Enem 2017 em dois domingos: boa ou má notícia?

No dia 9 de março o Inep, responsável pelas aplicações das provas do Enem, anunciou mudanças para o exame em 2017. A principal delas é que, agora, as provas serão realizadas em dois domingos consecutivos (5 e 12 de novembro), em vez de no sábado e no domingo do mesmo fim de semana. A mudança, segundo o Ministério da Educação, ajuda os sabatistas, ou seja, aqueles que por causa da religião não podem realizar atividades aos sábados até o sol se pôr. Até 2016, eles precisavam entrar nos locais de prova junto com os demais candidatos, mas só após as 19h realizavam o teste. No último exame, eles somaram mais 8,8% do total de 8,6 milhões de inscritos.

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Mas fazer a prova em dois domingos é bom ou ruim? Por um lado, o aluno tem tempo para estudar um pouco mais entre uma prova e outra. Para alguns, pode ser um tempo irrisório, dado que uma semana é muito pouco em relação a um ano inteiro de dedicação. Por outro, por mínimo que seja, ainda é um tempo para rever resumos, aulas online, macetes.

Arte de mão branca com caneta anotando em caderno pautado com relógio, outro caderno e materiais de escritório

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Redação primeiro

A realização da redação no domingo inicial, junto com as provas de Linguagem, Código e Suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias, também tem dois lados. Por ser uma das mais temidas, pode implicar em “tirar um peso das costas”. No sentido da revisão, é possível dedicar-se aos últimos treinos de texto primeiro e usar a semana seguinte pra os últimos exercícios das demais competências. Mas justamente por ter um peso tão grande, na nota e nas costas do aluno, pode desestimular o comparecimento no segundo domingo. E também pode desconcentrar o estudante das revisões posteriores, considerando não só o próprio desempenho como também os comentários sobre o assunto nos noticiários e redes sociais, por exemplo.

Esse aspecto emocional é outro que pode ser influenciado. Dedicar-se o ano todo para a prova implica em uma grande quantidade de estresse. Os dias dos testes estão os picos de nervosismo que os alunos podem ter. O intervalo entre o primeiro e o segundo dia de aplicações permite que o estudante tenha tempo de relaxar um pouco. Para aqueles que têm reações ainda mais extremas ao estresse, como alergias na pele, vômitos, desmaios, o benefício pode permitir que, se no primeiro domingo o corpo traiu a mente, no segundo o aluno consiga um melhor desempenho. Por outro lado, é possível que para algumas pessoas o estresse só aumente, acumulando-se ao longo da semana de intervalo e culminando em uma reação pior ainda no segundo domingo.

Distâncias de espaço e tempo

O transporte até os locais de prova pode ser um ponto negativo. Para alguns candidatos, locomover-se em dois momentos tão separados pode ser um custo extra, especialmente para aqueles em zonas mais afastadas, cuja escola em que o exame é aplicado é “a mais perto possível”, mas ainda assim distante. Mas, do ponto de vista financeiro, pode ser uma boa notícia, já que muitos trabalhadores (especialmente os informais) recebem por dia ou por semana, o que permitiria que alguns alunos conseguissem os recursos necessários ao deslocamento para a sessão seguinte da prova. Aqueles que dependem de terceiros para esse transporte, como algumas pessoas com deficiência (PCDs), ainda correm o risco de terem dificuldades de combinar a agenda da prova com a agenda da(s) pessoa(s) que pode(m) ajudar na locomoção. Porém se esse “ajudante” trabalhar em esquema de plantão, pode ser mais fácil conseguir sair só um dia em semanas diferentes, em vez de sábado e domingo seguidos.

Por último, os cartões de respostas, que a partir de 2017 passam a ser entregues anexados ao caderno de provas e com o nome do aluno. A medida de segurança pode agradar muitos estudantes, em alguma medida descrentes da igualdade de chances entre todos os candidatos em função dos escândalos recentes sobre vazamentos. Por outro lado, essa descrença pode levar o aluno a questionar se, para o segundo domingo, tão distante, os trapaceiros não teriam mais oportunidades de trapacear.

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Outras mudanças em 2017

Entre as novidades do Enem 2017 também estão novas regras para a isenção da taxa de inscrição. Antes, bastava o candidato dizer que se enquadrava em uma das categorias – baixa renda e estudantes de escolas públicas, em sua maioria. Agora, já no ato da inscrição o candidato precisa informar o Número de Identificação Social (NIS), que será checado para garantir que o estudante, de fato, tem direito à gratuidade. A prova também passa a estender o benefício aos alunos do CadUnico do Ministério de Desenvolvimento Social e Reforma Agrária. Em 2016, 77% dos candidatos foi isento, a maior parte (3,9 milhões de pessoas), por baixa renda.

Mas a gratuidade deixa de valer se o aluno não for fazer a prova — o que aconteceu com 30% dos candidatos, pagantes e isentos, em 2016. Se o aluno se inscrever gratuitamente e não justificar (mediante atestado médico ou documento oficial que comprove que não pode comparecer), perde o direito no Enem 2018.

Segundo o MEC, as mudanças atendem às opiniões obtidas em consulta pública sobre o Exame, realizada de 18 de janeiro a 17 de fevereiro deste ano, em que se obteve mais de 600 mil respostas.

O edital oficial do Exame deste ano deve sair até 10 de abril, e as inscrições já estão marcadas para 8 a 19 de maio. No dia 5 de novembro, os candidatos realizam as provas de Redação, Linguagem, Código e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias, com duração de 5h30min; no domingo seguinte, 12 de novembro, os exames são de Matemática e Ciências da Natureza e suas Tecnologias, com 4h30min de duração. O resultado oficial sai do Enem 2017 em 19 de janeiro de 2018.