O terremoto de 7 graus na escala Richter devastou o Haiti no último dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. O número de mortos já chegou a 75 mil e aproximadamente 300 mil famílias estão na rua. As estimativas do governo daquele país é que o número de mortos superará 100 mil. O exército brasileiro informou que pelo menos 18 militares que estavam em missão no Haiti morreram em consequência do terremoto. A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. Segundo as Nações Unidas, o terremoto foi o pior desastre já enfrentado pela organização desde sua criação em 1945. Haiti O Haiti está localizado na América Central insular (Grandes Antilhas), na parte oeste da ilha La Hispaniola. O país apresenta o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Américas e um dos piores do mundo (só está a frente de alguns países africanos). Possui uma população de quase 8,6 milhões de habitantes, 96% dos quais negros e mestiços. A ocupação europeia foi feita inicialmente pela Espanha. A partir de 1697 o território foi dominado pelos franceses, que implantaram a agricultura canavieira com a mão-de-obra escrava vinda da África. Embora tenha se tornado independente em 1804, o Haiti sofreu invasões da Espanha e dos EUA em 1915 a 1934, respectivamente. Em 1957, François Duvalier foi eleito presidente do Haiti e criou a Milícia de Voluntários da Segurança. Iniciou-se, então, um regime ditatorial baseado no terror, inclusive com elementos do sobrenatural: o vodu passou a ser usado para amedrontar a população descontente e ameaçar a Igreja. Com a morte do presidente, em 1971, seu filho Jean-Claude Duvalier assumiu o poder e continuou com os mesmos métodos de controle e repressão. O desgoverno ditatorial gerou o aumento do desemprego e da pobreza. A insatisfação popular cresceu a ponto de Duvalier ser forçado a abandonar o país em 1986. Uma junta governou o país até as eleições de 1990, vencidas pelo padre de esquerda Jean Bertrand Aristide, que sofreu um golpe de Estado e se refugiou no Canadá. Muitos refugiados se dirigiram aos EUA e países vizinhos, o que levou o governo norte-americano de Bill Clinton e a ONU a reivindicarem o retorno de Aristide ao poder. Ao retornar ao Haiti, Aristide dissolveu o exército haitiano e governou até 1995, quando elegeu o seu sucessor: René Prèval. Nas eleições de 2000, Aristide venceu novamente, com 92% dos votos, e seu partido ganhou todas as cadeiras de deputados e senadores em disputa. Porém, em 2004 o Haiti possuía cerca de 70% da sua população desempregada, o mandato dos deputados e senadores se encerrou sem novas eleições e Aristide governava por decretos. A oposição ao seu governo aumentou e deu início a uma luta armada, fazendo Aristide deixar o país (retirado pelos EUA, à força). Imediatamente a ONU aprovou o envio de tropas armadas para o Haiti na tentativa de restabelecer a ordem. Em 14 de maio de 2006 René Préval foi eleito novamente presidente do Haiti, sendo um dos líderes políticos mais destacados da história atual do país. Informações: UOL e Globo |