Material de apoio: Realismo

No ano de 1855, o pintor Gustave Coubert organizou uma exposição individual em um barracão de Paris, denominada Le Réalisme (O Realismo). Nessa exposição, o pintor apresentou obras que se afastavam dos padrões do Romantismo, retratando fielmente a realidade e deixando de lado a idealização e a subjetividade românticas. As opiniões sobre a obra do jovem artista se dividiram: enquanto muitos o atacaram duramente, outros resolveram seguir o seu estilo, dando início ao movimento artístico-literário que recebeu o mesmo nome que a exposição de Coubert.

O Realismo, portanto, surgiu no século XIX, opondo-se ao sentimentalismo romântico e pretendendo refletir as transformações políticas, sociais, econômicas e culturais da época, que foi marcada pela Segunda Revolução Industrial, pela Guerra do Paraguai, pelos movimentos abolicionistas e republicanos, e pelo desenvolvimento de novas tendências científicas e filosóficas (positivismo, determinismo, evolucionismo e socialismo científico), para as quais “o amor”, “o herói” e “o eu” do Romantismo pareciam muito distantes do mundo real.

Na literatura, o Realismo teve início com Madame Bovary (1857), romance do escritor francês Gustave Flaubert. Na obra, a protagonista Ema se aproxima das pessoas comuns, com comportamentos reais, mostrando-se bem diferente das heroínas românticas. Essa busca pela verossimilhança na caracterização dos personagens e dos espaços é uma característica marcante do Realismo, presente também na obra dos outros escritores do período.

Caracterizam o Realismo, ainda, a contemporaneidade; a narrativa preferencialmente no tempo presente; o espaço urbano; a interpretação crítica da realidade; o detalhismo descritivo e a lentidão narrativa; personagens caricaturados; objetividade; impessoalidade; engajamento social; e crítica às instituições burguesas, ao clero, à religiosidade e às crenças populares. Muitas obras são marcadas também por uma forte análise psicológica dos personagens, constituindo o chamado Realismo psicológico, que teve como principal representante no Brasil o escritor Machado de Assis.

 

Realismo e Naturalismo no Brasil

Tanto o Realismo psicológico quanto o Realismo naturalista (Naturalismo) foram inaugurados no Brasil no ano de 1881, respectivamente, com Memórias Póstumas de Brás Cubas, romance de Machado de Assis, e O mulato, romance de Aluísio de Azevedo.

Romancista, contista, poeta, crítico literário, cronista e teatrólogo, Machado de Assis, considerado o maior escritor brasileiro, participou tanto da fase romântica quanto da fase realista da literatura brasileira – desta última, além de Memórias Póstumas de Brás Cubas, destacam-se Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, além de contos como A cartomante e O alienista.

Seus textos eram marcados pela ruptura da linearidade, com interferências do narrador e fragmentação dos episódios, podendo-se verificar, em algumas digressões, a presença da metalinguagem, ou seja, de reflexões do narrador sobre a própria obra. O texto machadiano é caracterizado, ainda, pela estruturação em pequenos capítulos, pelo humor irônico, pelo pessimismo e pela hipocrisia.

Enquanto Machado de Assis abandonava o Romantismo para aderir ao Realismo, Aluísio de Azevedo, que também já era conhecido por suas obras românticas, aderia definitivamente ao Naturalismo, tendo escrito, além de O mulato, que abordou a questão do racismo no país, obras como Casa de pensão e O cortiço.

Merece destaque, ainda, o escritor Raul Pompéia, cuja obra de maior sucesso foi O Ateneu, romance classificado como misto de realista e impressionista.