Material de apoio: Literatura Contemporânea

Prosa

A ditadura militar provocou grandes transformações na produção literária, principalmente em razão da censura imposta sobre as publicações de um modo geral. Com a queda dos militares, porém, os autores começaram a escrever abertamente sobre as torturas, as perseguições e as arbitrariedades cometidas durante a ditadura, e a publicar as obras já escritas, mas antes censuradas. Surgiram, então, inúmeros textos que adotavam como temática questões urbanas, sociais e políticas, com abordagem da miséria, da marginalização e da violência.

Com a anistia dos exilados em 1979, muitos escritores retornaram ao Brasil e publicaram relatos autobiográficos que apresentavam em detalhes as crueldades da ditadura militar, a exemplo da obra O que é isso, companheiro? (1979), escrita por Fernando Gabeira. A violência por si só, praticada por pessoas comuns, também se tornou um tema recorrente, principalmente nas obras de Rubem Fonseca, que utiliza a banalização da violência para expressar a barbárie da civilização moderna.

Caracterizado por ser uma narrativa curta, com certa limitação de personagens, tempo e espaço, e concentrada em torno de um único conflito, tomado já perto de seu desfecho, o conto surge como um dos gêneros de maior destaque da prosa contemporânea. Esse gênero apresenta autores de grande renome, como Dalton Trevisan (Novelas nada exemplares; Cemitério de elefantes; O vampiro de Curitiba; A guerra conjugal), João Antônio (Malhação do Judas Carioca; Lambões de caçarola; Dedo-duro; Abraço ao meu rancor), Luiz Vilela (Tremor de terra; No bar; Tarde da noite; O fim de tudo; Lindas pernas), Ricardo Ramos (Tempo de espera; Os desertos; Toada para surdos; O sobrevivente) e Lygia Fagundes Telles (Histórias do desencontro; Antes do baile verde; Mistérios), entre outros.

Alguns contos contemporâneos adotam como temática fatos estranhos, absurdos, sobrenaturais, que intervêm no curso normal dos acontecimentos, gerando situações anômalas. Tais contos compõem o chamado realismo fantástico, que tem como precursor Murilo Rubião (O ex-mágico; A estrela vermelha; Os dragões e outros contos; O candidato).

A crônica, por sua vez, consiste em um gênero literário em prosa derivado da prática jornalística, caracterizado por uma narrativa curta, baseada em um fato real ou fictício e em seu comentário, que pode ser filosófico, social, humorístico, satírico, etc. Nesse estilo literário merecem destaque Rubem Braga, considerado o grande mestre da crônica (O conde e o passarinho; A cidade e a roça; Copacabana!; Recado de primavera), e Fernando Sabino (O homem nu; A falta que ela me faz; O gato sou eu).

Grandes escritores de outros gêneros, como poesia e romance, também publicaram algumas crônicas, a exemplo de Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, etc.

No romance, por fim, destacam-se os romances-reportagem, escritos com uma linguagem bastante objetiva e baseados em fatos reais, envolvendo principalmente marginalidade, imoralidade e denúncias de corrupção. Essa tendência é também chamada de jornalismo literário em razão de seus adeptos serem jornalistas que se tornaram escritores, como Paulo Lins, autor de Cidade de Deus (obra que retrata a vida dos moradores de uma das regiões mais violentas do Rio de Janeiro).

 

Poesia

Considera-se contemporânea a poesia produzida após a terceira fase do modernismo até os dias de hoje. Trata-se de uma poesia eclética, que apresenta diferentes formas, com destaque para três principais vertentes: a poesia memorialista, a poesia hermética e a poesia descritiva.

A poesia memorialista resgata o passado de forma bastante nostálgica, consistindo em uma herança do movimento saudosista ocorrido no início do século XX na literatura portuguesa. A poesia hermética, por sua vez, procura dar voz ao inconsciente, utilizando metáforas incomuns e transmitindo sua mensagem através das entrelinhas, enquanto a poesia descritiva enfatiza o cenário objetivo, geralmente urbano, apresentando a descrição das pessoas e dos lugares. Esta última é a vertente mais comum na internet, meio de comunicação cada vez mais utilizado para a divulgação da produção literária.

Entre os poetas contemporâneos, destacam-se Ferreira Gullar, Thiago de Melo, Adélia Prado, Paulo Leminski, Hilda Hilst, Arnaldo Antunes, Antonio Cícero, José Paulo Paes, Manoel de Barros, entre outros.

 

Poesia marginal

Durante a década de 70, em razão da censura imposta pela ditadura militar, muitos poetas passaram a reproduzir artesanalmente seus textos e a vendê-los na boemia das grandes cidades, em substituição aos meios convencionais de produção e circulação de obras literárias (editoras e livrarias), dando origem à chamada poesia marginal ou poesia de mimeógrafo. Paulo Leminski, Francisco Alvim, Torquato Neto e Chacal foram alguns dos nomes que fizeram parte desse movimento.