Como a crise migratória no Mediterrâneo pode cair no Enem

Desde 2014, milhares pessoas cruzaram as fronteiras europeias pelo Mediterrâneo fugindo das guerras na África e no Oriente Médio. Os números são alarmantes e mostram que estamos há um bom tempo diante da maior crise humanitária da União Europeia desde o surgimento do bloco. Para ajudar você a entender as origens e as consequências desse fluxo migratório na região, levantamos cinco questões que você precisa saber sobre o tema.

Antes de tudo, é essencial que você entenda do que estamos falando quando tratamos de migração. Os conceitos básicos e os processos migratórios que ocorreram ao longo da história são ensinados com maestria pelo nosso querido professor Marcelo. Confira:

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Bom, agora vamos aos pontos:

Mediterrâneo, o caminho da crise migratória

A Europa é o continente que mais recebeu refugiados do mundo nos últimos anos. A principal rota dessas pessoas é o mar Mediterrâneo, por onde o fluxo não para de aumentar. Em 2013, a ONU estima que 60 mil pessoas fizeram a travessia, em 2014 esse número chegou a 220 mil e em 2015 superou os 300 mil. Apesar de o fluxo ter diminuído em 2016, a situação ainda é de emergência porque, além da insatisfação de alguns europeus com a situação, milhares de pessoas que chegam vivem em condições precárias.

De onde eles vêm?

Dados apontam que a maioria das pessoas que cruzam a fronteira vem da Síria. Escapam de uma guerra que já deixou mais de 220 mil mortos. Um dos grandes motivos do conflito é o Estado Islâmico, que tem o controle de várias regiões do país (saiba mais sobre isso aqui). Outros refugiados vêm de países como Afeganistão, Iraque, Líbia, Eritreia e Somália, e fogem de horrores causados pela pobreza extrema da população – tão extrema que a perigosa viagem de barco pelo Mediterrâneo parece ser a única solução.

Tráfico milionário

Essa viagem pelo mar ocorre na clandestinidade. Para piorar, o tráfico de pessoas virou um negócio milionário, o que institucionalizou e fez crescer o número de refugiados. A viagem pode custar cerca de R$ 10 mil por pessoa, e uma única embarcação pode render até R$ 3 milhões. Além de ilegal, esse transporte é extremamente perigoso. Muitas embarcações, se não afundam e matam centenas de pessoas, são mandadas de volta para o país de origem, dobrando os riscos.

Tema polêmico

O tema não é unânime na Europa. De um lado, partidos de extrema direita propõem ampliar o combate à migração com o argumento de que esse povoamento agrava a crise econômica. Do outro, há uma discussão sobre o destino dos refugiados, que saem de um lugar onde a situação de vida é precária e buscam uma oportunidade para sobreviver. No meio disso, muitos líderes europeus vêm se reunindo para discutir formas de impedir o fluxo migratório, atuando na ajuda aos países de origem dos refugiados.

Imigrantes ou refugiados?

Uma discussão interessante de acompanhar na crise no Mediterrâneo é se essas pessoas que chegam de outros países são imigrantes ou refugiados. Para especialistas no caso, um imigrante é aquele que decide, em circunstâncias estáveis, se mudar de um país para outro. No caso dos africanos e asiáticos que estão chegando à Europa, há uma fuga das condições de miséria e da guerra civil.

O termo refugiado certamente retrata melhor o desastre regional, mas a opção por usar imigrante muitas vezes é política. Líderes da Europa usam esse termo para ignorar a discussão sobre a crise social vivida nos outros países, e se concentram no fato de que essas pessoas estariam supostamente ameaçando a qualidade de vida da Europa.

E você, o que pensa sobre a crise no Mediterrâneo?


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