Você quer mudar o mundo? Se a resposta é "sim", fique atento para não usar este critério como o único ponto a ponderar na escolha da profissão. O assistente social, profissional graduado em Serviço Social, muda o mundo da mesma forma que os outros profissionais o fazem: um pouco por dia, um pouco por vez. Da área das Ciências Sociais Aplicadas, o curso faz jus à categoria. Os graduandos têm de estudar Psicologia, Economia, Sociologia, Legislação Social e Teoria Política, para citar apenas alguns campos, e conseguir, a partir destes diversos pontos de análise, contemplar a realidade social em que deve interferir. Deve ser capaz de perceber o mundo de uma perspectiva histórica e crítica. O conhecimento deste profissional é usado para melhorar o bem estar da coletividade, que pode ser um grupo de crianças, ou de mulheres, ou de trabalhadores, ou mesmo de habitantes de um determinado lugar. A questão é que o trabalho é voltado a um grupo, e é pensado, estruturado e executado de modo a atender às necessidades deste. Assistentes sociais frequentemente integram equipes multidisciplinares, ao lado de médicos, professores, psicólogos, engenheiros, dentre outros, de acordo com a demanda. E a mudança na realidade em que se interfere não precisa ser em nível nacional: um profissional que trabalhe em uma empresa privada, por exemplo, pode, com o psicólogo do departamento de Recursos Humanos, planejar ações para melhorar as condições de trabalho daquela companhia. Pode ser que a recompensa do seu esforço seja ver um trabalhador sorrir durante o expediente graças às ações desenvolvidas. Respeito aos direitos É preciso esclarecer que o bacharel em Serviço Social também tem, dentre suas funções de "mudar o mundo pra melhor", a de ajudar as pessoas a terem seus direitos respeitados. Uma tarefa que pode significar ajudar uma viúva a receber pensão, ou acompanhar pais e filhos envolvidos em processos de guarda das crianças. Pode ter a ver com a implantação de uma rede de esgoto em local insalubre ou com a criação de uma nova secretaria nacional. A Constituição de 1988 assegura uma série de direitos aos brasileiros. "Direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade", diz o texto do artigo 5°. Para a vida, é necessário saúde, certo? Segundo o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), este é o ramo que mais emprega os cerca de 80 mil assistentes em atividade no Brasil. Para a vida também é necessário comida, então o profissional pode atuar em campanhas de alimentação, por exemplo. A igualdade e a propriedade nos levam ao início da profissão no país, na década de 1930. Com a industrialização cresceram as desigualdades sociais, ampliaram-se as demandas por serviços básicos como água, luz, esgoto - e educação -, e consequentemente aumentou a pressão sobre o Estado. Neste contexto, os assistentes sociais foram, inicialmente, vistos como os profissionais que deveriam conter a revolta das classes desfavorecidas. Após a década de 1970, no entanto, com o Regime Militar e a insurgência dos trabalhadores na luta por uma vida mais digna, o assistente social passou a ser visto como aquele que ajuda a garantir os direitos da população: direitos sociais, civis, políticos, humanos, e outros. |