Material de apoio: Naturalismo

O Realismo naturalista, ou simplesmente Naturalismo, nasceu com Émile Zola e procurava explicar o comportamento humano com as mesmas leis que o cientificismo explicava a natureza. Nas obras naturalistas, o homem é retratado como um animal que obedece cegamente aos seus desejos primitivos (fome, sede, sexo), movido pelas leis da hereditariedade e pela influência do meio ambiente. Os personagens são comumente descritos a partir de termos típicos dos animais, caracterizando a chamada animalização ou zoomorfismo.

Caracterizam também o Naturalismo a preferência pelo coletivo; a narrativa fundamentada no comportamento humano; a grande preocupação social; o retrato das camadas mais populares e sua relação com a exploração; o determinismo (personagens condicionados aos fatores biológicos, sociais e históricos) e o cientificismo, consistente na aplicação do método experimental à literatura, com a descrição de cenas repulsivas de maneira fria e direta (“estética do feio”). Ao contrário do Realismo psicológico, porém, que apresenta personagens psicologicamente complexos, o Naturalismo conta com personagens psicologicamente simples e degradados, com taras e vícios (personagens patológicos).

 

Realismo e Naturalismo no Brasil

Tanto o Realismo psicológico quanto o Realismo naturalista (Naturalismo) foram inaugurados no Brasil no ano de 1881, respectivamente, com Memórias Póstumas de Brás Cubas, romance de Machado de Assis, e O mulato, romance de Aluísio de Azevedo.

Romancista, contista, poeta, crítico literário, cronista e teatrólogo, Machado de Assis, considerado o maior escritor brasileiro, participou tanto da fase romântica quanto da fase realista da literatura brasileira – desta última, além de Memórias Póstumas de Brás Cubas, destacam-se Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, além de contos como A cartomante e O alienista.

Seus textos eram marcados pela ruptura da linearidade, com interferências do narrador e fragmentação dos episódios, podendo-se verificar, em algumas digressões, a presença da metalinguagem, ou seja, de reflexões do narrador sobre a própria obra. O texto machadiano é caracterizado, ainda, pela estruturação em pequenos capítulos, pelo humor irônico, pelo pessimismo e pela hipocrisia.

Enquanto Machado de Assis abandonava o Romantismo para aderir ao Realismo, Aluísio de Azevedo, que também já era conhecido por suas obras românticas, aderia definitivamente ao Naturalismo, tendo escrito, além de O mulato, que abordou a questão do racismo no país, obras como Casa de pensão e O cortiço.

Merece destaque, ainda, o escritor Raul Pompéia, cuja obra de maior sucesso foi O Ateneu, romance classificado como misto de realista e impressionista.