8 temas de redação para ficar ligado

A maioria das provas escolhe a dissertação como gênero de texto, o que vai exigir do aluno um certo poder de argumentação. Além de ter argumentos, o estudante precisa saber conectar as ideias, o que no conjunto da obra dá uma boa noção ao avaliador sobre a capacidade de expressão do/a futuro/a universitário/a.

Listamos aqui 8 temas de redação que, a partir de tópicos em evidência na contemporaneidade, podem cair no Enem e nas provas. São assuntos para você acompanhar nos jornais, nos temas das aulas, além de procurar refletir sobre como argumentar. Uma dica é tentar ver “prós e contras” de cada visão. Outra sugestão é pensar em causas e consequências. Confira a lista dos temas, que são desenvolvidos na sequência:

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1) Notícias falsas e o senso crítico

2) Direitos trabalhistas em perigo?

3) Velhos contemporâneos e clássicos

4) Reforma do Ensino Médio

5) O mundo offline

6) Presídios e direitos humanos

7) Piada x humilhação

8) Visões econômicas

Confira abaixo a aula da professora de redação Luísa Canella sobre os tipos de textos e já comece a exercitar com um dos temas a seguir! Lembre-se de que quem assina nosso Plano Anual pode mandar uma redação por mês para correção!

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1) Notícias falsas e o senso crítico

As notícias falsas, também chamadas em inglês de fake news, têm ganhado proeminência em tempos de redes sociais. Provenientes de sites de humor, como O Bairrista e O Sensacionalista, ou de origem em páginas propositalmente mentirosas, essas notícias se espalham rapidamente e, via de regra, poucos se preocupam em checar sua veracidade.

O problema é que as pessoas formam opiniões baseadas em informações incorretas, e acabam pautando certas ações em função desses dados inventados ou equivocados — daí alguns dizerem que “a internet nos deixa mais burros“. O tema de redação pode explorar a questão do senso crítico, do exercício de ler e entender e conectar várias informações para a formação da opinião.

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Pode também apostar em um debate entre a competência da transmissão de informações, ligando as fake news à democratização da comunicação, já que hoje qualquer pessoa pode divulgar informações para um grande número de pessoas — há 30 anos, eram essencialmente os meios de comunicação de massa que detinham esse poder.

Outro ângulo, ainda, pode ser o da manipulação de massas em momentos de grande agitação política e econômica, por exemplo. Imagine dizer para alguém que perdeu suas economias em 1992 quando Collor bloqueou as poupanças (não sabe o que foi isso? Então assista à esta aula) que o governo atual pretende fazer o mesmo: ainda que seja mentira, pode ter certeza que o pânico vai aparecer nos olhos de quem ouvir.

2) Direitos trabalhistas em perigo?

Aqui as possibilidades de abordagem são muito vastas, justamente porque há muitos projetos no Congresso que ganharam as páginas dos jornais no último ano e que buscam alterar um ou outro dos chamados direitos trabalhistas. Hoje, o termo é mais livremente associado à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), de 1943, período do Estado Novo da Era Vargas (ei, tem mais uma aula aqui sobre o assunto!). Férias remuneradas, 13° salário, FGTS, INSS, aposentadoria, todos são termos que parecem rodear o assunto.

Por isso, acreditamos que vale você ter bem firme na cabeça o conceito de cada uma dessas coisas, para conseguir avançar nas ideias independente do que aparecer. Dá para adiantar que a reforma da previdência, ou seja, mudanças na aposentadoria, tende a ser uma forte candidata. Fique atento à história do benefício, ao contexto em que ele foi criado, semelhanças e diferenças com o momento atual, e especialmente as perspectivas dos especialistas de correntes politico-econômicas diferentes sobre o tema. Temos vários argumentos sobre isso nesse texto.

aposentadoria, previdência, velhos, idosos,

 

3) Velhos contemporâneos e clássicos

A discussão acerca da aposentadoria pode trazer à tona outro tema ainda pouco discutido em meios de massa no Brasil, que é o cuidado com os mais velhos. Diferente da antiguidade clássica, em que os mais velhos eram os sábios, os anciãos, respeitados pelo conhecimento acumulado nos anos a mais que tinham de vida, tendemos hoje a ver a terceira idade como aquela em que as pessoas são “um fardo”, inúteis, incapazes.

Outros estereótipos apresentam essa parcela da população como fonte de gastos, além de economicamente inativa, como necessitada de constantes cuidados médicos, até mesmo como culpada pela superlotação do sistema público de saúde. Essas visões colocam em choque uma série de ideias a respeito do que faz a humanidade da pessoa, quem merece cuidados, bens materiais, afetivos, direitos.

De acordo com dados do IBGE de 2016, 17% da população recebe aposentadoria. Por isso, o tema pode aparecer com força. É uma parcela de brasileiros acaba marginalizada em uma sociedade que, ao mesmo tempo, louva o crescimento da expectativa de 52,3 anos em 1960 para 73,4 anos em 2010. O que fazemos pelos nossos velhos? E o que a geração hoje adulta ensina para a mais nova sobre um futuro que tende a ter pessoas vivendo cada vez mais anos? O que os mais novos esperam que seja feito deles quando passaram da marca dos 60? De novo, você deve ter algumas cartas na manga para conseguir levar o tema para o lado que lhe for mais confortável, seja direitos humanos, aspecto econômico, educacional, de saúde, etc.

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4) Reforma do Ensino Médio

Mais uma vez, o aspecto histórico pode ser um viés para a argumentação. Vale lembrar que a escola começou restrita aos membros da igreja e da nobreza, lá na Europa, e que só a partir do humanismo renascentista foi estendida ao total da população. No Brasil, as universidades começaram para os filhos de nobres, e que apenas em 1946 a lei passou a obrigar o Estado a oferecer a educação (primária) gratuitamente. O financiamento estudantil do governo para universitários tem pouco mais de 15 anos de vida.

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Outro caminho possível é pensar no que a educação traz para a vida do aluno e para o desenvolvimento da nação, e de que maneiras alterar o conteúdo curricular pode impactar dos dois lados. Aqui tratamos mais detalhadamente sobre o tema.

5) O mundo offline

OFFline?, você pode se perguntar ao ler o título. É claro que o mundo conectado, ONline, é um tema possível (e bem possível!), mas o Enem e os vestibulares têm mostrado uma tendência de abordar o outro lado de certas questões, problematizando tópicos em que haja uma certa visão comum. Muito se fala sobre o que a conectividade trouxe de mudanças nas últimas décadas, mas ainda há muito menos debate acerca daqueles que não têm acesso à internet.

Dependendo da sua condição de vida, talvez a ideia de chegar em casa e não ter WiFi seja meio estranha, mas no Brasil apenas 26,7 milhões de pessoas se conecta via rede doméstica, segundo dados de janeiro de 2017 da Anatel. Uma pesquisa de 2017 encomendada pelo Facebook indica, porém, que 70,5 milhões de brasileiros sequer têm qualquer acesso à internet. Isso mesmo: nem WiFi, nem 3G/4G. Na África, os dados são ainda mais gritantes: 75% da população local não se conecta à nossa querida rede mundial de computadores.

Um tema de redação pode enveredar pelo lado econômico, juntando mundo offline com a situação de pobreza ou de abismos sociais nesses países. Outro caminho possível é o do desenvolvimento tecnológico, uma vez que quanto menos se sabe o que os outros estão fazendo, mais difícil fica conseguir evoluir sozinho. A educação também entra nessa dança — você mesmo, agora, está estudando com a internet. Busque pensar em causas e consequências desse mundo offline, e fique ligados nos números que aparecem na mídia sobre o tema.

6) Presídios e direitos humanos

Se você é da opinião de que bandido bom é bandido morto, pare um segundo e respire antes de continuar a ler. Em 2016, o Enem trouxe a intolerância religiosa como tema; em 2015, a violência contra a mulher. Não é preciso que se diga, então, que temas polêmicos estão em alta, especialmente temas que têm os direitos humanos como pano de fundo. Intolerância, violência, preconceito, extremismo costumam andar muito próximos. E vale lembrar que o edital da prova alerta que apologia a violência, por exemplo, é eliminatória. Ou seja, você poderia argumentar em favor da pena de morte — onde “pena” pressupõe julgamento e condenação –, mas não dizer algo como “tem que fuzilar todo mundo”. Fascistas fuzilavam, governos ditatoriais fuzilam. Você é um/a aspirante a universitário/a, com o direito constitucional de livre expressão, mas que deve indicar também respeito às diversidades que vai encontrar no ambiente das universidades. Por isso o tema dos presídios pode ser bem escorregadio nesse aspecto dos direitos humanos (DH).

O truque aqui é lembrar que DH significa que há um dignidade mínima a que todo ser humano tem direito, seja ele bandido, prisioneiro, inimigo, aliado, mulher, criança. A tortura, por exemplo, é proibida, assim como a escravidão. Então fique ligado para não armar uma armadilha para si mesmo.

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Outra abordagem do tema pode ser econômica, uma vez que presídios públicos geram custos ao Estado, mas presídios terceirizados também. A questão é saber qual custo compensa mais, em que aspecto, por que motivo. É aí que você vai defender a sua opinião. Por último, é claro, o tema pode aparecer sob a ótica da segurança pública, em que causas e consequências da superlotação permitem que você direcione o texto para o caminho em que tiver mais o que dizer: falta de acesso a educação/bens de consumo/infraestrutura básica, reincidência devido à falta de oportunidades quando a pena acaba, lentidão do sistema judicial, fugas, baixa valorização dos funcionários do sistema carcerário, a lista é enorme. O recomendado é que você tenha alguma leitura sobre o tema e possa jogar o texto, dentro do tema, para usar as informações que você tem disponíveis.

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7) Piada x humilhação

Outro tema que tem muitos caminhos para seguir, e que pode aparecer a partir de muitas notícias, até mais velhas. Piada de loira, de português, de japonês, de mulher… só porque alguém diz que é “piada” não significa que seja livre. Hoje, já se vê e ouve muito menos piadas de negros, porque as pessoas (e as audiências) já conseguem identificar que a “graça” delas está em diminuir, em humilhar uma pessoa/personagem por ser negra. Ou seja, não é uma piada, é um ato de racismo, e racismo é crime. Em 2016, muitos comediantes pisaram na bola com “piadas” que tinham como mote o seio exposto de mulheres amamentando. Mas que “graça” há em um ato não só natural como recomendado por qualquer médico?

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O humor tem buscado novos caminhos, mas ainda se baseia majoritariamente em rir de alguma característica de um ser, pendendo para a humilhação. Daí a relevância que um tema como a graça poderia ter para a redação, levando o estudante a refletir sobre estereótipos, diversidades, bullying, formação de opinião, autocrítica. A ascensão, nos últimos anos, de programas de comédias, especialmente em sites de vídeos como o YouTube, em que qualquer pode fazer graça virtualmente de qualquer um e de qualquer fato, tem levantado também o debate sobre o que se pode ou não fazer em termos de humor. Aliás, vale notar que muitos canais buscam a graça, inclusive, no preconceito contido em piadas mais “tradicionais”. Ainda no ambiente virtual, você pode debater o uso do humor em ações de marketing em redes sociais, que têm usado uma linguagem descontraída e muitas vezes feito humor em posts que acabam “saindo pela culatra” e gerando repercussão negativa devido à humilhação (talvez inadvertida) de uma parcela de pessoas.

8) Visões econômicas

O mais amplo de todos os citados aqui, esse tema acaba, também, permeando a maioria dos tópicos anteriores. Em um contexto de crise econômica, e no ano em que a Revolução Russa completa 100 anos — aliás, a primeira greve geral no Brasil também –, os embates entre diferentes ideologias político-econômicas é um fortíssimo candidato a tema. O professor Manoel dos Santos explica tudinho nessa videoaula sobre a Revolução Russa:

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É difícil escolher um único aspecto para estudar a fundo, dado o espectro de possibilidades, por isso a dica é começar tendo na ponta da língua quem são os famosos comunismo, socialismo e capitalismo. Ter nomes de autores como Marx, Engels, Adam Smith, Hobbes na cabeça também ajuda para indicar ao avaliador que seu texto não é só um post de rede social baseado em “eu acho que”.

Note que o que se chama de direita e esquerda na política tem forte associação com essa visão sobre a participação política e financeira do Estado na vida das pessoas. Tente lembrar como essas visões eram atacadas por ambos os lados na campanha eleitoral, e como ainda o são em declarações de políticos de ambos os lados do espectro ideológico. Um macete: sempre que você pensar “quem paga a conta” ou “quem decide isso”, uma dessas ideologias vai estar lá no fundo. “O SUS é uma porcaria” significa que a saúde é ruim, mas também indica que o Estado paga pelo auxílio médico àqueles que não tem dinheiro para pagar por si mesmos. “Os impostos são muito altos” significa que se dá muito dinheiro ao governo, mas também deixa implícito que a função que esse dinheiro deveria ter não é satisfatória.

Como você já deve saber, nenhuma visão é necessariamente certa ou errada, por isso seja qual for o seu alinhamento ele é perfeitamente válido. Note, por outro lado, que seu posicionamento precisa ser coerente, por isso a importância de saber o que cada teoria diz. Não vale, por exemplo, defender a privatização, mas reclamar que o serviço está caro, já que o capital privado visa o lucro (ainda que haja regulamentação estatal). Também não vale dizer que um serviço deveria ser público, mas reclamar que o imposto cresceu, já que o dinheiro “público” vem em grande parte da receita de impostos.

 

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