A cada 400 brasileiros, um é advogado. O número é tão alto que não é difícil encontrar um estudante de Direito entre os seus amigos. Tudo isso porque as oportunidades para quem se forma no curso são grandes, o que faz com que as faculdades de Ciências Jurídicas se multipliquem cada vez mais. Esse é um indício que comprova a competitividade da profissão, mas não significa escassez de vagas no mercado de trabalho. A grande vantagem do curso de Direito é que sempre aparece um novo espaço de atuação na sociedade. O desenvolvimento do setor petrolífero, por exemplo, criou uma nova onda de empregos. Desde 1997, com a fundação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da flexibilização do setor, empresas como Petrobrás, Vale do Rio Doce, Eletrobrás e Telemar passaram a absorver bastante mão-de-obra. Essa demanda forçou a criação de escritórios de advocacia especializados na área tributária, contratual, trabalhista, ambiental e de consultoria internacional. Assim, o Direito do Petróleo acabou se tornando uma alternativa para os recém-formados que querem escapar dos concursos públicos. Mulheres se destacam na carreira Depois de receber o diploma, boa parte dos estudantes de Ciências Jurídicas escolhe fazer a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para trabalhar como advogado. E há uma tendência interessante no quadro desses candidatos: em dez anos, o número de mulheres advogadas no país deve ultrapassar o de homens. Segundo a Comissão Permanente da Mulher Advogada (CPMA), fundada em 1992 na OAB-RJ, elas já são 80% dos alunos de Direito e do quadro de estagiários. Vanessa Cristina Gomes faz parte dessas estatísticas. Resolveu cursar Direito depois de fazer um teste vocacional no terceiro ano do Ensino Médio e escolheu o curso da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi), que fica na cidade onde mora (Rio do Sul – SC). Vanessa conta que, após o fim da faculdade, em 2007, os desafios foram maiores do que os calhamaços de livros e fotocópias que devorou durante os cinco anos de curso. Como o mercado de trabalho é muito dinâmico, fica difícil decidir qual caminho seguir. Ela explica que a chave para desenhar uma boa carreira é continuar estudando – e muito – depois de se formar, principalmente para quem quiser fazer concurso público. Para garantir um emprego, Vanessa prestou concurso para o Fórum da Comarca de Rio do Sul e passou para a função de Técnico Judiciário Auxiliar. Para Vanessa, que também foi aprovada na prova da Ordem dos Advogados do Brasil, a vaga no Fórum foi uma conquista, já que a maioria dos colegas que se formaram com ela em 2007 está desempregada ou atuando em setores distantes da graduação. Depois da formatura, um dos principais nichos são os concursos públicos. Por isso, Vanessa não pára de estudar. “Agora estou me dedicando para ser aprovada no concurso para Procuradoria do Estado, que é o maior objetivo da minha carreira”, revela. |