Entenda por que o embargo dos Estados Unidos a Cuba está próximo do fim

O segundo mandato de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, será marcado por grandes inovações políticas no país. Três exemplos: 1) Em 2014, passou a valer uma lei que democratizou os planos de saúde; 2) este ano houve a legalização do casamento para pessoas do mesmo sexo; 3) desde o final do ano passado os norte-americanos estão em processo de reaproximação histórica com Cuba.

Acreditamos que essa reaproximação entre EUA e Cuba, coroada com a reabertura das embaixadas no último dia 20 de julho, tem boas chances de aparecer na sua prova de vestibular este ano – ainda mais com o contexto das sucessivas medidas liberais no país. O perfil progressista de Obama é, aliás, um dos motivos que levam a essa reaproximação histórica, depois de 54 anos do rompimento das relações diplomáticas entre os dois países.

 

As intenções de Barack Obama e do presidente cubano, Raúl Castro, ainda não acabaram com o embargo econômico que restringe as operações comerciais entre os dois países, mas são um passo importante para retomar definitivamente as relações, complicadas por uma série de fatores que se confundem com a história recente do mundo. Preparamos um pequeno resumo cronológico para você se localizar e entender por que o embargo econômico entre Estados Unidos e Cuba está mais próximo do fim do que nunca:

embargo

1959, o começo

Liderados por Fidel Castro, rebeldes assumiram o poder após o ditador Fulgêncio Batista deixar Cuba, em janeiro de 1959. Inicialmente os Estados Unidos reconheceram e incentivaram a iniciativa, já que Fulgêncio estava complicando a situação de empresas norte-americanas na ilha.

Contudo, o novo grupo político surpreendeu e expropriou as empresas, e os EUA passaram a criticar duramente as ações dos rebeldes.

1961, o embargo

Com as contínuas manifestações de ruptura por parte do governo cubano, os EUA decidem impor um embargo às exportações a Cuba em 1960. Foi o início do rompimento das relações diplomáticas, que ocorreu em janeiro de 1961. Em março, Castro declara Cuba um estado socialista, colocando-se do outro lado na Guerra Fria. Se você não lembra direito o que foi a Guerra Fria, pare de ler este texto agora e acesse esse resumo aqui.

1962, quase um confronto

Em outubro de 1962, com o acirramento da disputa por poder entre EUA e URSS, os norte-americanos impõem um bloqueio marítimo para impedir a instalação de mísseis soviéticos na ilha. O episódio, que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis de Cuba, foi um dos momentos mais tensos do período em que o mundo era dividido entre capitalistas e socialistas.

1977, a reaproximação fracassada

Após tomar posse em 1977, o então presidente americano Jimmy Carter se esforça para reatar relações com Cuba. Algumas missões diplomáticas são restabelecidas e milhares de prisioneiros chegam a ser liberados. No entanto, com a eleição de Ronald Reagan, a discórdia sobre uma missão militar na África põe abaixo o esforço.

1991, sem a URSS

Em 1991, há o colapso da União Soviética. Como eles eram o principal parceiro econômico de Cuba – e o embargo segue restringindo as relações comerciais -, o país entra em uma crise profunda, já que não consegue criar novas parcerias comerciais. No entanto, o regime socialista do ditador Fidel Castro se mantém.

1998, o impulso para a reaproximação

Durante os anos seguintes, os EUA prendem vários espiões cubanos. Com a pressão da ONU pelas libertações, as práticas começam a ficar cada vez menos recorrentes. Em 2008, quando Cuba detém o servidor americano Alan Gross, a relação dos EUA é diferente: iniciam-se esforços para melhorar a relação e acabar com as prisões.

2014, a virada

Esses esforços contínuos resultaram, em dezembro de 2014, no início do processo de reaproximação diplomática entre EUA e Cuba, anunciado por Barack Obama e Raúl Castro. Como parte do plano para virar o jogo, os EUA retiraram Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo.

2015, a reabertura das embaixadas

Depois de resolver pendências para o processo de reaproximação, EUA e Cuba passam a trocar notas diplomáticas e, em um momento histórico, reabriram suas embaixadas (a de Cuba foi reaberta em julho em Washington e a dos EUA, em agosto em Havana).

É claro que ainda há o que fazer para que a reaproximação entre os países se torne definitiva. O fim do embargo econômico é o grande empecilho e depende de esforços dos dois lados, mas nunca se esteve tão próximo desse momento. Por isso, vestibulando, fique de olho nos próximos passos de Raúl Castro e Barack Obama.