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Terremoto assola o Haiti
 

Oito dias depois do terremoto de magnitude 7 que devastou o Haiti, matando ao menos 75 mil pessoas, ferindo 250 mil, deixando um milhão de desabrigados e destruindo a capital Porto Príncipe, nesta manhã de quarta-feira (20) outro tremor de magnitude 6,1 atingiu aquele país. No último dia 16 um tremor de 4,5 graus já tinha sacudido o Haiti. Segundo a agência de notícias EFE, apesar de o novo tremor ser menor que o anterior, já foi suficiente para causar pânico e derrubar alguns prédios que estavam com as estruturas danificadas. O país, que ainda se recupera dos estragos, passa por mais um drama. Até o momento não há informações de novas vítimas.

Zilda Arns é uma das vítimas do terremoto

No último dia 12, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília), os haitianos foram surpreendidos pela força da natureza. O terremoto de magnitude 7 na escala Richter foi considerado pelo Serviço Geológico Norte-Americano o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos. Dezenas de prédios da capital Porto Príncipe caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do Haiti. Cadáveres foram enterrados em valas comuns ou pelas próprias famílias. Comida, água e medicamentos escasseiam. A situação humanitária do país, o mais pobre das Américas, é caótica.

Com o objetivo de amenizar os dramas sociais da população haitiana, a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, 75 anos, estava em missão humanitária no Haiti. A médica pediatra e sanitarista brasileira acabou falecendo juntamente com outros 19 brasileiros (18 deles militares e o diplomata Luiz Carlos da Costa, que era o segundo na hierarquia da Organização das Nações Unidas no Haiti). Zilda ficaria no Haiti até o dia 15 deste mês para participar de uma Conferência com Bispos daquele país. A médica era também representante titular da CNBB, do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), recebendo vários prêmios pelo trabalho que desenvolvia.

A tragédia mexeu com governos do mundo todo e cerca de 20 países anunciaram o envio de ajuda urgente ao país. A ajuda humanitária e as equipes de socorristas não param de chegar ao Haiti. A comunidade internacional se mobilizou para liberar fundos, procurar sobreviventes e encaminhar rapidamente água, alimentos, barracas e medicamento aos haitianos desamparados que vagam pelas ruas da capital em ruínas. O Banco Mundial (Bird) assumiu o compromisso de liberar 100 milhões de dólares suplementares para o Haiti, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deve fazer o mesmo.

Com a catástrofe, os médicos alertam também para os casos de tétano e gangrena que se multiplicam e os riscos de a população enfrentar epidemias como as de sarampo, meningite e outras infecções. Além disto, os saques e a atuação de gangues se alastram pela ilha caribenha, e os moradores, sentindo-se acuados pela violência e pelo risco de doenças, estão partindo para outras cidades no Haiti.

As buscas por sobreviventes continuam nesta quarta-feira (20) com dezenas de equipes de resgate. O governo haitiano decretou estado de emergência no país até o fim de janeiro e luto nacional por 30 dias.

 

O terremoto de 7 graus na escala Richter devastou o Haiti no último dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. O número de mortos já chegou a 75 mil e aproximadamente 300 mil famílias estão na rua. As estimativas do governo daquele país é que o número de mortos superará 100 mil.

O exército brasileiro informou que pelo menos 18 militares que estavam em missão no Haiti morreram em consequência do terremoto. A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.

Segundo as Nações Unidas, o terremoto foi o pior desastre já enfrentado pela organização desde sua criação em 1945.

Haiti

O Haiti está localizado na América Central insular (Grandes Antilhas), na parte oeste da ilha La Hispaniola. O país apresenta o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Américas e um dos piores do mundo (só está a frente de alguns países africanos). Possui uma população de quase 8,6 milhões de habitantes, 96% dos quais negros e mestiços.

A ocupação europeia foi feita inicialmente pela Espanha. A partir de 1697 o território foi dominado pelos franceses, que implantaram a agricultura canavieira com a mão-de-obra escrava vinda da África. Embora tenha se tornado independente em 1804, o Haiti sofreu invasões da Espanha e dos EUA em 1915 a 1934, respectivamente.

Em 1957, François Duvalier foi eleito presidente do Haiti e criou a Milícia de Voluntários da Segurança. Iniciou-se, então, um regime ditatorial baseado no terror, inclusive com elementos do sobrenatural: o vodu passou a ser usado para amedrontar a população descontente e ameaçar a Igreja.

Com a morte do presidente, em 1971, seu filho Jean-Claude Duvalier assumiu o poder e continuou com os mesmos métodos de controle e repressão. O desgoverno ditatorial gerou o aumento do desemprego e da pobreza. A insatisfação popular cresceu a ponto de Duvalier ser forçado a abandonar o país em 1986.

Uma junta governou o país até as eleições de 1990, vencidas pelo padre de esquerda Jean Bertrand Aristide, que sofreu um golpe de Estado e se refugiou no Canadá. Muitos refugiados se dirigiram aos EUA e países vizinhos, o que levou o governo norte-americano de Bill Clinton e a ONU a reivindicarem o retorno de Aristide ao poder.

Ao retornar ao Haiti, Aristide dissolveu o exército haitiano e governou até 1995, quando elegeu o seu sucessor: René Prèval. Nas eleições de 2000, Aristide venceu novamente, com 92% dos votos, e seu partido ganhou todas as cadeiras de deputados e senadores em disputa.

Porém, em 2004 o Haiti possuía cerca de 70% da sua população desempregada, o mandato dos deputados e senadores se encerrou sem novas eleições e Aristide governava por decretos. A oposição ao seu governo aumentou e deu início a uma luta armada, fazendo Aristide deixar o país (retirado pelos EUA, à força). Imediatamente a ONU aprovou o envio de tropas armadas para o Haiti na tentativa de restabelecer a ordem.

Em 14 de maio de 2006 René Préval foi eleito novamente presidente do Haiti, sendo um dos líderes políticos mais destacados da história atual do país.

 

Informações: UOL e Globo

 
 
 

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