Gregos antigos seriam coxinhas ou mortadelas? Descubra!

Para pensar na democracia, como a vemos no século XXI, precisamos fazer uma viagem no tempo. Mais especificamente, até o período dos gregos antigos, onde buscamos as origens desse conceito.

São séculos e quilômetros de distância, por isso, é importante lembrar que mudanças marcantes aconteceram em relação ao que se pensava na Grécia Antiga e o que se pensa nos dias atuais sobre a tal democracia. Além disso, dentro das perspectivas dos últimos governos no Brasil, pós-ditadura – a chamada República Nova -, temos expressões que passaram a fazer parte do nosso cotidiano.

Direita ou esquerda, representatividade ou democracia direta, exclusão ou inclusão. E, na linguagem popular hoje, de onde vem e o que é a dicotomia “coxinha” e “mortadela”? Será que os gregos seriam chamados dessa forma?

O que é democracia?

Consolidada por Clístenes, mais tarde considerado o “pai da democracia”, a democracia tem esse nome a partir de termos gregos. Ela é resultado da união entre os termos demos (povo) e kratia (poder), ou seja, o poder do povo. Esse significado foi carregado pelos séculos. Se pensarmos no papel do voto, maneira pela qual podemos escolher nossos representantes, temos um exemplo de como o “povo” exerce esse “poder”.

De uma forma geral, a democracia se resume em um regime político em que cidadãos autorizados (maiores de 16 anos, no Brasil) podem escolher seus representantes no governo. O voto na urna já é uma evolução da ideia grega, em que as pessoas se manifestavam em pessoa e publicamente sobre suas opiniões políticas. Já imaginou se ainda fosse assim, com os mais de 200 milhões de pessoas no Brasil?

Como era a democracia na Grécia antiga?

Na Grécia antiga, todo cidadão podia votar e dar a sua contribuição na política. Mas a “pegadinha” está na ideia de “cidadão”. Na prática, o regime era excludente, pois só era considerado “cidadão” quem era homem, adulto, livre e de origem ateniense. Assim, mulheres, escravos e metecos (estrangeiros) eram excluídos de qualquer direito político.

Então, no fim dessa conta, menos de 20% da população de Atenas podia participar da democracia. Com ela, a Grécia antiga pôde reformular sua constituição e garantir aos cidadãos:

  • Isonomia: igualdade perante a lei;
    Isocracia: igualdade no acesso a cargos públicos;
    Isegoria: igualdade nas falas nas Assembleias.

O que se entende por democracia no Brasil atual?

Se considerarmos tudo que tratamos até aqui, podemos perceber a diferença entre o que se pensou inicialmente na Grécia antiga e o que temos atualmente no Brasil.

Na democracia ateniense, o povo — nos padrões preestabelecidos — poderia interferir diretamente, dentro das assembleias. Seria como você ir lá no Planalto e dizer aos governantes o tipo de lei ou ação que você acha que deve ser criada ou tomada.

Na democracia brasileira, o povo é representado por um presidente e vice, senadores, deputados federais, deputados estaduais e governadores, se considerarmos os âmbitos nacional e estadual. Na esfera municipal, há o prefeito e os vereadores. Eles são escolhidos através do voto e tomam decisões em nome dos eleitores – ou seja, do povo.

Ao tentar escolher o melhor representante, os cidadãos – e, que bom!, agora mulheres também entram nessa lista – devem buscar pessoas e grupos de pessoas (partidos) que compartilham suas ideias. Afinal, se você não pode ir lá no Planalto dar sua opinião, a pessoa que você escolheu deve ter uma opinião parecida com a sua, certo?

Mas, onde entra a questão do “coxinha” e do “mortadela”?

Para entendermos estes termos, precisamos buscar, na França, o conceito de direita e esquerda. Lá, de maneira bem resumida, os políticos que priorizavam a economia ficavam do lado direito do plenário, enquanto os que focavam no social, no esquerdo. Assim, a “direita” passou a ser quem priorizava o desenvolvimento econômico, e a “esquerda” passou a ser quem priorizava o desenvolvimento social. Lembrando, claro, que um aspecto não exclui o outro.

Aqui, no Brasil atual, “direita” e “esquerda” são termos normalmente aplicados aos partidos políticos que corroboram com esses princípios. Assim, com as discussões e a segregação entre economia e bem-estar social, surgem os termos “coxinha” — para quem é da direita — e “mortadela” — para quem é da esquerda.

Coxinha

Alguns dizem que o termo “coxinha” vem da ditadura militar e que os policiais militares dessa época ficavam de plantão em frente à uma lanchonete de coxinhas. Outros dizem que é por conta de os ricos mostrarem suas “coxinhas” quando usam bermudas.

Mortadela

Mais recentemente, aqueles que se posicionam à direita politicamente passaram a chamar os esquerdistas de “mortadelas”. A referência seria ao fornecimento de pão com mortadela para militantes que saem para as ruas para lutar pelos seus posicionamentos.

Respeito à diversidade

Todas as “cores” do espectro político são posicionamentos válidos por conta de vivermos em uma democracia, ou seja, o “poder do povo” deve ser capaz de representar todas as diferentes opiniões das diferentes pessoas que compõem o povo. Assim, é permitido ser coxinha ou mortadela, desde que se respeite os fundamentos democráticos que movem o país.

Você, que vai encarar o Enem ou o vestibular, ainda precisa se atentar a mais um detalhe: o respeito não só à opinião dos outros, mas aos outros enquanto pessoas. Boa parte dos desrespeitos aos direitos humanos nas provas de redação vêm, justamente, de opiniões que não respeitam as posições do outros. Sugerir morte, tortura, prisão, tratamento psiquiátrico, entre outros, para pessoas que têm opinião diferente da sua entra nessa categoria. Então, “coxinha” ou “mortadela”, todo mundo merece respeito 😉

Será que gregos antigos entrariam nessa briga de “coxinhas” e “mortadelas”? Se pensarmos que quem tinha direito a participação política eram homens ligados ao comércio, talvez pudéssemos chamá-los de coxinhas. Por outro lado, a própria forma como a democracia se instaurou foi uma luta (ainda que entre homens e ricos) por maior igualdade social, então quem sabe seriam mortadelas?

Essa adjetivação, porém, com certeza, é algo dos nossos tempos. Então, deixemos que ela faça parte apenas dos livros de história mais recentes, escritos de agora para as futuras gerações, quem sabe.

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