As manchetes de jornais e revistas motivam vários estudantes a pensar na carreira de engenheiro sanitário. Notícias sobre a precariedade dos sistemas de esgoto, que muitas vezes não passam pelos sistemas de tratamento, são recorrentes em todos os estados brasileiros. Quanto mais uma região tem acesso a informações e recebe grandes investimentos em infra-estrutura, mais o engenheiro desse setor é valorizado. A partir da II Conferência das Nações Unidas (ONU) para o Meio Ambiente, realizada no Brasil em 1992 (Eco-92), a legislação referente à preservação ambiental começou a ficar mais rígida. Com isso, a indústria passou a absorver um número cada vez maior de profissionais, transformando o setor público de sanitária em fiscalizador da sociedade. A engenharia sanitária, dessa forma, está intimamente ligada à preservação do meio ambiente, exigindo que o profissional fique atento às tecnologias não-poluentes e atue acima de tudo com responsabilidade ambiental. Desenvolver projetos de abastecimento de água, esgoto sanitário, drenagem pluvial e resíduos sólidos de uma cidade são as principais funções do engenheiro sanitário e ambiental. Ele também é responsável por avaliar o impacto de obras sobre o meio ambiente para evitar a poluição de mananciais, rios e represas. Além da manutenção da qualidade da água consumida pela população, o engenheiro sanitário e ambiental também estuda a melhor forma de se tratar o esgoto e os lixos doméstico, industrial e hospitalar. Sanitarista ou engenheiro ambiental? Enquanto o ambientalista se dedica a projetar e acompanhar a execução de obras, o sanitarista se concentra mais no controle da poluição e da degradação urbana. Na prática, porém, o sanitarista acaba exercendo a função de engenheiro ambiental em determinadas oportunidades, assim como este acaba invadindo um pouco a área de atuação do primeiro. Além de indústrias e empresas de consultoria, projetos e obras ligadas ao saneamento e ao meio ambiente, há muitas vagas nas companhias estaduais de saneamento. Nessas instituições, um dos principais desafios é executar grandes obras dentro das exigências legais no que tange à preservação do meio ambiente, apesar da precariedade dos recursos públicos destinados para tanto. Paixão por acaso Gilberto Benedet Júnior prestou várias vezes vestibular para o curso de engenharia mecânica. Como não conseguiu passar, resolveu tentar engenharia sanitária e ambiental na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Quando entrou para o mercado de trabalho, em 2004, o engenheiro não se arrependeu de ter trocado de opção. “No curso, você estuda como é importante projetar uma cidade para conseguir manter a relação entre homem e natureza”, conta Júnior. Hoje o engenheiro trabalha no Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Içara, Santa Catarina, e virou o responsável pela elaboração das políticas sanitaristas da cidade. Júnior sabe que a responsabilidade é grande, mas se apaixonou pela profissão: “Dá muita alegria saber que você está fazendo alguma coisa para melhorar o mundo”. |