Material de apoio: Romantismo

O Romantismo surgiu em um momento histórico marcado pela ascensão da burguesia e pela defesa da igualdade de direitos entre as classes sociais, inclusive no que tange à educação. Nesse cenário nasceu um novo público leitor, formado por pessoas do povo, incluindo jovens e mulheres, que exigiam algo mais voltado para a sua realidade social e intelectual (a falta de cultura dificultava a leitura de textos muito rebuscados), em substituição à produção literária que exaltava os valores da nobreza.

O Romantismo aparece, então, com o intuito de democratizar o acesso à literatura, adotando o sentimentalismo como uma de suas principais marcas. Diferentemente do que haviam feito os poetas neoclássicos, que escondiam sua verdadeira personalidade por trás do pastoralismo, os escritores românticos procuravam demonstrar os sentimentos mais íntimos, opondo-se aos princípios racionais do período anterior.

Ao lado do sentimentalismo, o nacionalismo aparece também como característica marcante do Romantismo. Enquanto na Europa o sentimento nacionalista era retratado através do medievalismo, no Brasil os escritores encontraram a identidade nacional nas manifestações populares e principalmente na figura do índio, que passou a ser retratado com características semelhantes às dos cavaleiros medievais europeus: coragem, senso de justiça, dedicação à terra e à mulher amada e nobreza de caráter.

São características típicas do Romantismo, ainda, liberdade formal, personagem linear, subjetivismo, individualismo, religiosidade, fuga da realidade, busca da morte, pessimismo e idealização (da mulher, do herói, do tempo, do espaço).

Considerada a primeira escola literária efetivamente brasileira, o Romantismo surgiu no Brasil logo após a proclamação da independência, tendo como marco inicial Suspiros Poéticos e Saudades (1836), livro de poemas de Gonçalves de Magalhães. A poesia romântica brasileira é dividida em três gerações, cada uma com suas características próprias, mas todas igualmente importantes na história da literatura nacional. Além disso, o período foi marcado pela produção literária nos âmbitos do teatro e da prosa.

 

Poesia romântica brasileira: Primeira geração

Abrangendo o período que vai de 1836 a 1853, a primeira geração da poesia romântica brasileira evidenciou a exaltação da pátria e da natureza, idealizando o índio, que surge como um herói nacional, o que possibilita a criação de um passado para o país, motivo pelo qual esse período é também chamado de indianismo.

Entre os principais autores dessa geração está Gonçalves Dias, que adotava como temática, além do indianismo, a saudade, o amor e a natureza. Entre suas obras merecem destaque Cantos e Os Timbiras, sendo seus poemas mais famosos I-Juca-Pirama, Ainda uma vez – Adeus! e Canção do exílio, uma das poesias mais conhecidas da literatura brasileira. As obras em que o autor retratava sua terra natal e seus habitantes originais eram por ele chamadas de poesias americanas.

Outro autor de renome foi Gonçalves de Magalhães, que adotava como temática o indianismo, o nacionalismo, a religiosidade e o sentimentalismo. Além da obra que marcou o início do Romantismo no Brasil (Suspiros Poéticos e Saudades), escreveu outras produções de destaque, como Confederação dos Tamoios.

 

Poesia romântica brasileira: Segunda geração

A segunda geração da poesia romântica brasileira abrange o período que vai de 1853 a 1870 e é fortemente marcada pelo pessimismo, pelo predomínio do “eu” e pela análise extremamente subjetiva da vida, motivo pelo qual é chamada de ultrarromantismo (o prefixo “ultra” é utilizado para indicar a tendência ao exagero), período byroniano ou mal do século. Entre os escritores dessa geração, destacam-se:

  • Álvares de Azevedo: Adotando como temas-chave o amor e a morte, Álvares de Azevedo escreveu, entre outras obras, Lira dos vinte anos e Noite na taverna. Entre seus poemas se destacam Se eu morresse amanhã e Lembranças de morrer.
  • Fagundes Varela: Fez em sua poesia uma análise dos principais temas românticos, como nacionalismo, indianismo, religiosidade, lirismo amoroso, saudades, escravidão, preocupações sociais, etc. Entre suas obras merecem destaque Vozes da América, Noturnas e Cantos do Ermo e da Cidade, sendo sua poesia mais famosa Cântico do Calvário.
  • Casimiro de Abreu: Suas obras tinham como temas centrais o amor ingênuo e adolescente e principalmente a saudade, bastante evidente nos poemas Meus oito anos, Canção do exílio e Minha terra.
  • Junqueira Freire: Ex-monge beneditino, escreveu sobre a desilusão com a vida no mosteiro, a solidão, a frustração amorosa e a obsessão pela morte. Suas obras mais famosas são Inspirações do claustro e Contradições poéticas.

 

Poesia romântica: Terceira geração

Na terceira geração da poesia romântica brasileira pode-se verificar um afastamento da idealização da mulher amada e a adoção de uma visão mais social que individual dos autores, com destaque para a poesia social-libertária – e falar de liberdade, nessa época, significava falar de escravidão. Essa geração é também conhecida como geração hugoana ou condoreirismo, em referência ao condor, ave elegante e de voo livre (atributos que os poetas da terceira geração buscavam em suas obras).

Entre os autores desse período merecem destaque Castro Alves (conhecido como o poeta dos escravos), que adotou uma linguagem elevada, vibrante, cheia de metáforas, hipérboles e comparações, e escreveu, entre outras obras, Espumas flutuantes, A cachoeira de Paulo Afonso, Os escravos e Gonzaga ou a Revolução de Minas.

Outro autor de renome do período foi Sousândrade, cujo poema épico intitulado O Guesa denunciou a exploração indígena pelo branco invasor. A complexidade temática e a técnica utilizadas em suas obras ultrapassam os limites do Romantismo, motivo pelo qual ele é considerado um precursor do modernismo e das vanguardas.

 

Prosa: Romance romântico brasileiro

Diferentemente da poesia, o romance é uma narrativa longa, escrita em prosa e sem limite de páginas. Com a ampliação do público leitor, fez-se necessário o surgimento de uma literatura mais ligada à realidade social e intelectual desses novos leitores, aos quais a prosa se mostrou muito mais adequada que a poesia.

Durante o século XIX, muitos romances foram publicados aos capítulos em jornais e revistas, constituindo os romances de folhetim, cujos enredos eram sempre cheios de intrigas, com uma divisão clara entre o bem e o mal (maniqueísmo), geralmente com amores impossíveis em razão de diferenças sociais ou da rivalidade entre famílias, e o previsível castigo das personagens más e a felicidade das personagens boas.

O primeiro romance romântico brasileiro foi O filho do pescador (1843), escrito por Teixeira e Sousa, mas o sucesso do gênero só foi alcançado com a obra A Moreninha (1844), de Joaquim Manoel de Macedo, considerada o marco inicial do romance romântico no Brasil.

Os romances de Joaquim Manoel de Macedo consistiam basicamente em crônicas de costumes com ambientação urbana, em que dois jovens, após superarem alguns obstáculos, chegavam ao casamento (romances dentro dos padrões burgueses da época). O escritor adotava uma linguagem simples e direta, com fraca construção psicológica dos personagens e visão superficial da sociedade. Entre suas obras, também merecem destaque O moço loiro, A luneta mágica e As mulheres de mantilha.

O grande escritor desse período, contudo, foi José de Alencar, descrito por Machado de Assis como “um poeta em prosa”. Sua obra é dividida em quatro grupos:

  • Romance indianista: Retrata o confronto entre as civilizações indígenas e europeias, idealizando o índio e o adotando como protagonista. Enquadram-se nesse grupo O guarani, Iracema e Ubirajara.
  • Romance urbano: Ambientado no Rio de Janeiro, apresenta uma temática envolvendo amor e dinheiro. Destacam-se, nesse grupo, Cinco Minutos, A viuvinha, Senhora, Lucíola, Diva, Encarnação e A pata da gazela.
  • Romance histórico: Remonta aos primórdios da formação sociocultural brasileira, com destaque para as obras Guerra dos Mascates e As minas de prata, que relatam, respectivamente, a rivalidade entre brasileiros e portugueses no início do século XVIII e o período colonial da Bahia seiscentista.
  • Romance regionalista: Através dos romances regionalistas José de Alencar procurou caracterizar as grandes regiões do país, retratando sua paisagem local, seus costumes, suas estruturas sociais e sua linguagem. Pertencem a esse grupo O sertanejo (norte), O gaúcho (sul), Til e O tronco do ipê (centro).

Merecem destaque, ainda, os escritores Manuel Antônio de Almeida, famoso por seu único romance, Memórias de um sargento de milícias; e os escritores de romances regionalistas Bernardo Guimarães, Franklin Távora e Visconde de Taunay.

Bernardo Guimarães deu início ao romance regionalista brasileiro com a obra O ermitão de Muquém (1866). O autor focaliza, em várias de suas narrativas, a paisagem, os tipos humanos, os costumes e a linguagem do interior de Minas Gerais e de Goiás. Escreveu mais de dez romances, entre os quais se destacam O seminarista, O garimpeiro e A escrava Isaura.

Franklin Távora, por sua vez, foi um crítico do regionalismo de José de Alencar, defendendo que o norte e o nordeste tinham melhores condições de produzir uma autêntica literatura brasileira. Sua obra de maior destaque é O Cabeleira.

Visconde de Taunay, por fim, escreveu a famosa obra intitulada Inocência, que, embora romântica pela trama amorosa, apresenta certo caráter realista pela precisão, pela riqueza de detalhes e pela verossimilhança nas descrições.

 

Teatro romântico brasileiro

Com o Romantismo, o Brasil viveu o renascimento e a definição do teatro nacional, com destaque para Martins Pena, principal teatrólogo romântico brasileiro e introdutor do teatro de costumes no Brasil, iniciando com a comédia Juiz de paz na roça. O autor escreveu vinte comédias e seis dramas que compõem um painel da realidade brasileira na primeira metade do século XIX.

Merecem destaque, ainda, Gonçalves de Magalhães, autor da primeira tragédia nacional, intitulada Antônio José ou o Poeta e a Inquisição; José de Alencar, autor da comédia O demônio familiar; e Qorpo Santo, que escreveu As relações naturais (teatro do absurdo).