Como fazer um plano de estudos personalizado

Até quem se considera organizado pode acabar “tropeçando” na hora de estudar para o Enem ou o vestibular por falta de planejamento. Ter uma agenda é essencial para que você consiga dar conta de aprender, revisar e exercitar todos os conteúdos previstos no edital.

Pegue papel e caneta, ou seus dispositivos eletrônicos, pois é hora de começar o planejamento.

1. Liste tudo

O primeiro passo é listar tudo o que deve ir nessa agenda de estudos. Separe, de um lado, os conteúdos da prova. De outro, as atividades regulares da sua vida.

Isso mesmo: você deve listar tudo o que faz em um mês normal. Horário de escola, trabalho, academia, almoço de família, terapia, encontro com os amigos, tudo.

Dessa lista de atividades, marque o que é essencial – por exemplo, o horário do expediente ou da escola. Depois, veja se há algo que você possa reduzir ou tirar da agenda para abrir espaço para estudar.

É importante ser realista. Talvez você precise abrir mão de um lazer aqui e outro ali, e até sacrificar um pouco o tempo com a família. Mas, na prática, você não vai abandonar 100% os momentos de lazer, então não faça uma agenda contando com isso, porque seu planejamento já começa falhando.

2. Priorize matérias e conteúdos

Depois de colocar no calendário o que você é obrigado a fazer (incluindo descansar), é hora de planejar os estudos. O primeiro passo é ver a quantidade de conteúdo em cada disciplina, para que o tempo delas seja dividido de forma coerente com o total de estudo necessário.

Lembre-se de que os conteúdos com os quais você tem mais dificuldade devem ganhar mais tempo, pois o processo será mais longo. Então é preciso combinar os dois fatores: total de conteúdo e dificuldade que você, particularmente, tem.

Ok, você deve estar chegando à conclusão de que precisa de três vidas para estudar tudo, não é mesmo? Nada disso. É aí que entra a priorização. Se você tivesse três vidas de tempo, ainda assim iria achar conteúdo demais, por isso é preciso priorizar. Eventualmente algo vai ter que ser visto mais rapidamente, deixado para trás, lido sem fazer exercícios, enfim, tudo vai depender da sua realidade e do tempo que você tem para estudar.

3. Separe em pequenas porções

Agora que você já sabe o “o quê” vai estudar, é hora de fazer o “como”.

A primeira dica é criar janelas mais curtas de tempo, intercalando os assuntos. Estudos sobre a mente humana mostram que nossa atenção diminui ao longo do tempo quando fazemos algo por um período prolongado. Um exemplo bem simples: você fica o tempo todo sentindo as roupas que veste encostando na sua pele, mas você não pensa nisso o tempo todo.

O psicólogo Alejandro Lleras, que pesquisa o tema na Universidade de Illinois, explica que o cérebro reconhece mudanças em vez de continuidades. Por isso, ele sugere “desativar e reativar o cérebro” de tempos em tempos, de modo a não deixar que a mente classifique como “não importante” algo em que queremos que ela se foque.

Na pesquisa de Lleras, o tempo de estudo indicado é de 50 minutos. Isso mesmo, como se fosse uma aula de escola. É claro que esse tempo pode variar, dependendo da pessoa, mas o ideal é que ele não seja longo demais.

4. Dê espaço e faça pausas

Além dessas “aulas curtas”, o professor norte-americano sugere duas breves pausas no período. Breves mesmo, ok? Apenas o suficiente para que o cérebro reative a atenção.

Outro psicólogo e pesquisador de memória e aprendizado, Tom Stafford, da Universidade de Sheffield, indica também espaçar os estudos das matérias. Em vez de cinco horas do mesmo assunto em um único dia, o ideal é uma hora por dia ao longo de cinco dias.

Isso porque, apesar da sensação de “dever cumprido” que se tem após uma jornada longa de leituras e práticas, a memória não retém essa quantidade enorme de informações. Por outro lado, ao separar em porções menores, a cognição é mais eficiente.

5. Exercite, exercite, exercite

Talvez essa pareça a dica mais “banal” de todas, mas não é? Via de regra, a agenda de estudos prevê o tempo de assistir à videoaula e ler o material de apoio, mas não o tempo de fazer exercícios. E, é claro, esse tempo é precioso.

Stafford afirma que a maioria dos estudantes comete um erro crucial: revisa olhando resumos, achando que está sabendo tudo. Mas, na revisão, o que se faz é, literalmente, “ver de novo”. A mente reconhece o que já viu antes. Mas é preciso testar, e em condições o mais próximas possível das do exame.

Uma das dicas do psicólogo britânico é escrever respostas completas, treinando não apenas a habilidade de “marcar o X”, mas também exercitando o conteúdo que justifica a escolha.

Outra dica é tentar explicar por que as demais alternativas estão erradas. Uma pesquisa das universidades de Tampa e Fort Lauderdale aponta que a maioria dos alunos tem dificuldade em avaliar respostas que contradizem o que eles marcaram como “certo” entre as alternativas.

6. Ajuste e não desanime

Lembre-se de que seu calendário não está gravado na pedra e pode sofrer ajustes à medida que você for observando o que funciona e o que não funciona.

Se algo sair do planejado, não desanime. Respire fundo, reveja a lista e reorganize sua agenda. O mais importante é manter o foco!