A crise financeira mundial virou um dos assuntos mais comentados em 2009. E não é para menos. A economia estável é primordial para o equilíbrio de um país, e é exatamente isso que falta para a Venezuela. Enquanto o mundo tenta se recuperar da recessão, os venezuelanos entram nela. O país, comandado pelo presidente Hugo Chávez, viu o Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos três meses ficar 4,5% abaixo do registrado em 2008. A situação pela qual passa o país foi provocada pela má gestão no setor de petróleo, pelos apagões elétricos e pelo cerco ao setor privado. Para se ter uma ideia, a indústria desabou 9,2%, e o comércio, 11%. Já a produção de petróleo ficou 10% abaixo, representando o principal fator para o descompasso dos venezuelanos, já que a produção petroleira é responsável por mais de 90% das divisas externas. Há dez anos, mais de 3 milhões de barris eram produzidos diariamente no país. Hoje, são apenas 2,2 milhões. Motivo: a maior estatal petrolífera da casa cancelou investimentos na perfuração dos poços. A empresa é responsável por 45% das receitas tributárias e por 90% das exportações venezuelanas. Sem pagar fornecedores, a estatal não consegue manter a produção, deixando sem recursos o país do coronel Hugo Chávez. A recessão é tanta que a Venezuela precisou decretar o fechamento de dois bancos que haviam pedido falência e estavam sob a proteção do governo. Já o setor privado acumula uma lista de infinitas queixas. O setor de automóveis é um dos mais afetados - aqueles que arriscam comprar um carro podem pagar o dobro. A população encontra supermercados fechados e prateleiras vazias. Como se não bastasse, os apagões elétricos perturbam as fábricas, danificando muitos maquinários. Podemos notar que a crise atual na Venezuela nasceu de problemas internos do governo. Chávez vê seu povo afundar, e sem os recursos do petróleo precisa agir imediatamente. |
Vale lembrar que Hugo Chávez trava com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, uma guerra de braços. Chávez aponta Uribe como um dos grandes culpados pela crise venezuelana, já tendo chamado o líder colombiano, inclusive, de “desgraçado” e “cínico”. Os dois países mantêm relações congeladas e uma tensa crise diplomática. Chávez intervém descaradamente nos assuntos internos dos vizinhos, revelando que não descarta um possível conflito entre os dois países. Enquanto o entrave não é resolvido, quem mais sofre com todos estes conflitos são as camadas mais pobres. A população precisa enfrentar a recessão e ainda torcer para que os interesses pessoais não caiam em suas casas como uma bomba. Petróleo na Venezuela O petróleo sempre foi um dos pontos fortes da economia da Venezuela. Em 2004, foi o principal responsável pelo crescimento global do PIB, apresentando alta de 29,8% no primeiro trimestre. Tanto que naquele ano o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou um crescimento de 8,7% para o país. O mesmo ocorreu em 2005, quando a economia teve um acréscimo de 10,2%. A partir desses dados podemos entender por que a Venezuela sente tanto os efeitos da queda do petróleo. Informações: Veja |