Cultura Medieval e Cruzadas

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Sob o poder dos árabes muçulmanos desde o ano de 636, Jerusalém foi dominada pelos turcos seldjúcidas (também muçulmanos) no ano de 1076. Até então os árabes respeitavam Jerusalém como uma terra santa e permitiam a peregrinação dos cristãos à cidade; os turcos, porém, passaram a perseguir os peregrinos e impedir o acesso dos cristãos aos lugares sagrados.

Nesse contexto, sob a influência da Igreja, que detinha grande poder durante a Idade Média, milhares de homens passaram a ver no resgate de Jerusalém uma forma de atingir a graça divina e acabaram abandonando suas aldeias em busca desse remédio para a alma. Além disso, a possibilidade de fazer fortuna com a conquista de novas terras levou muitos homens da pequena nobreza a se lançarem em direção ao Oriente.

Os participantes desses movimentos recebiam uma cruz vermelha para ser costurada na roupa, o que rendeu às expedições o nome de Cruzadas. Com início em 1096, a primeira Cruzada foi determinada durante o Concílio de Clermont pelo Papa Urbano II, e a ela se seguiram outras sete, totalizando oito Cruzadas oficiais entre 1096 e 1270, cujo saldo foi bastante negativo tanto para os muçulmanos quanto para os cristãos europeus.

As expedições criaram reinos cristãos de curta duração, como o Reino Cristão no Oriente, mas os resultados mais significativos foram as alterações políticas e econômicas provocadas no Ocidente. De fato, as transformações nestes âmbitos foram tamanhas que levaram ao declínio do regime feudal e ao consequente fortalecimento das monarquias.

Os investimentos feitos pela nobreza para manter as expedições não havia dado o retorno esperado. Muitos nobres haviam hipotecado suas terras na expectativa de conquistar fortuna, mas voltaram ainda mais endividados. Diante dessa situação, muitos senhores feudais acabaram entregando aos monarcas o poder sobre seus feudos em troca de indenização, fazendo com que o rei voltasse a ter autoridade sobre grandes extensões de terras.

Além disso, as Cruzadas intensificaram o comércio entre o Ocidente e o Oriente e reativaram os contatos entre os europeus e as civilizações bizantina e muçulmana. A Quarta Cruzada é comumente citada como exemplo das motivações econômicas das expedições, uma vez que foi financiada por mercadores da península itálica e desviou sua rota em direção a Jerusalém para saquear Constantinopla, à época um importante centro comercial.

O aumento da produção agrícola, o crescimento demográfico e a diminuição dos conflitos internos também contribuíram para o aumento gradual das atividades comerciais, promovendo o chamado Renascimento Comercial. Os mercadores italianos, que já haviam desenvolvido uma importante frota mercantil, estabeleceram novos postos comerciais durante as Cruzadas e passaram a atuar intensamente em toda a Europa.

As atividades comerciais, antes realizadas em feiras itinerantes, começaram a se sedentarizar e a formar burgos, que foram lentamente ampliando sua população até se transformarem em cidades, algumas das quais se desenvolveram em terras pertencentes aos senhores feudais. Estes, no início, até estimulavam a criação de cidades para atrair riquezas para a região, mas logo surgiram os conflitos entre comerciantes (burgueses) e os senhores e bispos que queriam exercer alguma autoridade sobre os núcleos urbanos.

As atividades comerciais e artesanais eram organizadas por corporações específicas, que desencorajavam a concorrência entre seus membros através do controle do horário de trabalho e da fixação do “preço justo”, e impediam o desenvolvimento da mesma atividade por pessoas não associadas. Como a circulação de moedas se tornou bastante intensa e havia uma grande diversidade delas, uma nova forma de organização se fez necessária – assim surgiram os banqueiros, que realizavam o câmbio mediante o pagamento de uma taxa, além de emprestarem dinheiro a juros, mas com discrição, uma vez que esta prática era condenada pela Igreja.

A diversidade de moedas também colaborou com o fortalecimento da monarquia. O fato de a maioria dos feudos adotar um sistema monetário e de medidas próprio dificultava a troca de mercadorias, motivo pelo qual a centralização do poder e, consequentemente, a unificação monetária seriam ferramentas importantes para impulsionar ainda mais o comércio. Com o apoio da burguesia, então, os monarcas assumiram o controle sobre a cunhagem de moedas e foram, aos poucos, reconquistando o poder que haviam perdido.

O desenvolvimento das cidades fez surgir, ainda, diversas universidades, na medida em que as atividades urbanas requeriam habilidades e conhecimentos específicos. As universidades, assim, passaram a substituir os mosteiros como centros de saber, promovendo um grande desenvolvimento cultural. Foi nessa época que surgiu a Escolástica, para a qual a fé, embora não fosse oriunda da razão, não era contrária a ela – para os escolásticos, a razão seria um outro caminho para Deus.