Material de apoio: vanguardas europeias

As vanguardas europeias foram manifestações artístico-literárias surgidas na Europa nas duas primeiras décadas do século XX, modificando substancialmente a forma de fazer e pensar arte. Na época, o desenvolvimento tecnológico decorrente da Revolução Industrial e a atmosfera política resultante da Primeira Guerra Mundial fizeram surgir um sentimento nacionalista e promoveram o surgimento de várias correntes ideológicas, como o nazismo, o fascismo e o comunismo.

Nesse contexto surgiram os movimentos artísticos de vanguarda, que protestavam contra a arte conservadora e rompiam com a tradição cultural do século anterior, defendendo a criação de novos padrões estéticos, mais condizentes com a realidade histórica e social da época. São movimentos que, segundo seus próprios autores, procuravam guiar a cultura de seu tempo, funcionando como verdadeiras tendências artísticas.

Esses movimentos europeus chegaram ao Brasil e somaram-se ao movimento modernista, que também tinha por objetivo romper com a tradição cultural então vigente. Entre as vanguardas europeias que mais influenciaram a produção literária brasileira estão o Cubismo, o Dadaísmo, o Futurismo, o Surrealismo e o Expressionismo.

 

Cubismo

O Cubismo teve como marco inicial a obra do pintor espanhol Pablo Picasso, cujas telas apresentavam uma nova perspectiva, com a ruptura da realidade e sua reconstrução em diferentes planos geométricos, cheios de ângulos retos. Na literatura, que teve como seu maior expoente o poeta francês Guillaume Apollinaire, o Cubismo é caracterizado por uma linguagem predominantemente nominal e caótica; pela valorização do verso livre, sem estrofes; e pela utilização de substantivos soltos, sem verbos, adjetivos ou pontuações, ou seja, pela representação de uma realidade fragmentada.

 

Dadaísmo

O Dadaísmo foi um reflexo das emoções causadas pela Primeira Guerra Mundial, como a indignação e a agressividade. O movimento surgiu com um grupo de artistas refugiados, tendo Marcel Duchamp como um de seus maiores representantes. O artista é considerado um dos precursores da arte conceitual, uma vez que suas obras convidam o observador a refletir sobre o próprio conceito de arte.

No âmbito da literatura, que teve como um de seus principais idealistas o poeta romeno Tristan Tzara, o movimento dadaísta se caracteriza  pelo improviso; pela desordem das palavras; pela incoerência; pela agressividade verbal; pela quebra da lógica; pela negação das regras formais da produção poética (ritmo, rima, etc.); e pela criação de neologismos através da sonoridade.

 

Futurismo

Tendo como marco inicial o Manifesto Futurista, escrito pelo italiano Tomaso Marinetti em 1909 e publicado no jornal parisiense Le Fígaro, o movimento futurista defendia a negação do passado e o desapego ao tradicionalismo; a exaltação da vida moderna (das máquinas, da velocidade, da eletricidade, etc.); a utilização, ao longo do texto, de símbolos musicais e matemáticos, pontos de exclamação em excesso e onomatopeias; e a associação às ideias fascistas de Mussolini.

 

Surrealismo

Os ideais dessa vanguarda foram expressos no Manual Surrealista, publicado por André Breton em 1924. Para os surrealistas, entre os quais se destaca Salvador Dalí, a arte deve surgir do inconsciente, sem interferência da razão (repúdio à razão científica), motivo pelo qual são comuns em suas obras elementos como a loucura, o sonho, a fantasia e a imaginação típicas da infância, em detrimento da realidade observável. O Surrealismo trouxe para a arte as concepções freudianas relacionadas à psicanálise, adotando técnicas caracterizadas pela escrita automática e pela associação livre.

 

Expressionismo

O Expressionismo surgiu oficialmente no ano de 1912, em Berlim, em um período marcado pelo medo da sociedade alemã, que vivia em um país atrasado industrialmente e que acabara de passar por um processo de unificação. Nesse contexto, os expressionistas, entre os quais se destaca o pintor Vincent Van Gogh, procuravam transmitir através da arte a situação em que se encontrava o homem, com seus vícios e horrores.

Sem ideais muito claros, essa vanguarda se caracteriza pela deformação da realidade (seja nas imagens, seja nos textos); pelo desprezo dos conceitos de bonito e feio; pela oposição ao racionalismo capitalista burguês e pela expressão exagerada do mundo interior do artista. Na literatura são marcantes a subjetividade do escritor, a análise detalhada do subconsciente dos personagens e a utilização de metáforas exageradas, de uma linguagem direta e de frases curtas.