Grandes desastres ambientais: como podemos preveni-los?

Em 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), tornou-se o maior desastre ambiental do Brasil. Em 2016, o maior desastre nuclear da história humana completou 30 anos: o da Usina de Chernobyl, na Ucrânia. Relembre esta e outras tragédias que podem cair nas provas.

Ao (re)ler as histórias a seguir, vale refletir: é possível prevenir estes desastres? O que precisa ser feito para que eles não ocorram? Essas ações dependem de quem?

Desastre de Chernobyl (URSS, atual Ucrânia) – 1986

Na madrugada de 26 de abril de 1986, a explosão de um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl lançou toneladas de partículas radioativas na atmosfera, atingindo boa parte do território europeu. O governo soviético tentou ocultar a tragédia – Mikhail Gorbachev não falou publicamente do incidente até 14 de maio.

chernobyl

O número total de vítimas é alvo de polêmicas: pelo menos 30 agentes teriam morrido na tentativa de diminuir os efeitos da catástrofe nos dias seguintes à explosão. Um controverso relatório da ONU estima que, até 2005, 57 pessoas teriam morrido em decorrência direta do desastre – o total de afetados chegaria a 5 mil. Para o Greenpeace, este número bateria na casa dos 100 mil.

O vídeo abaixo mostra um impressionante sobrevoo sobre a região de Pripyat, na Ucrânia, visitada por especialistas que buscam estudar os efeitos da radiação e também por fotógrafos e documentaristas.

Césio 137 em Goiânia, GO (Brasil) – 1987

Um ano depois da tragédia de Chernobyl, o Brasil foi palco de um novo desastre envolvendo radiação. É considerado o maior acidente radioativo do mundo fora de usinas nucleares.

Catadores de lixo encontraram equipamentos de radioterapia em um hospital abandonado e, acreditando tratar-se de sucada, desmontaram as máquinas. Um dos homens encontrou um pó branco dentro de uma cápsula. O pó emitia um brilho azul no escuro. Ele distribuiu o achado entre amigos e familiares.

 

Quatro pessoas morreram poucos dias após o contato com o material, entre elas uma menina de apenas 6 anos, que ingeriu acidentalmente uma quantidade do pó. Estima-se que mais de 100 pessoas foram atingidas pela radiação e tiveram sequelas posteriormente.

Em 2012, o site G1 fez uma série de reportagens especiais para marcar os 25 anos da tragédia.

Acidente nuclear de Fukushima (Japão) – 2011

Este foi o segundo desastre nuclear, depois de Chernobyl, a alcançar o nível 7 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares. A Central Nuclear de Fukushima foi atingida por um tsunami provocado por um terremoto, o que levou três dos seus reatores nucleares a derreterem.

De acordo com a CNN, não foram registradas mortes em decorrência da exposição à radiação, mas mais de 20 mil pessoas morreram por causa do terremoto e do tsunami. Uma reportagem especial publicada pelo site El País em maio de 2016 visitou o Japão para relatar como vivem as milhares de pessoas que precisaram deixar suas casas em decorrência do acidente. A reportagem explica que a radiação emitida pelo ar e pela água só deve ser eliminada em cerca de 300 anos.

Desastre em Mariana, MG (Brasil) – 2015

Em novembro de 2015, o rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco – controlada pela Vale –, causou um desastre ambiental em Mariana. A lama devastou o distrito de Bento Rodrigues, destruindo casas, flora e fauna e deixando um saldo de menos 19 mortes entre moradores e funcionários da mineradora.

Trata-se do maior desastre ambiental do Brasil. O vazamento de rejeitos chegou ao Rio Doce e, posteriormente, ao mar. A mineradora nega que a lama seja tóxica, mas o fato é que a devastação provocou a morte de milhares de peixes e cientistas independentes divergem quanto aos níveis tóxicos constatados na água.

Leia mais sobre o caso nesta reportagem do El País.