14 exercícios para as leituras obrigatórias da Fuvest

A Fuvest, um dos vestibulares mais concorridos do Brasil, já tem a lista de leituras obrigatórias para os vestibulares de 2017, 2018 e 2019. Neste texto publicamos todas as listas com os respectivos resumos para você estudar.

Para você que se prepara para o vestibular de 2017, montamos um resumo rápido de cada um dos livros e separamos algumas questões para você avaliar o seu conhecimento sobre as obras. Os gabaritos estão ao final do texto.


Os 10 livros que todo vestibulando deve ler


Iracema (José de Alencar)

SinopseIracema era uma jovem e bela índia de cabelos negros e lábios de mel, filha de Araquém, um índio dotado de sabedoria e liderança, pajé da tribo dos tabajaras. Certo dia, enquanto se banhava em um rio, percebeu que estava sendo observada por um estrangeiro que havia se perdido de seu amigo enquanto caçavam, a quem a índia atacou com uma flecha. A expressão do estrangeiro, chamado Martim, foi tal que Iracema percebeu a mágoa que lhe tinha causado, e os dois acabaram se perdoando e seguindo para a tribo da índia, onde Martim se hospedou. Os dois jovens logo se apaixonaram, mas o amor entre eles era proibido, já que Iracema era a “virgem de Tupã”.

Leia o resumo completo de Iracema

 

Questões sobre Iracema:

1) (Fatec 2012 – 2º Semestre) Iracema, obra de José de Alencar, configura-se como um mito que dialoga intertextualmente com histórias mais recentes do cinema, tais como Pocahontas e AvatarAssinale a alternativa em que esse mito está corretamente descrito.

a) Fazendeiros e nativos da floresta enfrentam-se pela posse de escravos.
b) Uma selvagem apaixona-se por um estrangeiro, implcando divergências culturais.
c) Um casal apaixonado é separado pelos genitores devdo às diferenças sociais.
d) A condição física rejeitada e o caráter introvertido fazem nascer um monstro assassino.
e) Devido à guarda de um segredo inominável, uma mulher torna-se uma líder respeitada.

 

2) (UEL) Examine as proposições a seguir e assinale a alternativa INCORRETA.

a) A relevância da obra de José de Alencar no contexto romântico decorre, em grande parte, da idealização dos elementos considerados como genuinamente brasileiros, notadamente a natureza e o índio. Essa atitude impulsionou o nacionalismo nascente, por ser uma forma de reação política, social e literária contra Portugal.
b) Ao lado de O guarani e Ubirajara, Iracema representa um mito de fundação do Brasil. Nessas obras, a descrição da natureza brasileira possui inúmeras funções, com destaque para a “cor local”, isto é, o elemento particular que o escritor imprimia à literatura, acreditando contribuir para a sua nacionalização.
c) Embora tendo sido escrito no período romântico, Iracema apresenta traços da ficção naturalista tanto na criação das personagens quanto na tematização dos problemas do país.
d) A leitura de Iracema revela a importância do índio na literatura romântica. Entretanto, sabe-se que a presença do índio não se restringiu a esse contexto literário, tendo desembocado inclusive no Modernismo, por intermédio de escritores como Mário de Andrade e Oswald de Andrade.
e) O contraponto poético da prosa indianista de Alencar é constituído pela lírica de Gonçalves Dias. Indiscutivelmente, em “O canto do guerreiro” e em “O canto do piaga”, dentre outros poemas, o índio é apresentado de maneira idealizada, numa perpetuação da imagem heróica e sublime adequada aos ideais românticos.

 


Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis;

SinopsePublicada em 1881, a primeira obra realista de Machado de Assis conta a história de Brás Cubas, um filho abastado da sociedade carioca do século XIX. Constitui um grande romance, de leitura difícil, mas profundamente enriquecedora. A narração é feita em primeira pessoa pelo próprio protagonista, que, após sua morte, resolve escrever suas memórias, desrespeitando a ordem temporal linear – a morte, por exemplo, é contada antes mesmo do nascimento e dos fatos da vida –, o que represente uma novidade para os leitores da época. Essa distorção, segundo Brás Cubas, tornaria sua narrativa mais interessante e “galante” – trata-se, portanto, de mais um capricho do protagonista, entre tantos outros da elite brasileira daquela época.

Leia o resumo completo de Memórias Póstumas de Brás Cubas

 

Questões sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas:

3) (Fuvest 2014) CAPÍTULO LXXI

O senão do livro

Começo o arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…

E caem! – Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar… Heis de cair.

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Na primeiras versões das Memórias póstumas de Brás Cubas, constava, no final do capítulo LXXI, aqui reprduzido, o seguinte trecho, posteriormente suprimido pelo autor:

[… Heis de cair.] Turvo é o ar que respirais, amadas folhas. O sol que vos alumia, com ser de toda a gente, é um sol opaco e reles, de ……………….. e ……………….. .

As duas palavras que aparecem no final desse trecho, no lugar dos espaços pontilhados, podem servir para qualificar, de modo figurado, a mescla de tonalidade estilísticas que caracteriza o capítulo e o próprio livro. Preenchem de modo mais adequado as lacunas as palavras

a) acaso e invernia
b) Finados e ritual
c) senzala e cabaré
d) cemitério e carnaval
e) eclipse e cerração

 

4) (Fuvest, 2014) Em quatro das alternativas abaixo, registram-se alguns dos aspectos que, para bem caracterizar o gênero e o estilo das Memórias póstumas de Brás Cubas, o crítico J. G. Merquior pôs em relevo nessa obra de Machado de Assis. A única alternativa que, invertendo, aliás, o juízo do mencionado crítico, aponta uma característica que NÃO se aplica à obra em questão é:

a) ausência praticamente completa de distanciamento enobrecedor na figuração das personagens e de suas ações.
b) mistura do sério e do cômico, de que resulta uma abordagem humorística das questões mais cruciais.
c) ampla liberdade do texto em relação aos ditames da verossimilhança.
d) emprego de uma linguagem que evita chamar a atenção sobre si mesma, apagando-se, assim, por detrás da coisa narrada.
uso frequente de gêneros intercalados – por exemplo, cartas ou bilhetes, historietas etc. – embutidos no conjunto da obra global.

 


O cortiço – Aluísio Azevedo

SinopseO Cortiço é a expressão máxima do Naturalismo brasileiro. A obra relata a história de João Romão, um português branco e ambicioso que, após juntar algum dinheiro a poder de penosos sacrifícios, compra um pequeno estabelecimento comercial no subúrbio do Rio de Janeiro. Ao lado de seu negócio morava Bertoleza, uma escrava fugitiva e trabalhadeira que já havia guardado algumas economias com o trabalho na quitanda. Os dois, então, amasiam-se e a escrava passa a trabalhar como burro de carga para o português.

Leia o resumo completo de O Cortiço

 

Questões sobre O cortiço:

5) (Fuvest, 2012) Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati “pra cortar a friagem”.

Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: faziase contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso, resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros.

E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. (…)

E o curioso é que, quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens toucam de alvos turbantes de cambraia, num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos

Aluísio Azevedo, O cortiço.

Destes comentários sobre os trechos sublinhados (negritados), o único que está correto é:

a) “tragava dois dedos de parati” (L. 3): expressão típica da variedade linguística predominante no discurso do narrador.
b) “‘pra cortar a friagem’” (L. 3 e 4): essa expressão está entre aspas, no texto, para indicar que se trata do uso do discurso indireto livre.
c) “patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos” (L. 10 e 11): assume o sentido de “registravam oficialmente”.
d) “posto que em detrimento das suas forças físicas” (L. 26 e 27): equivale, quanto ao sentido, a “desde que em favor”.
e) “tornava-se (…) imprevidente” (L. 13 e 14) e “resignando-se (…) às imposições do sol” (L. 16 e 17): trata-se do mesmo prefixo, apresentando, portanto, idêntico sentido.

 

6) (Fuvest, 2012)

“Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati “pra cortar a friagem”.

Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: faziase contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso, resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros.

E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. (…)

E o curioso é que, quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens toucam de alvos turbantes de cambraia, num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos”

Aluísio Azevedo, O cortiço.

No trecho “dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante”, o narrador tem como referência

a) a Chapada dos Guimarães, anteriormente coberta por vegetação de cerrado.
b) os desfiladeiros de Itaimbezinho, outrora revestidos por exuberante floresta tropical.|
c) a Chapada Diamantina, então coberta por florestas de araucárias.
d) a Serra do Mar, que abrigava originalmente a densa Mata Atlântica.
e) a Serra da Borborema, caracterizada, no passado, pela vegetação da caatinga.

 


A cidade e as serras – Eça de Queirós;

Sinopse: Publicado em 1901, um ano depois da morte de Eça de Queirós, o romance A Cidade e as Serrassurgiu a partir do conto Civilização, de 1892. É considerado parte de uma trilogia junto com as obras A Ilustre Casa de Ramires e A Correspondência de Fradique Mendes, que têm em comum a crítica ao ambiente social e urbano de Portugal. Nesse romance, Eça de Queirós ironiza os males da civilização e elogia os valores da natureza.

Leia o resumo completo de A Cidade e as Serras

 

Questões sobre A cidade e as serras:

7) (Fuvest, 2014) Com base na leitura da obra A cidade e as serras, de Eça de Queirós, publicada originalmente em 1901, é correto concluir que, nela, encontra-se

a) o prenúncio de uma consciência ecológica que iria eclodir com força somente em finais do século XX, mas que, nessa obra, já mostrava um sentido visinário, inspirado pela invenção dos motores a vapor.
b) uma concepção de hierarquia civilizacional entre as regiões do mundo, na qual, a Europa representaria a modernidade e um modelo a seguir, e a América, o atraso e um modelo a ser evitado.
c) a construção de uma associação entre indivíduo e divindade, já que, no livro, a natureza é, fundamentamente, símbolo de uma condição interior a ser alcançada por meio da resignação e penitência.
d) a manifestação de um clima de forte otimismo, decorrente do fim do ciclo bélico mundial do século XIX, que trouxe à tona um anseio de modernização de sociedades em vários continentes.
e) uma valorização do meio rural e de modos de vida a ele associados, nostalgia típica de um momento da história marcado pela consolidação da industrialização e da concentração da maior parte da população em áreas urbanas.

 

8) (Fuvest, 2012) Tendo em vista o conjunto de proposições e teses desenvolvidas em A cidade e as serras, pode-se concluir que é coerente com o universo ideológico dessa obra o que se afirma em:

a) A personalidade não se desenvolve pelo simples acúmulo passivo de experiências, desprovido de empenho radical, nem, tampouco, pela simples erudição ou pelo privilégio.
b) A atividade intelectual do indivíduo deve-se fazer acompanhar do labor produtivo do trabalho braçal, sem o que o homem se infelicita e desviriliza.
c) O sentimento de integração a um mundo finalmente reconciliado, o sujeito só o alcança pela experiência avassaladora da paixão amorosa, vivida como devoção irracional e absoluta a outro ser.
d) Elites nacionais autênticas são as que adotam, como norma de sua própria conduta, os usos e costumes do país profundo, constituído pelas populações pobres e distantes dos centros urbanos.
e) Uma vida adulta equilibrada e bem desenvolvida em todos os seus aspectos implica a participação do indivíduo na política partidária, nas atividades religiosas e na produção literária.

 


Capitães de Areia – Jorge Amado

Sinopse: Capitães de Areia era o nome dado a um grupo de meninos marginalizados que viviam do furto na “cidade alta”, em Salvador. Atrevidos, malandros, espertos, moravam todos escondidos em um trapiche (armazém abandonado) sujo e infestado de ratos, que no passado fora um local movimentado. Nunca ninguém havia mencionado na literatura esse grupo de arruaceiros que engenhosamente desafiava as autoridades, roubando da classe privilegiada e dividindo o produto do crime entre seus camaradas subnutridos.

Leia o resumo completo de Capitães de Areia

 

Questões sobre o livro Capitães de Areia:

9) (ITA) Sobre o romance “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, é INCORRETO afirmar que:
a) se trata de um livro cuja personagem central é coletiva, um grupo de meninos de rua, e isso o aproxima de “O cortiço”, de Aluísio Azevedo.
b) as principais personagens masculinas são Pedro Bala, Sem Pernas, Volta Seca, Pirulito e Professor, e a figura feminina central é Dora.
c) há uma certa herança naturalista, visível na precoce e promíscua vida sexual dos adolescentes.
d) os vestígios românticos aparecem em algumas cenas de jogos e brincadeiras infantis e na caracterização de Dora.
e) todos os meninos acabam encontrando um bom rumo na vida, apesar das dificuldades.

 

10) (UFPE) “Irmão … é uma palavra boa e amiga. Se acostumaram a chamá-la de irmã. Ela também os trata de mano, de irmão. Para os menores é como uma mãezinha. Cuida deles. Para os mais velhos é como uma irmã que brinca inocentemente com eles e com eles passa os perigos da vida aventurosa que levam.

Mas nenhum sabe que para Pedro Bala, ela é a noiva. Nem mesmo o Professor sabe. E dentro do seu coração Professor também a chama de noiva.”

(Jorge Amado: “Capitães da Areia”).

Considerando a obra e o autor do texto, assinale a alternativa INCORRETA.

a) O autor faz parte do romance regional de 30, quando se aprofundaram as radicalizações políticas na realidade brasileira.
b) Jorge Amado representa a Bahia, “descobrindo” mazelas, violências e identificando grupos marginalizados e revolucionários em “Capitães da Areia”.
c) Dora, Pedro Bala e Professor são alguns dos personagens da narrativa, que aborda a dramática vida dos camponeses das fazendas de cacau no sul da Bahia.
d) O tom da narrativa aproxima-se do Naturalismo, alternando trechos de lirismo e crueza. O nível de linguagem é coloquial e popular.
e) “Capitães da Areia ” pertence à primeira fase da produção de Jorge Amado, quando era notório seu engajamento com a política de esquerda. Daí o esquematismo psicológico: o mundo dividido em heróis (o povo) e bandidos (a burguesia).

 


Vidas secas – Graciliano Ramos

Escrita por Graciliano Ramos, Vidas Secas aborda o drama do retirante diante da seca implacável do sertão nordestino, transmitindo ao leitor a ideia de que o homem se animalizou diante das condições sub-humanas de sobrevivência. A narrativa tem como protagonistas Fabiano e sua família: Sinhá Vitória, sua esposa; o menino mais novo e o menino mais velho, seus filhos (o autor não lhes dá nome para evidenciar a vida sem sentido e sem sonhos do retirante); e a cadela Baleia. O Soldado Amarelo e Seu Tomás da Bolandeira completam o rol de personagens principais, ambos representantes da sociedade local.

Leia o resumo completo de Vidas Secas

 

11) (UFLA) Sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, todas as alternativas estão corretas, EXCETO:

a) O romance focaliza uma família de retirantes, que vive numa espécie de mudez introspectiva, em precárias condições físicas e num degradante estado de condição humana.
b) O relato dos fatos e a análise psicológica dos personagens articulam-se com grande coesão ao longo da obra, colocando o narrador como decifrador dos comportamentos animalescos dos personagens.
c) O ambiente seco e retorcido da caatinga é como um personagem presente em todos os momentos, agindo de forma contínua sobre os seres vivos.
d) A narrativa faz-se em capítulos curtos, quase totalmente independentes e sem ligação cronológica e o narrador é incisivo, direto, coerente com a realidade que fixou.
e) O narrador preocupa-se exclusivamente com a tragédia natural (a seca) e a descrição do espaço não é minuciosa; pelo contrário, revela o espírito de síntese do autor.

 

12) (UEL) O texto abaixo apresenta uma passagem do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, em que Fabiano é focalizado em um momento de preocupação com sua situação econômica. Escrito em 1938, esta obra insere-se num momento em que a literatura brasileira centrava seus temas em questões de natureza social.

“Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa. Consumidos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes. Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco.”

(In: RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 55. ed. Rio de Janeiro: Record, 1991.)

Sobre este trecho do romance, somente está INCORRETO o que se afirma na alternativa:

a) Este trecho resume a situação de permanente pobreza de Fabiano e revela-se como uma crítica à economia brasileira e às relações de trabalho que vigoravam no sertão nordestino no momento em que a obra foi criada. Isso pode ser confirmado pelas orações: “… Consumidos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes….”
b) A oração: “Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça” tanto pode ser o discurso do narrador que revela o pensamento de Fabiano, quanto pode ser o próprio pensamento dessa personagem. Esse modo de narrar também ocorre com as demais personagens do romance.
c) A oração: “… Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco” indica a voz do narrador em terceira pessoa, ao mostrar o estado de agonia em que se encontra a personagem.
d) A expressão “Forjara planos”, típica da linguagem culta, é seguida no texto por um provérbio popular: “quem é do chão não se trepa”. Essa mudança de registro lingüístico é reveladora do método narrativo de Vidas secas, que subordina a voz das classes populares à da elite.
e) O texto tem início com a esperança de Fabiano de mudanças em sua situação econômica; a seguir, passa a focalizar a realidade de pobreza em que a personagem se encontra, e finaliza com sua revolta e angústia diante da condição de empregado, sempre em dívida com o patrão.

 


Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade

Nesta obra integrante da Segunda Fase Modernista (1930-1945), Carlos Drummond de Andrade produz uma poesia de alta elaboração técnica e formal, misturando diferentes tipos de métrica e mesclando a linguagem coloquial com a culta. Nesta e em outras obras Drummond aborda temas como o eu-lírico tímido e desajustado (gauche), a família, a terra natal, o amor e a própria poesia, além de questões políticas e sociais, caminhando da desesperança para uma postura socialista e produzindo a chamada “poesia social”.  Entre suas obras, além de Claro Enigma, podem ser destacadas Alguma poesia,  A rosa do povo, Sentimento do mundo, Boitempo, A paixão medida e O amor natural.

 


 

Sagarana – João Guimarães Rosa

Sinopse: Guimarães Rosa recriou o universo sertanejo dos estados de Minas Gerais e Bahia (paisagens, vaqueiros, fazendeiros, jagunços, boiadas, costumes, crendices, etc.) e, a partir do linguajar do sertanejo, promoveu uma verdadeira “revolução da linguagem”, marcada por regionalismos, neologismos, estrangeirismos e arcaísmos. O escritor adotava como temática o chamado “regionalismo universalista” – regional sob o aspecto espacial (local em que as narrativas se desenrolavam) e universal em relação aos temas abordados (o amor e o ódio, o poder e a ambição, Deus e o Diabo, a vida e a morte). Escreveu contos (Sagarana; Primeiras estórias; Corpo de baile; Tutaméia) e um único romance (Grande sertão: veredas, sua obra-prima).

 

13) (CEFET-PR) Sobre os contos de Sagarana é INCORRETO afirmar:

a) A volta do marido pródigo demonstra, no comportamento do protagonista, o poder criador da palavra, dimensão da linguagem tão apreciada por Guimarães Rosa.
b) Tanto em Corpo fechado quanto em Minha gente o espaço é variado, deslocando-se a ação de um lugar para outro.
c) Em Duelo e Sarapalha figuram personagens femininas cujos traços não aparecem nas mulheres de outros contos.
d) O burrinho pedrês, Conversa de bois e São Marcos trabalham com a mudança de narradores.
e) A hora e a vez de Augusto Matraga não apresenta a inserção de casos ou narrativas secundárias.

 

14) (UPF) Nos contos de Sagarana, Guimarães Rosa resgata, principalmente, o imaginário e a cultura:

a) da elite nacional
b) dos proletários urbanos
c) dos povos indígenas
d) dos malandros de subúrbio
e) da gente rústica do interior

 


 

Mayombe – Pepetela

O livro ainda não caiu em nenhum vesibular relevante do Brasil. Para estudar um pouco mais o livro, recomendamos eeste vídeo da Tatiana Feltrin:

 

Gabarito:

1 – b
2 – c
3 – d
4 – d
5 – b
6 – d
7 – e
8 – a
9 – e
10 – c

11 – e
12 – a
13 – c
14 – e