Material de apoio: Quinhentismo

Durante o século XVI, praticamente inexistia arte literária no Brasil. Nessa época, os textos aqui produzidos tinham caráter basicamente informativo, propagandístico ou catequético, aproximando-se mais da História que da Arte. De qualquer modo, embora pouco significativas do ponto de vista estético, as manifestações escritas produzidas logo após o descobrimento do Brasil já fazem parte de nossa história literária e compõem o período denominado Quinhentismo, do qual fazem parte a Literatura de informação e a Literatura jesuítica.

 

Literatura de informação

Os primeiros textos produzidos no Brasil Colônia não eram obras artísticas propriamente ditas, e sim relatos de viajantes sobre a terra descoberta e seus habitantes. Esses textos expressam o deslumbramento dos portugueses pelo território brasileiro (revelando um sentimento nativista, ufanista) e utilizam uma linguagem típica dos relatórios de viagens, ou seja, objetiva, denotativa e referencial.

O marco inicial deste período é a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita no ano de 1500, da qual se destaca o seguinte trecho, de onde se extrai a primeira impressão que os portugueses tiveram dos indíos brasileiros:

“Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!

Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.”

Além de Pero Vaz de Caminha, podem ser citados como autores desse período Pero Lopes de Sousa (Diário de navegação), Gabriel Soares de Sousa (Tratado descritivo do Brasil) e Ambrósio Fernandes Brandão (Diálogos das grandezas do Brasil).

 

Literatura dos jesuítas

A Literatura dos jesuítas apresenta um teor altamente catequético, uma vez que seu objetivo principal era a catequização dos índios brasileiros, ou seja, sua conversão religiosa ao catolicismo e a preservação da moral e dos costumes brancos. É considerada uma consequência da Contrarreforma, movimento católico de resposta às reformas religiosas ocorridas na Europa, que acarretaram a criação de novas religiões e o consequente enfraquecimento do catolicismo.

Principal figura literária do Quinhentismo, o Padre José de Anchieta produziu diversos textos, entre poemas, peças de teatro e sermões, sempre com caráter didático. Considerado o precursor do teatro no Brasil, em suas peças Anchieta costumava opor os demônios indígenas, que ameaçavam as aldeias, aos santos católicos, que apareciam para salvá-las. Compõem sua obra, entre muitos outros textos, o poema De beata virgine dei mater Maria e a peça de teatro Auto de São Lourenço.

Também merecem destaque o Padre Manuel da Nóbrega, autor do Diálogo sobre a conversão do gentio, e o Padre Fernão Cardim, que escreveu Tratados da Terra e Gente do Brasil.