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Grécia: História, Geografia e um pouco de macroeconomia
 

Papandreou. Não é trava-língua, sequer é um verbo conjugado no passado simples. Este é o sobrenome do primeiro-ministro grego: George Papandreou. Talvez você (ainda) não tenha gravado este nome, mas com certeza já reparou pelos noticiários que a Grécia está em evidência neste início de ano. Precisamente, a crise da Grécia povoa as páginas dos jornais, e na internet há várias notícias diariamente com comentários de políticos, economistas, representantes da União Europeia, dentre outros, sobre o caso.

Talvez você também tenha visto a sigla PIGS - ou PIIGS. Estas letras são as iniciais de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - e, sim, é uma sigla (no mínimo levemente) pejorativa, já que em inglês pig significa porco. O que estes países periféricos da UE têm em comum? Dívidas, políticas fiscais indisciplinadas, desemprego, etc.

Mas como isso tudo interessa a um vestibulando? A crise atual pode aparecer de diversas formas, principalmente em provas de História e Geografia. O que é e como surgiu a União Europeia? Quantos países a integram? O que é a Zona do Euro? Por que são os países periféricos que estão no olho do furacão? Por que Alemanha e França são vistas como economias "fortes" dentro do grupo? Por que as políticas fiscais são diferentes, e em que diferem? Que fatores históricos levaram à crise atual? E por aí seguiríamos.

Política, economia, história da formação dos países, influências geográficas nas bases econômicas, dentre outros temas, podem ser abordados a partir da crise. Antes de tentar entender todo esse imbróglio político-econômico, no entanto, é necessário entender os conceitos básicos associados ao assunto. Aqui há alguns, os mais usados nas notícias do jornal, e os que podem servir também para questões relacionadas ao Brasil.

Antes de ler os conceitos, leia o parágrafo abaixo sobre a situação grega e tente entender o que está sendo dito:
A Grécia é um dos países que integra a Zona do Euro, mas descumpriu as determinações do Tratado de Maastrich quanto ao montante máximo de dívidas de um estado-membro. O país balcânico encerrou 2009 com déficit orçamentário de 12,7% do PIB e dívida pública de pouco mais de 113% do PIB. Economistas avaliam que os governantes em Atenas não souberam disciplinar a política fiscal do país e não conseguiram alinhá-la à política monetária estabelecida pelo Banco Central Europeu. No início de fevereiro, o primeiro-ministro George Papandreou apresentou plano de estabilidade econômica, cuja pretensão é reduzir o déficit para 9,1% ainda em 2010 e atingir a meta de 3%, estabelecida no TUE, até 2012. Portugal, Espanha, Itália e Irlanda também estão entre os mais afetados pela crise na Área do Euro.

 

Política fiscal: corresponde às regras de cada país para cobrar impostos, ou seja, gerar receita para a União. Se o país precisa pagar dívidas, pode optar por aumentar determinados impostos, recebendo assim mais dinheiro do contribuinte. Por outro lado, se o consumo em determinado setor está abaixo do desejável, pode-se suspender algum(ns) imposto(s), barateando preços ao consumidor e aumentando as compras. A administração pública ainda pode interferir no crescimento da atividade econômica - e consequentemente aumentar o valor recolhido em impostos - através dos gastos do governo e das transferências. No primeiro caso, a economia cresce pela expectativa de demanda e possibilidade de aumento na capacidade produtiva que os gastos vão gerar. Quando o estado transfere dinheiro para determinados grupos de pessoas - como os beneficiados pelo Bolsa Família -, a atividade econômica também tende a aquecer por causa do maior poder de consumo e da demanda gerada por ele. Note: no Brasil, em 2009, o governo reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos veículos para reaquecer a indústria automobilística do país, que sentia a crise europeia.

Política monetária: diz respeito aos juros praticados e à emissão de moeda, ou quanto dinheiro circula e qual o valor dele. A taxa de juros determina quanto o governo ou banco pagará a seus credores, ou seja, quem emprestar 100 vai receber 100 + os juros. Quanto maior a taxa, maior o interesse dos investidores - por outro lado, quem dá dinheiro ao governo não usa esse mesmo valor para investir em indústrias e serviços. Nesse sentido, os juros podem ampliar os investimentos no país, quando for interessante, ou refreá-los, o que interfere também na inflação. No caso da Zona do Euro, a política monetária é estabelecida pelo Banco Central Europeu e é uniforme para todos os países. Assim, para um país-membro (como a Grécia) não há a possibilidade de aumentar a taxa para diminuir a inflação, então este controle precisa ser feito de outras formas. Uma das questões centrais da crise do euro é justamente esta: é possível manter uma moeda única para países tão economicamente diferentes, como Grécia e Alemanha, por exemplo?

Zona do Euro: oficialmente chamada Área do Euro, e também conhecida como Eurozona, corresponde aos países da União Europeia que adotaram o Euro como moeda corrente. Dos 27 membros da UE, apenas 16 fazem parte da Zona, embora outros nove estejam dentro das condições econômicas estabelecidas para entrada na Área. A política monetária do grupo é controlada pelo Banco Central Europeu. Vale destacar: o Reino Unido e a Dinamarca conseguiram condições especiais no Tratado de Maastrich e só precisam aderir à Eurozona caso seus parlamentos - ou o povo, por referendo - decidirem assim.

Tratado da União Europeia (TUE) - ou Tratado de Maastrich: acordo que criou o Euro, enquanto unidade monetária de alguns países da União Europeia. O documento também estabelece outras questões em relação aos 27 países-membros da UE. Em relação à Grécia, no entanto, o tratado é citado em suas determinações sobre participações na Zona do Euro. Dentre as regras está ter dívida pública máxima de 60% do PIB e déficit orçamentário máximo de 3% do PIB - números extrapolados pela Grécia.

Déficit orçamentário: é a diferença entre a quantidade de dinheiro que um governo recebeu em relação ao valor de contas a pagar, durante determinado ano. Esses governos podem ser federais, estaduais, enfim, de qualquer instância, e o déficit se caracteriza quando as contas somam valor maior que as receitas - caso a cifra do dinheiro a receber seja maior que a dívida, tem-se um superávit. Os valores são calculados em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) da nação, ou seja, todo o dinheiro (medido por bens e serviços) produzido no território em determinado período. No caso grego, o déficit foi de 12,7% em 2009.

Dívida pública: também conhecida como dívida nacional (ou ainda dívida governamental), é o acumulado de dívidas, ao longo de anos ou até décadas, geradas pelo déficit orçamentário. No montante estão inseridos os débitos nacionais/internos - dinheiro que a administração pública tomou emprestado dentro do país - e os internacionais/externos - provenientes de empréstimos obtidos de outros países. A Grécia encerrou 2009 com uma dívida pública de cerca de 113% do PIB: isso significa que se todos os credores resolvessem cobrar a dívida ao mesmo tempo, os gregos teriam que usar todo o dinheiro do país e ainda ficariam devendo. Dica: dê atenção especial à questão do crescimento da dívida externa brasileira e como o valor foi reduzindo nos anos recentes.

Agora releia o parágrafo:
A Grécia é um dos países que integra a Zona do Euro, mas descumpriu as determinações do Tratado de Maastrich quanto ao montante máximo de dívidas de um estado-membro. O país balcânico encerrou 2009 com déficit orçamentário de 12,7% do PIB e dívida pública de pouco mais de 113% do PIB. Economistas avaliam que os governantes em Atenas não souberam disciplinar a política fiscal do país e não conseguiram alinhá-la à política monetária estabelecida pelo Banco Central Europeu. No início de fevereiro, o primeiro-ministro George Papandreou apresentou plano de estabilidade econômica, cuja pretensão é reduzir o déficit para 9,1% ainda em 2010 e atingir a meta de 3%, estabelecida no TUE, até 2012. Portugal, Espanha, Itália e Irlanda também estão entre os mais afetados pela crise na Área do Euro.

 

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