Material de apoio: Barroco

Movimento artístico típico dos anos de 1600, o Barroco é também denominado Seiscentismo, e é considerado por alguns críticos como uma grande campanha publicitária da Igreja Católica. Isso porque, tendo ocorrido a Reforma Religiosa na Europa, com a criação de novas religiões e o consequente enfraquecimento do catolicismo, o Barroco conseguiu, durante a Contrarreforma (reação católica à Reforma Religiosa), chamar a atenção para a religiosidade.

O Barroco é caracterizado pela estética do conflito e pela confluência de valores medievais (teocentrismo) e renascentistas (antoprocentrismo); pelo estilo rebuscado, opulento, feito de tensão e contrastes (apresenta o homem dividido entre o céu e a terra, o bem e o mal, o pecado e o perdão); pelo uso excessivo de figuras de linguagens e jogos verbais (hipérbole, metáfora, antítese, paradoxo, trocadilhos, etc.); pelo fusionismo (equilíbrio instável entre a fé e a razão) e pela tematização da brevidade da vida e da efemeridade de tudo: juventude, beleza, riqueza, poder, etc.

Na pintura e na escultura, o Barroco é marcado pelo jogo entre luz e sombra (técnica denominada chiaroscuro), pela dramaticidade e pela noção de movimento, retratando cenas que parecem ocorrer na presença do observador.

 

Correntes barrocas

O rebuscamento característico da literatura barroca é reflexo dos conflitos entre o homem (antropocentrismo) e Deus (teocentrismo), o pecado e o perdão, o terreno e o celestial, a religiosidade medieval e o paganismo renascentista. Esse rebuscamento alcançou tanto a forma quanto o conteúdo, caracterizando duas correntes distintas, mas complementares: o Cultismo e o Conceptismo.

Marcado pelo rebuscamento da forma, o Cultismo é também denominado Gongorismo em referência ao autor mais expressivo dessa corrente, o espanhol Luís de Gôngora. Essa corrente barroca valoriza os aspectos externos, sensoriais, utilizando figuras de linguagens e jogos de palavras. Já o Conceptismo é caracterizado pelo rebuscamento do conteúdo, ou seja, pela valorização das ideias, da argumentação. O texto conceptista adota uma lógica persuasiva, muitas vezes com fundo religioso.

É importante ressaltar que o Cultismo e o Conceptismo não são corrente antagônicas – ao contrário, são correntes complementares, de modo que um mesmo texto pode apresentar características de ambas, embora geralmente se verifique o predomínio de uma ou de outra.

 

O Barroco no Brasil

Devido à influência exercida por Portugual, a literatura barroca é considerada luso-brasileira, e teve como marco inicial no Brasil a obra Prosopopéia, poema épico escrito por Bento Teixeira em 1601, inspirado na tradição camoniana, e que trata dos feitos militares de Jorge de Albuquerque. Nessa época, a produção literária brasileira era divulgada informalmente, por folhetos manuscritos e distribuídos pelos próprios autores ou até mesmo pela tradição oral.

Entre os principais nomes do barroco brasileiro está Gregório de Matos Guerra, apelidado de Boca do Inferno em razão das sátiras e dos ataques à sociedade colonial, à Igreja e ao governo. Na poesia, o escritor baiano escolhia principalmente temas religiosos, líricos (amorosos) e satíricos, tendo traçado, através de suas poesias satíricas, um painel do Brasil Colônia da época.

Em seus textos, Gregório de Matos Guerra incorporava características da linguagem popular. Embora seu trabalho seja marcado pelas críticas que fazia à sociedade, o escritor também produziu poemas laudatórios (de elogios), em que importantes figuras da época eram bajuladas, os quais foram chamados de poemas encomiásticos.

Outro nome de destaque no Barroco foi o do Padre António Vieira, português que veio ao Brasil ainda menino, tendo aqui se ordenado padre. Conhecido por seus sermões e por ser um exímio orador, António Vieira utilizava repetições, inversões, silogismos, paradoxos e metáforas de forma bastante eloquente. Além dos temas religiosos, demonstrou preocupação com assuntos sociais, políticos e econômicos.

Entre os mais de duzentos sermões escritos por António Vieira, sempre partindo de pregações bíblicas para tratar de temas cotidianos, destacam-se o Sermão da primeira dominga da Quaresma, no qual condena a escravidão dos índios, e o Sermão da Sexagésima, que aborda as características da oratória sacra.