A China dos anos 2010

A última década foi de reviravoltas para a China. O país asiático vem cumprindo um papel de protagonismo no crescimento das economias de todo o mundo, sendo o principal parceiro comercial em todos os continentes. Nos últimos anos, no entanto, uma desaceleração na produção vem causando temor nas bolsas de valores e em governos mundo afora.

Neste texto, mais do que explicar a crise que a China vive em 2015, queremos que você entenda todo o contexto por trás da segunda maior economia do mundo. Vamos lá!

China, um país que só sabe crescer

A China é conhecida pelos altos índices de crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB). Em 2010, por exemplo, chegou a incríveis 12% de alta no ano. Para você ter uma ideia, os Estados Unidos, que são a economia que mais produz no mundo, têm uma taxa média de crescimento que dificilmente ultrapassa os 3%. Com o tempo, o país asiático vem tendo um peso cada vez maior na economia mundial, e hoje é o maior exportador de produtos manufaturados.

Para você ter uma ideia de crescimento, o gráfico abaixo mostra a curva nos últimos anos, e como ela é mais acentuada que a dos Estados Unidos, que tem o maior PIB do planeta:

A exportação foi a chave

A grande capacidade de exportação, aliás, é quem puxa o crescimento. Todos compram tudo da China. Você deve se perguntar: por que da China e não do Brasil?

Bom, há vários motivos, mas o mais forte é que durante muitos anos a mão de obra chinesa foi extremamente barata. Nas décadas de 80 e 90, quando a globalização econômica se consolidou, muitas indústrias do mundo todo passaram a produzir seus produtos na China, porque o baixo custo dos salários compensava o gasto com o seu transportes pelo mundo.

O que mudou?

Ao longo dos últimos anos, o país vem experimentando uma queda no seu crescimento, que hoje é de 7% ao ano. Imagino que você esteja se perguntando: mas como um país pode ir mal se ele ainda cresce 7% ao ano? Bom, isso tem a ver com a forte influência que o país exerce sobre as economias de todo o mundo.

Afinal, além de grande vendedor de produtos, a China é um grande comprador. Assim, seu crescimento é responsável pelo crescimento de outros países, e qualquer alteração pode disparar uma reação em cadeia.

Como é a relação da China com o Brasil?

O Brasil, por exemplo, vende soja e minério de ferro para a China. E não vende pouco, não. De toda a produção brasileira exportada desses produtos, 80% vai parar em terras chinesas.

E um esfriamento na economia pode representar uma queda das vendas no Brasil, que pode significar uma situação ainda mais complicada do que a que estamos vivendo em 2015.

E o que aconteceu este ano na China?

Com esse cenário de desaquecimento, em agosto o governo chinês anunciou a desvalorização do iuan, a moeda do país. Foi uma tentativa de estimular as exportações, que sempre foram o carro chefe da economia do país. Com uma moeda mais baixa, mais países vão se interessar por produtos chineses, o que pode evitar uma queda no crescimento.

Para o Brasil, isso vira outro problema, uma vez que a desvalorização vai tornar o nosso minério e a nossa soja ainda mais caros.

Mas a China é um país tão rico assim?

Além desse contexto todo, é preciso que você entenda que, apesar desse crescimento alto do PIB nos últimos anos, a China não é um país rico. Com uma população de mais de 1,3 bilhão de pessoas, sua renda per capita é baixíssima. No ranking das Nações Unidas, o país ocupa a 92ª posição.

Oi? Renda per capita?

A renda per capita é a divisão do PIB pela população de um país, e serve para se ter uma ideia de quanto dinheiro cada pessoa receberia caso a riqueza fosse dividida com todos os cidadãos. Como o país é enorme, ao dividir a produção com a população, cada chinês ficaria com US$ 9 mil.

O número é muito inferior aos US$ 54 mil dos Estados Unidos ou aos US$ 97 mil da Noruega, um dos países mais ricos do mundo. Confira a distância no gráfico:

Viu como não é difícil se inteirar das coisas do mundo e ficar por dentro da atualidade? Se você gostou, fique ligado nos nossos próximos textos ou acesse os que já publicamos aqui.


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