Entenda o problema da natalidade chinesa

Há um país no mundo que todo vestibulando deve ficar de olho: a China. É a nação mais populosa, tem uma economia que cresce vertiginosamente, um sistema político bem característico e uma cultura milenar.

Para você entender esses pontos, leia este texto que fala sobre como a década de 2010 mudou o rumo do país e como isso tem influenciado o mundo.

 

Um outro fenômeno singular na China é a política de filho único. Para conter o incessante crescimento populacional do país com cerca de 1,3 bilhão de habitantes (o que representa cerca de 18% da população mundial), o governo implementou, na década de 70, medidas que cobravam severas multas a famílias que tivessem um segundo filho.

Essa decisão trouxe uma série de consequências para o país. Segundo o governo, se a medida não fosse tomada, a China teria hoje cerca de 1,7 bilhões de habitantes (22% da população mundial), o que diminuiria a qualidade dos sistemas de educação e saúde. Isso ajudou a quebrar a preferência por grandes famílias, fato que perpetuava a pobreza do país. Vale lembrar que, apesar de ter a segunda maior economia do mundo, a China tem uma das piores rendas per capta.

Mas os efeitos colaterais também foram preocupantes. Nos últimos 35 anos, a população envelheceu rapidamente. Como consequência, os gastos com o pagamento de aposentadorias cresceu muito. Outro fenômeno negativo foi o aumento de abortos seletivos de garotas, além do abandono de crianças, também principalmente do sexo feminino. Hoje há cerca de 120 homens para cada 100 mulheres.

O fim da política de filho único

Para contornar a situação e, principalmente, reduzir o risco de um esfriamento da economia chinesa, o país anunciou em outubro de 2015 a flexibilização da política de filho único e a permissão para as famílias terem até dois filhos. O governo acredita que a população precisa chegar a 1,5 bilhão em 2010 para evitar uma eventual recessão. A medida reitera o caráter planificador do governo, que é comandado pelo Comitê Central do Partido Comunista.

Especialistas acreditam que, apesar da efetividade na questão econômica, muitos problemas devem persistir. Estudos apontam que, ao impedir a livre decisão das famílias, o modelo deu origem a práticas condenadas como os abortos e os abandonos, que citamos antes. Apesar da flexibilização, esta reportagem do jornal Folha de São Paulo mostra que os chineses receiam ter dois filhos, principalmente pelos gastos excessivos de se ter uma família maior em cidades como Pequim.

Pesquisas apontam que, nesse contexto social, chineses sentem-se muito solitários e criam filhos superprotegidos, o que aumenta a pressão para serem bem sucedidos e a casarem cedo. Mais uma evidência de que as políticas de restrição trazem consigo o risco de consequências sociais pouco saudáveis.