3 questões sobre o desastre ambiental em Mariana

O ano de 2015 ficou marcado como um dos mais trágicos na história da ecologia do Brasil. No começo de novembro, duas barragens com dejetos decorrentes da mineração de ferro localizadas na cidade mineira de Mariana se romperam e causaram um desastre ambiental sem precedentes.

A empresa Samarco, controlada pela Vale e responsável pela estrutura, sofreu uma multa milionária, mas muitas consequências do impacto serão irreversíveis.

 

A intensidade do desastre foi tamanha que, com a quantidade de lama derramada, seria possível encher 24 mil piscinas olímpicas. Isso equivale a 60 bilhões de litros em dejetos de ferro. O estrago se espalhou por mais de 500 quilômetros pela bacia do rio Doce, a quinta maior bacia hidrográfica do Brasil.

O assunto é extremamente relevante e, com o desastre de Brumadinho, tem chances de voltar a cair no seu vestibular. Levantamos três formas que o assunto pode aparecer em provas de Geografia e Biologia.

1) Bacias hidrográficas

De acordo com ecologistas e gestores ambientais, os prejuízos ambientais levarão séculos para serem revertidos. Apesar de ter uma área muito menor que as bacias Amazônica e do rio do Prata, que estão entre as maiores do mundo, a região do rio Doce ocupa boa parte dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais e banha uma variada gama de biomas.

Como cerca de 13% da água doce do mundo está no Brasil, o desastre despertou a atenção do mundo. Conforme já explicamos neste resumo sobre bacias hidrográficas, um desastre em um rio tende a contaminar todos os afluentes. Os rios de uma mesma bacia se ligam em uma forma de redes hidrográficas, e os sedimentos de uma região acabam sendo levados para toda a área que a bacia banha.

Questões que relacionem os conceitos de bacias hidrográficas com o desastre podem cair na prova de Geografia, por isso é importante relembrar os seguintes pontos:

  1. A principal fonte de alimentação das bacias no Brasil é a água da chuva.
  2. Os períodos de cheia costumam ocorrer no verão; os de vazante, no inverno.
  3. O conceito de rio perene, que nunca seca, e exorreico, que desagua no oceano.
  4. O fato de que boa parte dos rios brasileiros é planáltica, com diversas corredeiras e quedas d’água. Isso garantiu ao Brasil um grande potencial de produção energética.

2) Processos geomorfológicos

Esta matéria da Folha de São Paulo mostrou que o derramamento de lama criou uma superfície com um material sem firmeza e completamente infértil. Após secar (o que pode levar dezenas de anos), as áreas vão virar um deserto de lama. As regiões vão passar por um processo geomorfológico até a formação de um novo solo.

A geomorfologia, que estuda as formas de relevo terrestre, trata justamente da atuação de agentes formadores e agentes modeladores. Entre os agentes formadores, há fenômenos como o movimento das placas tectônicas e os vulcões. Entre os agentes externos, também conhecidos como modeladores, há o intemperismo, a erosão e a ação humana, que é o caso do desastre em Minas Gerais.

 3) Ecologia

O desastre é também um prato cheio para as questões de ecologia nas provas de Biologia. A ação da lama interrompe ciclos biológicos em zonas aquáticas: a entrada de luz solar e a oxigenação são prejudicadas, alterando o pH e matando peixes e animais. A perda da diversidade pode, em todas as regiões que a bacia do rio Doce banha, reduzir drasticamente a biodiversidade e demorar décadas para ser restabelecida.


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