A importância de William Shakespeare para o inglês moderno

Não é possível citar a história da língua inglesa sem mencionar William Shakespeare. Um dos maiores dramaturgos e poetas de todos os tempos, o britânico nasceu há mais de 450 anos, em 1564, e sua importância para o idioma dito universal dispensa comentários.

Com uma influência ímpar na cultura global, Shakespeare produziu mais de 30 peças de teatro e 150 sonetos. Ele é para a língua inglesa o que Luís de Camões é para o português mundial, por exemplo.

Palavras novas e mais populares

Apesar de ter escrito os poemas no século XVI, os versos de Shakespeare são recitados até hoje com muita frequência. Além de toda sua relevância no campo teatral, estima-se que este ilustre cidadão britânico adicionou entre 1700 a 2200 palavras na língua inglesa. Além dessas, ele ainda deixou em evidência diversas palavras que são bem utilizadas no inglês moderno, como “advertising”, “accused” e várias outras.

E não foram só palavras que Shakespeare colocou ou evidenciou no vocabulário. O nome Olívia, por exemplo, tornou-se popular através dele por ter sido uma das personagens na peça Noite de Reis (Twelfth Night, no original).

O que Shakespeare fez de maneira brilhante foi brincar com o vocabulário. De maneira ele informal, ele utilizava sua imaginação para que pudesse moldar um novo jeito de falar inglês e sem precisar ficar preso em velhas regras.

Ao aplicar seu estilo no jeito de utilizar as palavras, ele passou a incorporar várias outras que já existiam, mas que não eram populares. Dessa maneira, acredita-se que Shakespeare implementava muitas palavras então pouco conhecidas que ele simplesmente escutava através de pessoas conversando ao seu redor.

O inglês através dos tempos

Quando Shakespeare produziu suas obras, o inglês conhecido como nos moldes modernos ainda era uma língua relativamente nova. Ela se tornou um idioma oficial da Inglaterra apenas em 1509 e, até então, não contava com regras fixas de gramática que fossem padronizadas. O vocabulário falado por toda ilha da Grã-Bretanha era repleto de variações e dialetos que complicavam a unificação da língua.

Com Shakespeare no auge de sua carreira literária, o autor ajudou bastante a moldar os rumos de uma língua que até tinha apenas aproximadamente cem anos de existência – o inglês moderno teria tomado forma no século XV.

Ainda moderno atualmente

A modernidade de Shakespeare impressiona. Estima-se que somente cerca de 5% das palavras utilizadas pelo poeta não são mais usadas no chamado inglês contemporâneo.

Aliás, a influência do poeta inglês vai além da literatura e da dramaturgia. As histórias e características da obra de Shakespeare integram a cultura mundial, uma vez que foram remontadas e adaptadas em diferentes plataformas e diversas línguas. No Brasil, por exemplo, a nova O Cravo e a Rosa é livremente baseada na peça A Megera Domada (The Taming of the Shrew, no original).

A genialidade de Shakespeare fez com que as obras do poeta inspirassem uma série de outros autores muito relevantes para a história da língua inglesa, como é o caso de Herman Melville, Charles Dickens, William Faulkner e tantos outros. De certa forma, a influência de Shakespeare é tão grande que é praticamente impossível mensurá-la de maneira exata.

Mundialização de Shakespeare

Após sua morte, a influência de Shakespeare contou com a “sorte” que o imperialismo britânico se propagou por praticamente todos os cantos do planeta. O colonialismo do país dominou diversos países e regiões no século XIX e isso fez com que a versão moderna do idioma, muito moldada por Shakespeare, chegasse a diversos lugares da Terra.

Hoje, são mais de 35 países que utilizam o inglês como língua oficial. Além dos óbvios Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, outros países como Camarões, África do Sul, Malta, Singapura, Paquistão e Nigéria também estão nessa lista.

Evolução da língua inglesa

Vale destacar, no entanto, que não dá para pegar o sentido literal de todas as palavras criadas por Shakespeare e colocá-las em uso nos dias atuais. Algumas delas mudaram de sentido ao longo dos séculos. Um exemplo é a palavra “quick”, que hoje quer dizer rápido — na época do poeta, porém, significava “vivo”.

“Weird”, que é amplamente conhecido nos dias atuais como uma palavra que quer dizer estranho ou bizarro, tinha o sentido de “fatalidade” no século XVI.

Com o inglês sendo a língua dita universal e falada por mais de um bilhão de pessoas, a contribuição de Shakespeare para esse idioma tão importante na vida em sociedade contemporânea jamais cairá em esquecimento.