Dois Pedros, um João, nenhum Targaryen: nasce o Brasil Império

Em março de 1808, D. João chegou no Brasil com toda a família real portuguesa, fugindo de Portugal. Entre 1822 e 1889, o Brasil Império nasceu, guerreou, e, depois de perder suas forças, findou.

Dois Pedros e um João mudaram a história do Brasil – e, diferente dos Targaryen, não precisaram de nenhum dragão. Tivemos revoltas, guerras, crianças no poder, tiranos (o nosso, ao menos, com uma constituição por trás), elites descontentes, exércitos vencedores. Um drama digno do horário nobre 😉

O resumo da saga

O Império começa em 1822, quando D. Pedro I declarou a Independência do Brasil e deu início ao Primeiro Reinado. Em 1831, abdicou do trono. D. Pedro II tinha apenas cinco anos e, diferente de Joffrey Baratheon em Westeros, era considerado jovem demais para assumir o controle, que ficou com regentes até 1840.

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Mesmo com muitas revoluções travadas Brasil afora, o Império resistiu até 1889. Em 15 de novembro, Marechal Deodoro da Fonseca tomou o poder, derrubou o império e instaurou a República, sendo o primeiro presidente do Brasil.

São quase 70 anos de história. Para você não perder nenhum detalhe dessa trama, vamos destrinchar cada um desses períodos. O Enem está chegando!

Vinda da família real para o Brasil

No melhor estilo Targaryen, D. João, com toda a corte real, saiu fugido de Portugal – temendo as tropas de Napoleão Bonaparte – e veio para o Brasil. Diferente dos Targaryen, porém, ele ainda estava no poder. Os acordos com a Inglaterra foram essenciais para garantir a viagem transatlântica.

Após atracar em Salvador, a família real de D. João seguiu para o Rio de Janeiro. A cidade passou a ser a King’s Landing brasileira: sede do governo português, que elevou o Brasil de colônia para Reino Unido a Portugal e Algarves.

Em 1820, a família real voltou para Portugal levando toda a riqueza acumulada no Banco do Brasil. Por conta da corrupção e desse “saque real”, o banco acabou sendo fechado em 1829, voltando a funcionar apenas no governo de D. Pedro II.

Proclamação da Independência por D. Pedro I

Em 1822, D. Pedro I declara o Brasil independente de Portugal. Mas, paranoico como Ramsay Bolton, o novo imperador desconfia que os deputados tentavam diminuir seu poder na criação da Constituição. Menos homicida que o Bolton bastardo, D. Pedro I manda fechar a assembleia e prender os legisladores. Então, cria o Conselho de Estado e, em 1824, outorga a primeira Constituição – que trazia quatro poderes, sendo o Moderador exclusivo do imperador.

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A prepotência do imperador e a derrota na Guerra da Cisplatina geraram muito desconforto na elite brasileira em relação ao governante. Um dos eventos que marcam o período foi o episódio ficou conhecido como Noite das Garrafadas. Depois da morte de Líbero Badaró, jornalista que criticava o governo, manifestantes jogaram pedras e garrafas em conflito com os defensores de D. Pedro I.

Revoluções liberais e separatistas no segundo reinado

Em 1831, D. Pedro I abdicou do trono, que ficaria para seu filho de 5 anos. Mas o “Joffrey brasileiro” foi considerado novo demais, e o poder acabou nas mãos de regentes escolhidos pelo próprio Império. Somente aos 14 anos, com o golpe da maioridade, D. Pedro II assume o poder. Inicia-se, então, o chamado segundo reinado.

Algumas revoluções liberais e separatistas marcaram o reinado de D. Pedro II. As principais delas foram:

  • Revolução Farroupilha: no Sul do Brasil, separatistas lutaram contra o Império;
  • Revolta do Malês: na Bahia, negros islâmicos já livres se revoltaram contra a escravidão;
  • Cabanagem: no norte do Brasil, o povo lutou contra a miséria;
  • Sabinada: na Bahia, militares da classe média se rebelaram contra o Império;
  • Balaiada: no Maranhão, o movimento popular lutou contra o poder dos aristocratas rurais.

As consequências da Guerra do Paraguai

As “casas” Brasil, Argentina e Uruguai formaram a tríplice aliança para derrubar o governo de Solano Lopez no Paraguai, país republicano. A Inglaterra apoia o Brasil com recursos e armas – meio como o Banco de Ferro de Braavos. A supremacia da Marinha brasileira determina o rumo do conflito, vencido pelo Brasil e com a morte de um terço da população paraguaia.

Mas as consequências não se restringiram aos perdedores da Guerra do Paraguai. Os brasileiros sofreram com a falta de alimentos e as epidemias. Além disso, os prejuízos financeiros foram muitos, e as dívidas externas, principalmente com a Inglaterra, só aumentaram.

O fim da escravidão: de 1850 até 1888

A Inglaterra, de novo como o Banco de Ferro, começa a pressionar por “favores”, já que sempre “apoiou” o país. Uma das demandas é o fim da escravidão. Só que a Inglaterra não era nenhuma Khaleesi querendo o bem das pessoas: o país europeu buscava mercado consumidor para seus produtos industrializados. As principais leis do processo de abolição são:

  • Lei Eusébio de Queirós (1850): acabou com o tráfico de escravos;
  • Lei do Ventre Livre (1871): determinou que filhos de escravos nasciam livres;
  • Lei dos Sexagenários (1885): garantiu liberdade aos escravos com 65 anos ou mais;
  • Lei Áurea (1888): aboliu a escravidão no Brasil.

A abolição foi a gota d’água da crise do segundo reinado. O descontentamento da elite com o fim da escravidão somou-se ao descontentamento do exército com a falta de reconhecimento. No retorno à pátria, após a Guerra do Paraguai, os militares não se sentiram valorizados como heróis e acabaram organizando revoltas. Sem Targaryens ou dragões para se opor aos Lannister – quer dizer, aos militares, esses tomam o poder sob o comandado de Lorde Marechal Deodoro da Fonseca. Acabava o Império, iniciava-se a República.