Material de apoio: Parnasianismo

O Parnasianismo surgiu na passagem do século XIX para o século XX, época marcada por uma grande efervescência cultural, decorrente do progresso tecnológico e econômico. Esse período, em que se verificou o florescimento do belo e o nascimento do impressionismo e da Art Nouveau, foi denominado Belle Époque, cujo termo final é formalmente considerado a Primeira Guerra Mundial (1914), embora não seja possível delimitá-lo exatamente.

Contemporâneo ao Realismo, embora não mantivesse todos os seus referenciais, o Parnasianismo é considerado a manifestação poética daquele movimento literário. Teve início na França, com a publicação da antologia de poemas de Le Parnasse Contemporain, com destaque para Théofile Gautier, Théodore de Banville e Leconte de Lisle.

Em oposição ao sentimentalismo romântico, os autores parnasianos adotavam o racionalismo e a objetividade, defendendo a noção de “arte pela arte”, segundo a qual a arte deveria existir por si só, e não por qualquer subterfúgio, como o amor, por exemplo. São características desse movimento literário o perfeccionismo estético, através da utilização de um vocabulário erudito e da regularidade métrica (culto à forma); o descritivismo; o esteticismo; a impessoalidade; o não envolvimento emocional; a preferência pelo soneto e a contenção do lirismo.

 

Parnasianismo no Brasil

No Brasil, a Belle Époque se destacou entre os anos de 1880 e 1920, ou seja, entre o início do Realismo e o aparecimento da Arte Moderna, época em que três propostas artísticas distintas conviveram no país: o Parnasianismo, o Simbolismo e o Pré-Modernismo.

O Parnasianismo teve como marco inicial a obra Fanfarras (1882), livro de poemas escrito por Teófilo Dias. Os autores de maior destaque nesse período, contudo, foram Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira, formadores da chamada Trindade ou Tríade Parnasiana.

Embora seja considerado o líder do movimento parnasiano no Brasil, em seus poemas Olavo Bilac não foi tão fiel à poética do Parnasianismo. De fato, apesar de seguir o rigor formal típico desse movimento literário, o escritor muitas vezes expressou em seus textos uma exacerbação dos sentidos, característica do Romantismo. Sua obra de maior destaque, intitulada Poesias, é composta por Panóplias, Via-Láctea, Sarças de Fogo, Alma Inquieta, As Viagens, O Caçador de Esmeraldas e Tarde.

Raimundo Correa também escreveu um livro chamado Poesias, que é, na verdade, uma antologia dos livros Sinfonia, Versos e Versões, Aleluias e mais alguns poemas inéditos.

Já entre as obras de Alberto de Oliveira podem ser destacados os livros Meridionais e Versos e Rimas, e os poemas Vaso grego e Vaso chinês.