Como a Matemática pode prevenir a disseminação do vírus zika?

Mesmo que você seja apaixonado pelos números, deve conhecer colegas que sofrem para entender qual é a utilidade de tanta fórmula. Deve ter amigos duvidam que aquilo tudo possa, um dia, ser útil para a vida. Um estudo realizado nos Estados Unidos e divulgado recentemente pode fazê-los mudar de ideia.

Matemáticos da Universidade de Miami usaram a Matemática para entender a disseminação do vírus zika. O estudo tem o objetivo de contribuir para a prevenção de doenças transmitidas pelo vírus e suas consequências, tais como o nascimento de bebês com microcefalia. Você deve lembrar da epidemia que atingiu o Brasil em 2015 e da preocupação que gerou, principalmente as gestantes, assustadas com a possibilidade de darem à luz bebês com a malformação.

Com a aproximação da Olimpíada no Brasil, autoridades do mundo inteiro eleveram seus níveis de preocupação com turistas e atletas que passarão por aqui. A necessidade de compreensão sobre os padrões de transmissão do vírus aumentaram. Sabe-se que ele é transmitido pelo mosquito aedes aegypti (sim, o mesmo que transmite a dengue e a chikungunya) e também através de relações sexuais.

O que os pesquisadores da Universidade de Miami queriam saber é exatamente qual o papel da transmissão sexual na disseminação do vírus. Para isso, o professor Shigui Ruan e seus colegas desenvolveram um modelo matemático. Modelos matemáticos são usados para o estudo de fenômenos em diversas áreas, como física, química, biologia, economia e engenharias – eles conseguem representar matematicamente a realidade, com o objetivo de entender e até mesmo prever o comportamento do fenômeno estudado. Interessante, não é mesmo?

Como explica essa notícia sobre o estudo, o professor Ruan e seus colegas usaram equações que envolviam dados como taxas de picadas e de mortalidade do mosquito, além de dados sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, para descobrir o número de reprodução básico.

Esse é um número que os cientistas precisam conhecer a respeito de qualquer epidemia. Ele informa qual será o número esperado de indivíduos infectados a partir de uma infecção inicial naquela população. Por exemplo, se uma pessoa de uma cidade é diagnosticada com a doença, quantas outras pessoas pode-se esperar que também se contaminem? Você pode imaginar que, quanto maior o número, mais rapidamente o vírus vai se disseminar pela população, já que cada pessoa doente deverá transmitir o vírus para aquele mesmo número de indivíduos. E assim por diante!

Pois o que os cientistas concluíram é que o número médio de novas infecções a partir de um caso do vírus zika é de 2 – e que a transmissão sexual é responsável em apenas 3% dos novos casos. Ou seja, o mosquito é o principal fator de transmissão e, por isso, a recomendação é que as ações de prevenção sejam focadas no controle do aedes aegypti. Por outro lado, é sabido que o tempo de vida do vírus é maior no sêmen do que na corrente sanguínea. É fundamental não ignorar o risco da transmissão sexual também, pois esse tipo de contágio pode ser responsável pelo surgimento ou ressurgimento da doença após um período de controle.

Para saber mais, acesse o site de divulgação científica Science Daily (em inglês).

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