Material de apoio: Poesia de vanguarda

Após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou por um período conturbado politicamente, marcado pelo suicídio de Getúlio Vargas (1954), a renúncia de Jânio Quadros (1961) e o golpe militar que resultou na implantação da ditadura no país (1964). Nesse contexto surgiu uma nova onda de movimentos vanguardistas ou experimentais, que se destacaram entre as décadas de 50 e 70.

Foi nessa época que surgiram, na música, a Bossa Nova e o Tropicalismo, com destaque para Gilberto Gil e Caetano Veloso. Na literatura, a poesia visual e fonética das vanguardas europeias (cubismo, dadaísmo, futurismo, expressionismo, etc.) foi retomada, formando, nas palavras de Augusto de Campos, “os pressupostos formais da poesia da era tecnológica”.

Devido ao resgate e à radicalização de valores das vanguardas europeias da primeira metade do século XX, os movimentos de cunho experimental surgidos na segunda metade do mesmo século foram chamados de segunda geração vanguardista.

 

Poesia Concreta

Lançada na Exposição Nacional de Arte Concreta, ocorrida em São Paulo em 1956, a poesia concreta teve como seus primeiros representantes Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Representando uma reação à poesia intimista da década de 40, o movimento teve como grande inspiração a economia linguística de Oswald de Andrade, conhecido por seus poemas-pílula.

A característica mais marcante da poesia concreta é a busca pela comunicação visual, e não apenas verbal, ou seja, além do texto, a representação gráfica do poema também possuía um significado. A rejeição do verso tradicional e dos sinais de pontuação, as cores utilizadas no texto, a disposição das palavras no papel e até mesmo os espaços em branco fazem da poesia concreta uma verdadeira obra de arte visual, com extrema valorização da forma em detrimento da própria expressão textual. Tem-se como exemplo a seguinte obra de Augusto de Campos, em que a palavra “lixo” é escrita com a utilização repetida da palavra “luxo”:

Poesia Luxo Lixo

 

Neoconcretismo

O Neoconcretismo surgiu no Rio de Janeiro, no final da década de 50, como reação ao visualismo e ao racionalismo mecânico do Concretismo. Para os neoconcretistas, a arte ia muito além do geometrismo puro, possuindo expressividade, sensibilidade e subjetividade. Além da poesia, o movimento atingiu também as artes plásticas e a dança, tendo como seu maior representante na literatura o escritor Ferreira Gullar.

 

Poema Práxis

Lançado em São Paulo em 1961 por Mário Chamie, o poema Práxis valorizava a palavra em seus diferentes níveis. Também avesso à palavra-objeto cultuada pelo Concretismo, o movimento defendia a função social do poema, consistente na conscientização do leitor, e adotava uma tematização consciente e crítica de determinada situação social. Além de Mário Chamie, merecem destaque Cassiano Ricardo, Armando Freitas Filho, Camargo Meyer, Antônio Carlos Cabral, entre outros.

 

Poema Processo

O Poema Processo foi lançado no ano de 1961, no Rio de Janeiro e em Natal, simultaneamente, e teve como principal ideólogo Wlademir Dias Pino. Seu objetivo era a superação da palavra em si por uma linguagem universal, de caráter visual, articulando-se, para tanto, com a técnica tipográfica, os desenhos, as histórias em quadrinhos, a pintura e a computação gráfica. Além de Wlademir Dias Pino, merecem destaque José de Arimathéia, Sebastião Nunes, Álvaro de Sá, Neide Sá, Moacy Cirne, entre outros.

 

[ddownload id=”2265″]