha luz em casa. Em 2014, o percentual chegou a 99,7%. Outros recursos também cresceram, como coleta de lixo e esgotamento sanitário. A consolidação desse tipo de infraestrutura garante que haja desenvolvimento e redução do risco de doenças em regiões longínquas.

Trabalho infantil

Problema sério no Brasil desde as décadas de 70 e 80, o trabalho infantil, que vinha decaindo nos últimos anos, cresceu quase 10% em 2014. Por lei, crianças com 14 anos ou menos são proibidas de trabalhar. Mesmo assim, para ajudar na composição da renda das famílias neste período de crise econômica, os menores passaram a exercer funções no mercado de trabalho.

Apesar do crescimento, a queda nos últimos nove anos foi de 60%. Essa relativa estabilização indica que, talvez, as estratégias adotadas pelo governo até agora tenham se esgotado, e será preciso atacar outros problemas – como a dificuldade de crescimento econômico e o investimento maior em educação – para chegar a níveis de primeiro mundo.

Analfabetismo

A educação precária no Brasil é um dos maiores entraves para o desenvolvimento econômico e social. Sobre esse ponto, um dado chama a atenção positivamente. O índice de analfabetos segue caindo, e hoje apenas 8,3% da população com 15 anos ou mais não sabe ler e escrever. O dado é positivo pois indica que, neste ritmo ainda que lento, o país pode chegar a níveis de primeiro mundo dentro de poucas décadas.

Hoje, o Brasil é uma das nações com o maior número de analfabetos. De acordo com a Unesco, dez nações concentram 72% dos adultos analfabetos no mundo, e o Brasil ocupa a oitava colocação nesse ranking maldito. Por aqui, o problema está localizado no Nordeste, que tem metade da população analfabeta no país.

Desigualdade

Outro problema sério no Brasil, a desigualdade social voltou a cair pelo décimo ano consecutivo. No entanto, também na esteira da estagnação econômica, especialistas acreditam que esse ciclo de redução esteja esgotado. Tanto é que a região Sudeste, que concentra a maior população do país, teve um leve aumento do índice.

O grande problema é que o aumento da desigualdade não ocorre porque ricos ficaram mais ricos, mas sim porque os mais pobres ficaram mais pobres. Isso se deve ao aumento do desemprego, que atinge principalmente a população da classe C, que perde o poder de compra adquirido nos últimos dez anos.


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