#EuJáSabia: educação é o tema de redação do Enem 2017

A redação, em 2017, foi movida para o primeiro domingo de provas do Enem. O Inep, órgão responsável pela prova, divulgou o tema no mesmo dia, enquanto os alunos ainda estavam em sala escrevendo: educação de surdos.

Apesar de ser tratado como surpresa para alguns, o Vestibular.com.br já havia antecipado que o acesso à educação era um dos fortes candidatos ao tema. E acertamos! Quem é nosso aluno teve a chance de praticar o tema, abordado de forma mais ampla aqui, e de receber os comentários dos corretores.

O Enem 2017, a proposta foi: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Os textos de apoio apresentavam números sobre a queda da participação dos surdos na educação básica (da alfabetização ao terceiro ano do Ensino Médio). Um breve histórico do ensino para esse público era outro material disponível para que os estudantes tivessem referências sobre o tema.

No nosso tema de redação sobre acesso à educação, trouxemos textos que apresentavam ideias em relação a investimentos e distribuição dos estabelecimentos da rede pública de ensino. Além disso, a questão socioeconômica também estava representada.

Visão inclusiva e com viés de DH

A proposta de redação do Enem 2017 ampliava a discussão para o acesso não só no sentido de habilitar a participação, formalmente, mas de oferecer uma experiência integral, tanto no ensino básico como em formações superiores. Em outras palavras, igualdade e dignidade da pessoa com deficiência (PCD), do ponto de vista dos Direitos Humanos.

Um texto de apoio trazia trecho do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que trata sobre a inclusão de PCDs – entre eles, surdos -, do capítulo sobre direito à educação; outro, mostrava uma publicidade sobre a necessidade de inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho qualificado.

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“Eles deram boas dicas nos textos de apoio”, destaca o professor de Língua Portuguesa Wilson Rochenbach Nunes. “As palavras-chave ‘desafio’, ‘formação educacional’, ‘surdos’ deviam aparecer já no início do seu texto, para que o avaliador soubesse que você compreendeu o tema”, afirma o professor.

Outro idioma

“Sou professor, mas se eu tiver um aluno surdo, não consigo falar com ele. Fiz um curso básico de Libras, mas ninguém aprende outra língua em dois, três meses”, contou Nunes no Aulão do Vestibular.com.br, na segunda-feira, dia 6 de novembro. O relato é um exemplo de uma das dificuldades da inclusão das pessoas surdas no sistema educacional.

O desconhecimento sobre o tema foi um dos principais pontos destacados pelos alunos ao sair da prova. O fato de que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a segunda língua oficial do Brasil foi apontado como novidade pela maioria dos candidatos até a leitura dos textos de apoio. Para os surdos que falam Libras, a Língua Portuguesa é um segundo idioma.

O tema da redação acabou alinhado com uma das novidades do Enem 2017: a possibilidade de fazer a Videoprova Traduzida em Libras. O recurso foi escolhido por 1.635 participantes com surdez ou deficiência auditiva. Além da videoprova era possível optar pelo Tradutor-Intérprete de Libras, escolhido por 1.357 solicitações. O Enem 2017 teve 4.390 solicitações de Atendimento Especializado para surdez; e 4.390 para deficiência auditiva.

Direito x realidade

Segundo o professor Nunes, uma das linhas de argumentação possíveis era da contraposição entre o direito assegurado em lei e a realidade. Ou, em outras palavras, como o fato de a lei assegurar o acesso e a inclusão não se traduz, na prática, em PCDs tendo as mesmas condições que os colegas.

“O tema foi bem específico, sim. Mas foi um tema legal, era só parar para pensar um pouco. Para isso, era preciso ter se preparado, lido notícias, artigos de opinião. A ideia da prova do Enem é uma prova de reflexão, tanto a redação quanto a prova de Linguagens”, reforça o professor de Língua Portuguesa. Para Nunes, alunos que tiveram a oportunidade de conviver com PCDs podem ter tido uma visão mais profunda sobre a relação de inclusão abordada pela proposta.

Mercado de trabalho

“Sou surdo e pós-graduado em marketing” dizia a imagem publicitária do texto de apoio III da prova do Enem 2017. Aqui no Vestibular.com.br, o gerente de marketing Jomar Jaime Theodorico de Oliveira, como o personagem da propaganda, é pós-graduado em Marketing. Jomar não é surdo, mas tem perda auditiva moderada e usa prótese auditiva intra-auricular bilateral.

“A gente não tem a rapidez no aprendizado como pessoas com uma audição perfeita, cabe a gente ir atrás de mais recursos de aprendizado. Realmente as práticas pedagógicas estão a passos lentos nas instituições de ensino, desde cursinhos até universidades”, relata Oliveira. Ele lembra dos tempos de escola: “Se alunos que ouvem 100% já ficam dispersos com o professor que não consegue prender atenção, imagina o surdo: fica disperso ao quadrado”.

“Dentre as deficiências, a auditiva é a mais ‘esquecida’ em políticas sociais”, opina o gerente de marketing.

Depois do Enem 2018...

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