Feudalismo

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Com as constantes invasões bárbaras e a expansão muçulmana, somadas às fragmentações decorrentes da disputa pelo poder, as monarquias perderam força e os proprietários locais começaram a se defender com seus próprios recursos. Observando essa situação, os habitantes passaram a considerar os senhores locais como seus governantes e a recorrer a eles em busca de proteção, oferecendo-lhes, em troca, fidelidade e serviço.

Embora tivesse perdido poder, o monarca continuava sendo o dono das terras, cujo usufruto era transferido através de uma relação de suserania e vassalagem. Em troca do usufruto da terra, chamada de feudo ou benefício, o vassalo (quem recebia o usufruto) jurava fidelidade ao seu suserano (verdadeiro proprietário), comprometendo-se a lhe servir em determinadas situações. Em regra, porém, o vassalo exercia total soberania sobre seu feudo e os servos que nele moravam.

Com o enfraquecimento das atividades comerciais, o cultivo da terra ganhou cada vez mais importância, fazendo surgir em cada feudo uma economia agrícola quase autossuficiente. Somente alguns produtos de difícil produção eram comercializados em feiras locais, como o sal, o mel e o vinho.

A sociedade estruturou-se em três ordens ou estamentos: o clero, a nobreza e os servos. Apesar da fragmentação do poder político, a Igreja mantinha-se forte e defendia a ideia de que Deus havia colocado o clero na terra para difundir a sua palavra, os guerreiros (nobres) para defender a cristandade e os servos para trabalhar e alimentar a todos.

A posição do indivíduo era determinada por sua origem e havia pouquíssima mobilidade social. A Igreja mantinha-se como a maior proprietária de terras e seu patrimônio crescia cada vez mais, na medida em que muitos nobres deixavam-lhe terras em seus testamentos em busca da salvação de suas almas.

Nessa época, era grande a preocupação com o fim do mundo, de modo que qualquer fato que fugisse à normalidade, como um incêndio inexplicável ou uma praga agrícola, por exemplo, era interpretado como um sinal claro da proximidade do fim dos tempos. No entanto, havia também quem acreditasse no início de um novo período de paz e fartura a partir da segunda vinda de Cristo à terra, fazendo surgir uma crença popular denominada milenarismo.

Embora existissem também alguns escravos e trabalhadores livres, o trabalho agrícola era realizado predominantemente por servos, que viviam sob a proteção do senhor feudal e dele recebiam um lote para cultivo, o qual poderiam transferir a seus herdeiros. Em troca, pagavam ao senhor feudal alguns tributos, como a corveia, consistente no trabalho compulsório nas terras de uso exclusivo do senhor pelo menos três dias por semana; a talha, correspondente a parte da produção de seu próprio lote; a mão morta, paga pelos herdeiros para que pudessem receber o lote deixado por seus pais; e as banalidades, pagas pelo uso das instalações do senhorio, como moinhos e fornos.

Diferentemente dos escravos, portanto, que eram considerados propriedade de seus senhores, os servos pagavam com seu trabalho pelo direito de viver nos domínios do senhor feudal. Caso os senhores exigissem outros tributos ou serviços, os servos poderiam manifestar sua insatisfação, mas até o século XIV foram raras as rebeliões nos feudos.

O comércio, como dito, era uma atividade secundária, tendo em vista que os feudos eram praticamente autossuficientes. As poucas transações comerciais realizadas estavam submetidas às regras das corporações de comércio, que regulamentavam os preços e os lucros, afastando, assim, a economia de livre concorrência. Algumas dessas corporações, que tinham liberdade de circulação de pessoas e mercadorias e organizavam feiras periodicamente para aproximar produtores e consumidores, chegaram a se transformar em poderosas instituições.

A atividade artesanal também era organizada por corporações, denominadas grêmios ou corporações de ofício, e sem se filiar o artesão não poderia exercer a sua atividade. Tal como as corporações de comércio, as corporações de ofício definiam não apenas a quantidade, a qualidade dos produtos e a hierarquia de trabalho, como também o preço dos produtos e a margem de lucro dos artigos de primeira necessidade.