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“Sem a química, o Brasil não reage”
Curso: Química
Duração média: 4 anos
 

Para o país crescer, é preciso tecnologia de ponta, e não há como desenvolver uma indústria com produtos de qualidade sem se apropriar de uma ferramenta imprescindível para a criação de novos produtos: a química. Não existe uma indústria que não tenha, no seu processo produtivo, pelo menos uma reação química envolvida. Foi por isso que o diretor de vendas da Hanna Instruments Brasil, uma das maiores empresas de produtos para análise química do país, disse que “sem a química, o Brasil não reage”, destacando a importância da profissão para a economia nacional.  

A história do ingresso da química na economia brasileira é recente: teve início com o Plano Nacional de Desenvolvimento do governo Getúlio Vargas, intensificando-se com o modelo de industrialização acelerada adotado pelo país a partir da década de 60. E com a evolução do setor químico e a utilização de reações químicas no processo produtivo, houve um aperfeiçoamento da indústria nacional. 

O mercado de trabalho para os profissionais químicos traz expectativas promissoras. Existem cerca de 100 mil profissionais atuando na área, dos quais 90% estão empregados na indústria, entre técnicos, químicos, engenheiros químicos e petroquímicos. Os setores de atuação no parque industrial da profissão são amplos: indústria farmacêutica, de tinta, de plásticos e de alimentos. 

Por ano, formam-se cerca de 1.500 químicos nas universidades de todo o país. Entre os setores de destaque está o de vendas técnicas em pequenas e médias empresas. Elas exigem profissionais qualificados, com experiência, domínio de inglês e especialização em vendas. Há oportunidades promissoras também no setor de química fina: adesivos, produtos de higiene e limpeza, cosméticos. As novidades do mercado ficam por conta da área de consultoria ambiental, já que a legislação está bastante rigorosa com relação à preservação do meio ambiente.  

Uma das grandes dificuldades da química é o distanciamento entre as empresas e as pesquisas realizadas nas universidades, o que faz com que os laboratórios de peso passem longe da mão de obra brasileira. Com o recente aumento das pós-graduações nessa área, porém, é provável que a interação entre a indústria nacional e o desenvolvimento das pesquisas nas universidades fique cada vez maior.  

Longo caminho até o mercado de trabalho 

Quando cursava o terceiro ano do Ensino Médio na cidade de Urussanga, no sul do estado de Santa Catarina, Mirela Ghisi pensava em prestar vestibular para o curso de Farmácia. Ao longo do ano, as aulas de química começaram a interessar mais que as outras, e, na hora da decisão, escolheu Química mesmo sem saber muito sobre o curso. Durante a graduação, optou pelo bacharelado e dedicou-se a uma bolsa de Iniciação Científica, que, apesar de deixar o curso mais puxado, foi importante para ter certeza de que estava na carreira certa.  

Depois de formada, Mirela descobriu que cursar a faculdade era só o começo para buscar uma vaga no mercado. Ficou dez meses desempregada até conseguir uma vaga na Ceusa, empresa de cerâmica de Urussanga. Segundo ela, a maioria dos colegas de turma continua na universidade para cursar o mestrado, pois a profissão voltada para a área industrial ainda é pouco valorizada, principalmente nas cidades de pequeno porte. 

Aos 23 anos, a catarinense quer trabalhar em um grande laboratório. Formou-se em agosto de 2007 e acha que não está longe de seus objetivos. Para quem ainda não sabe se presta vestibular para química, Mirela dá a dica: “Dedicação é tudo, são poucos os que conseguem terminar o curso de química no tempo certo e que não desistem no início ou no meio do caminho”. 

O salário médio de um químico com cinco anos de carreira fica em torno de R$2.000. Na indústria, uma vaga de peso pode fazer o valor saltar para R$4.000. Nas universidades federais, a remuneração dos professores varia de acordo com os títulos, de R$1.500 para professores assistentes a R$3.200 para os titulares.

 
O bom profissional da área química precisa ter intimidade com as disciplinas de matemática, física e química. Além de ser paciente, deve ter interesse em pesquisa e demonstrar muita dedicação tanto na universidade quanto no mercado de trabalho. Também deve estar atento a detalhes, ter capacidade de análise, concentração e curiosidade.
 
O profissional da área química é responsável pela solução de problemas relacionados à indústria, à agricultura, à ecologia, à educação e à saúde.  Também pode efetuar investigações, experiências e análises relacionadas com a composição e as propriedades das substâncias e suas transformações. Pode atuar em centros industriais, laboratórios, projetos de pesquisa e dar aulas para o Ensino Médio.
 

O aluno de Química pode optar entre Licenciatura, Bacharelado em Química e Bacharelado em Química Tecnológica. Em todas essas áreas é necessário estudar física, matemática e química. Na Licenciatura, os conteúdos abordados são voltados para a formação de professores, estando entre as disciplinas obrigatórias, entre outras, Prática e Metodologia de Ensino e Fundamentos da Educação. Já no Bacharelado a formação é voltada para atividades de pesquisa em centros industriais ou acadêmicos. 

Quem optar por Química Tecnológica poderá desenvolver produtos como catalisadores, corantes, perfumes e aditivos alimentares. No currículo desta habilitação há disciplinas como Indústrias Químicas, Tecnologia de Fermentação e Química Fina Aplicada.

 
R$2.500,00
 


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