Casos recentes de racismo mostram que problema está longe de acabar

A Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil, foi decretada há 127 anos. Mesmo tanto tempo depois, o ano de 2015 já é marcado pelo grande número de casos de racismo que ganharam forte repercussão no país e no mundo.

Alguns pela barbárie, como o atirador que entrou numa igreja e matou nove pessoas nos Estados Unidos, outros pela exposição, no caso da jornalista da TV Globo Maria Júlia Coutinho, a Maju, atacada pelo Facebook.

Os negros são ainda mais vítimas

Se prestarmos atenção nos dados, veremos que não se trata apenas de uma sensação. O relatório publicado pelo Mapa da Violência 2015 mostra que os negros vivem em situação de vulnerabilidade social pior que em anos anteriores, o que fortalece a lógica do preconceito. Eles são, por exemplo, 2,5 vezes mais vítimas de armas de fogo no Brasil.

O mais preocupante é que a piora nos dados sobre os negros vem acompanhada por uma melhora nos dados sobre os brancos. Enquanto os homicídios de brancos com arma de fogo caíram de 14,5 para 11,8 mortes para cada 100 mil pessoas, a taxa em relação aos negros no mesmo período subiu de 24,9 para 28,5 para cada 100 mil habitantes.

Além dos dados, é importante conhecer as histórias por trás do preconceito. Elas dão uma dimensão exata de como os crimes ocorrem hoje em dia. Por isso, listamos cinco situações de racismo no Brasil e no mundo que ocorreram em 2015 e que mostram como o assunto é latente. Em cada caso, conseguimos ver diferentes aspectos do preconceito e as reações que eles geram. Acompanhe:

1) Fevereiro: O caso dos torcedores do Chelsea

Um vídeo das câmeras de segurança do metrô de Paris mostrou um grupo de torcedores do Chelsea expulsando um negro francês de um vagão aos gritos de “somos racistas, somos racistas e gostamos disso!”. O caso ganhou repercussão mundial e foi condenado por vários líderes, como o premiê britânico James Cameron.

2) Maio: O caso dos ginastas da seleção

Três jovens atletas da seleção brasileira de ginástica publicaram um vídeo no Snapchat com piadas racistas contra um companheiro negro da equipe. Quando viram a repercussão negativa, os quatro gravaram um outro vídeo juntos pedindo desculpas e dizendo que as pessoas “não tinham entendido a brincadeira”. Os três garotos que praticaram o ato foram afastados da seleção.

3) Março: O caso da loja de luxo

Em uma das ruas mais chiques de São Paulo, um pai havia acabado de comprar um sorvete para o filho. Naquele momento, o pai resolveu ligar para a mãe e, enquanto fazia a ligação, ficou com o menino na frente de uma loja de luxo. Ao ver a criança, uma vendedora foi à rua e falou, brava: “ele não pode vender coisas aqui!”. O pai publicou um texto indignado no Facebook, e seu relato teve milhares de compartilhamentos.

4) Junho: O terrível caso de Charleston

No caso de racismo de maior barbárie dos últimos anos, um jovem de 21 anos entrou em uma igreja histórica dos Estados Unidos durante o culto e atirou contra os fiéis. Nove pessoas morreram, entre elas um senador. O ato chocou o mundo e gerou um forte posicionamento de repúdio do presidente Obama, que é negro.

5) Julho: O caso do Jornal Nacional

Uma das situações mais recentes foi o ataque coletivo de ódio racial à jornalista Maria Júlia Coutinho – a Maju, apresentadora do tempo no Jornal Nacional, da Rede Globo. Cerca de 50 pessoas publicaram mensagens agressivas no post do Facebook do programa. Algumas horas depois, milhares de pessoas demostraram apoio e viralizaram a hashtag #somostodosMaju.

Dá para ver que o preconceito não vai desaparecer tão cedo. Será preciso muito esforço da população – com denúncias e conscientização dentro de casa e nas empresas – e muito trabalho da classe política – com políticas públicas efetivas – para que o racismo seja superado.

Por isso nossa aposta sobre o tema este ano no vestibular. O assunto pode cair na redação ou até mesmo em uma questão de história ou geografia, fazendo conexão com esses casos recentes e o aumento da violência contra negros. Portanto, não deixe de ir fundo na notícia quando o tema voltar a pipocar na sua timeline.