Material de apoio: Arcadismo

O Arcadismo surgiu no século XVIII, sob a influência ideológica do Iluminismo, notadamente dos ideais de liberdade e igualdade, defendidos pelos iluministas em oposição ao Absolutismo. Os escritores adeptos desses novos ideais se reuniam para discutir arte, filosofia e política, entre outros assuntos, em locais denominados Arcádias, uma referência à região da Grécia Antiga que os poetas clássicos consideravam um lugar privilegiado para a convivência dos pastores e seu contato com a natureza – daí o nome Arcadismo.

Em oposição ao rebuscamento excessivo do Barroco, os representantes do Arcadismo adotavam uma linguagem mais simples, direta e objetiva, inspirando-se nos clássicos antigos (gregos e romanos) e nos quinhentistas lusitanos, como Camões, motivo pelo qual o movimento foi também chamado de Neoclassicismo. De fato, os escritores desse movimento literário defendiam o retorno ao equilíbrio clássico (soneto e mitologia greco-romana) rompido durante o Barroco, combatendo os exageros verbais do período seiscentista.

O Arcadismo é marcado, ainda, pela superação dos conflitos espirituais, com a substituição da fé e da religião pela ciência e pela razão; pela substituição da dúvida e do pessimismo existentes na fase anterior pelo otimismo e pela crença na ciência como fator de progresso; pela preocupação com a educação moral e intelectual; pela adoção da natureza como modelo de sabedoria e felicidade; pelo bucolismo, pastoralismo e exaltação da vida no campo, em oposição à visão de mundo conflituosa típica do Barroco.

Com uma proposta estética baseada em regras de composição com certa rigidez, os poetas arcadistas adotavam temas recorrentes em suas obras, denominados tópicas, a exemplo do carpe diem (expressão latina que significa “aproveite o dia”). O cenário predominante nessas obras é pastoril, bucólico, em referência à região da Arcádia, e elementos que remetem a esse cenário são bastante frequentes nas obras (pastores, rebanhos, ovelhas, etc.). Os pseudônimos pastoris, inspirados em antigos nomes latinos, eram comumente adotados pelos escritores neoclássicos, como Cláudio Manuel da Costa, que utilizava o pseudônimo de Glauceste Satúrnio, e Alvarenga Peixoto, cujo pseudônimo era Alcindo Palmireno.

 

O Arcadismo no Brasil

Assim como o Barroco, a literatura neoclássica é considerada luso-brasileira em razão da influência exercida por Portugal. No Brasil, o Arcadismo floresceu na cidade de Vila Rica, em Minas Gerais, onde a Inconfidência Mineira eclodiu no ano de 1789, inspirada nos ideais iluministas de liberdade e igualdade.

O marco inicial desse movimento literário no país foi a publicação de Obras (1768), livro de poemas de Cláudio Manuel da Costa. O escritor foi um dos nomes de maior destaque entre os poetas líricos nacionais, abordando em suas obras o amor não correspondido, a preferência pela vida no campo e a consciência sobre a brevidade da vida.

Entre os poetas líricos, destacam-se também Silva Alvarenga, cuja principal obra, intitulada Glaura, canta os amores do pastor Alcindo Palmireno e da pastora Glaura, em um ambiente bucólico e natural; e Tomás Antônio Gonzaga, que nasceu em Portugal mas desenvolveu parte de seus estudos no Brasil, onde escreveu Cartas chilenas (conjunto de treze cartas em forma de poemas, consistentes em sátiras políticas contra os desmandos administrativos do governo mineiro) e a famosa obra Marília de Dirceu.

Já entre os poetas épicos do Arcadismo, cujos versos eram inspirados (ou até mesmo retirados) da história do Brasil, evidenciando um sentimento nativista e colocando em cena a figura do índio, merecem destaque Basílio da Gama e Frei José de Santa Rita Durão.

Basílio da Gama valorizava o índio e sua cultura, apresentando forte caráter antijesuíta. Em 1769 publicou o famoso poema épico O Uraguai, que relata a luta do exército luso-espanhol contra jesuítas e guaranis pela posse da região dos Sete Povos das Missões, louvando a ação política do primeiro ministro português, Marquês de Pombal.

Santa Rita Durão, por sua vez, adotando como modelo a epopeia Os Lusíadas, de Camões, escreveu Caramuru, obra publicada em 1781, que trata das aventuras do português Diogo Álvares Correia entre os índios da Bahia e relata alguns episódios da história do Brasil. O poema apresenta grande apologia ao trabalho de catequização efetuado pelos jesuítas, retratando a figura do índio como o bom selvagem, que não apresentava resistência à doutrina e aos costumes portugueses que lhe eram impostos.