Material de apoio: Simbolismo

A passagem do século XIX para o século XX foi uma época de grande efervescência cultural, decorrente do progresso tecnológico e econômico. Marcado pelo florescimento do belo e pelo nascimento do impressionismo e da Art Nouveau, esse período foi denominado Belle Époque. Embora não seja possível delimitá-lo com precisão, formalmente se considera a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914) como o seu termo final.

Nessa época, três propostas artísticas distintas conviveram no país: o Parnasianismo, o Simbolismo e o Pré-Modernismo. Contemporâneo ao Parnasianismo, portanto, e igualmente voltado para a poesia, o Simbolismo também teve início na França, com a publicação da antologia de poemas de Le Parnasse Contemporain, com destaque para Théofile Gautier, Théodore de Banville e Leconte de Lisle.

 

Simbolismo no Brasil

O Simbolismo teve como marco inicial no Brasil as obras Missal (prosa poética) e Broquéis (poesia), escritas por Cruz e Souza e publicadas no ano de 1893. Embora guarde algumas semelhanças com o Parnasianismo, como a obediência à métrica e à rima, o Simbolismo apresenta características próprias, como o misticismo e a espiritualidade, em oposição à conduta parnasiana de adotar a razão como instrumento de conhecimento do mundo e do homem; a utilização de uma linguagem abstrata, com o uso de maiúsculas alegorizantes; e a adoção de uma arte de sugestão, com o universo interior sendo descrito de forma indireta, sugerida.

Caracterizam o Simbolismo, ainda, o subjetivismo; a musicalidade e o uso de assonâncias (repetição de vogais) e aliterações (repetição de consoantes); a presença do vago, do indefinido; a valorização do inconsiente e do subconsciente; o vocabulário litúrgico e a linguagem figurada, marcada pelo uso de símbolos, imagens, metáforas, contrastes, associações, etc.

Entre os escritores simbolistas brasileiros, destacam-se:

  • Cruz e Souza: Filho de escravos, o que lhe rendeu a alcunha de Cisne Negro, João da Cruz e Souza é considerado o maior autor simbolista brasileiro. Rechaçado pelos intelectuais da época, Cruz e Souza só foi reconhecido após sua morte, tendo adotado como temática em seus textos o lirismo amoroso, o sofrimento, a revolta e a espiritualidade. Entre suas obras, destacam-se os livros Missal, Broquéis, Faróis e Últimos sonetos, sendo seus poemas mais famosos Antífonas, Cárcere de almas, Vida obscura e Violões que choram.
  • Alphonsus de Guimarães: Conhecido como o Solitário de Mariana, Alphonsus de Guimarães dedicou sua obra basicamente à Virgem Maria e a sua falecida noiva, Constança. Entre seus textos, destacam-se, entre outros, Setenário das Dores de Nossa Senhora, Câmara Ardente, Escada de Jacó e Dona Mística.
  • Augusto dos Anjos: O escritor é sempre enumerado como um representante do Simbolismo, mas suas obras também apresentam características do Parnasianismo, do Naturalismo, do Modernismo e do Expressionismo – trata-se, portanto, de uma obra dotada de sincretismo estilístico, o que confere originalidade à sua forma de expressão. O autor escreveu um único livro, intitulado Eu, e seus poemas mais famosos são Versos íntimos, Asas de corvo, A idéia, Psicologia de um vencido e O lamento das coisas.