Material de apoio: Pré-Modernismo

O Pré-Modernismo não representa efetivamente uma escola literária, mas sim um grupo de escritores brasileiros que, ainda influenciados pelo Realismo e pelo Naturalismo, já antecipavam alguns aspectos que caracterizariam, pouco depois, o movimento modernista. Trata-se, portanto, de um período de transição entre o Realismo/Parnasianismo/Naturalismo e o Modernismo, juntando aspectos de diferentes estilos, motivo pelo qual é também denominado Período Sincrético.

A produção literária desse grupo, que teve como marco inicial as obras Os Sertões (Euclides da Cunha) e Canaã (Graça Aranha), ambas de 1902, é caracterizada pelo nacionalismo crítico e pelo questionamento social, político e econômico; pelo retrato de grupos marginalizados (negros, mulatos, nordestinos, imigrantes, etc.); pela utilização de termos científicos; pelo regionalismo e pela linguagem coloquial.

 

Escritores pré-modernistas

Euclides da Cunha

Autor de Os Sertões, um dos marcos iniciais do Pré-Modernismo, Euclides da Cunha relata em sua obra mais famosa a Guerra de Canudos, denunciando as péssimas condições de vida do sertanejo e as arbitrariedades cometidas contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. O livro, que resultou de seu trabalho como jornalista durante a Guerra de Canudos, é dividido em três partes: A terra, O homem e A luta. A primeira parte aborda o isolamento geográfico dos revoltosos de Canudos, retratando o cenário em que eles viviam (no caso, a seca do sertão nordestino); a segunda, por sua vez, faz uma análise psicológica dos personagens, destacando as barbáries do comportamento dos jagunços; e a terceira, por fim, relata com riqueza de detalhes a guerra que dizimou a população de Canudos.

 

Lima Barreto

Conhecido como o Romancista da 1ª República, Lima Barreto retratou o Rio de Janeiro do início do século XX, satirizando políticos, jornalistas e escritores da “literatura oficial”, e utilizando uma linguagem livre, despojada, marcada pelo humor e pela sátira. Mulato e de origem pobre, o escritor colocava seus próprios dramas pessoais em suas obras ao retratar a luta da classe média contra o empobrecimento e o drama dos marginalizados.

Além do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, considerado sua obra-prima, merecem destaque, entre outros textos, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Numa e a ninfa e Clara dos Anjos.

 

Monteiro Lobato

Fundador da primeira editora brasileira e pioneiro da literatura infantil, Monteiro Lobato foi um nacionalista convicto que lutou pela exploração do ferro e do petróleo no Brasil. Escreveu contos regionalistas, tendo criado o personagem do preguiçoso Jeca Tatu, protótipo do caipira brasileiro. Sua linguagem era simples e coloquial, o que, de certa forma, o aproximava das propostas modernistas, mas Lobato não chegou a pertencer a esse movimento, tendo, inclusive, criticado a exposição da pintora modernista Anita Malfatti.

Entre suas obras, destacam-se os contos Urupês, Cidades Mortas e Negrinha, e as histórias infantis ambientadas no Sítio do Pica-pau Amarelo.

 

Graça Aranha

Graça Aranha é o autor de Canaã, um dos marcos iniciais do Pré-Modernismo, datado de 1902. A obra conta a história de dois imigrantes alemães que vivem no interior do Espírito Santo: Milkau, que defende a integração dos imigrantes à realidade brasileira, e Lentz, que defende a supremacia da raça ariana.

 

João Simões Lopes Neto

Regionalista gaúcho, João Simões Lopes Neto escreveu recriações de lendas regionais, apresentando personagens, costumes e linguagem típicos do sul do país. É autor dos livros Lendas do Sul, Contos Gauchescos e Casos do Romualdo.