O direito à moradia é um direito constitucional. Por isso, uma das principais bandeiras de todos os governos e campanhas políticas são as habitações sociais, também conhecidas como habitações populares. O setor de projetos em conjuntos habitacionais é uma promessa para quem quer engrenar na carreira de arquiteto e fugir da concorrência no mercado das classes “A” e “B”. O arquiteto e urbanista que preferir direcionar seu trabalho para as classes "A" e "B" poderá enfrentar dificuldades para se inserir no mercado. O nicho de clientes para esse setor já está saturado, com ofertas cada vez mais reduzidas nos últimos quinze anos. A previsão da Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA) é que nos próximos dez anos o mercado esteja voltado para projetos direcionados para os públicos "C" e "D" e, em alguns momentos, para a classe "E". O mercado de trabalho está intimamente ligado ao desenvolvimento econômico de uma região. Nos anos 70, a principal área de atuação eram as obras públicas. Já na década de 90, o mercado migrou para a construção de edifícios para grandes corporações. Hoje, está mesclado entre três nichos importantes: conservação de prédios históricos, arquitetura de interiores e habitações sociais. Os arquitetos recém-formados, e mesmo aqueles que já estão no mercado de trabalho há algum tempo, podem se preparar para pensar numa cidade projetada para habitações populares. Há programas federais que prevêem a liberação de crédito para esse tipo de habitação, em cujo valor estão embutidos os honorários para os arquitetos. Hoje, o déficit habitacional, de acordo com o IBGE, é da ordem de 6 milhões de moradias. Grande parte desse déficit deve-se ao alto custo de execução dos projetos populares. Com o aproveitamento de materiais mais baratos – como o bambu – e o aumento da demanda, esses projetos chegam a ter o custo reduzido em torno de 8% em relação a um projeto convencional. No passado, esse custo já foi 30% mais caro. O Brasil tem hoje 89 mil arquitetos e urbanistas. A maioria dos profissionais está na região Sudeste (62%). Só no estado de São Paulo são 35 mil arquitetos. A capital paulista lidera o número de vagas oferecidas no mercado privado. A região Sul concentra 22% dos profissionais. Urbanismo ou planejamento urbano? Tanto o planejamento urbano quanto o urbanismo são entendidos como o estudo do fenômeno urbano em sua dimensão espacial, mas possuem áreas de atuação diferentes. O urbanismo trabalha com o desenho urbano e o projeto das cidades em termos genéricos, sem necessariamente considerar a cidade como agente dentro de um processo social. Já o planejamento urbano, antes de agir diretamente no ordenamento físico das cidades, trabalha com os processos que a constroem e envolve o entendimento de disciplinas humanas como antropologia e ciências sociais. Os limites entre o planejamento e o urbanismo, porém, são pouco claros na prática: intervenções urbanísticas na cidade são tratadas comumentemente como "obras de planejamento", enquanto atividades típicas do planejamento, como a criação de um plano diretor, são eventualmente tratadas como "obras de urbanismo". |