Estrela da Vida Inteira - Manuel Bandeira

Estrela da Vida Inteira é uma obra que reúne poesias completas de Manuel Bandeira, escritor recifense de destaque na literatura nacional por solidificar a poesia modernista em todas as suas implicações: verso livre, liberdade criadora, linguagem coloquial, irreverência e ampliação das temáticas comumente usadas nesse período, cultivando a capacidade de extrair poesias das coisas mais simples do cotidiano.
De fato, muitos de seus poemas nasceram de acontecimentos aparentemente banais e insignificantes, transfigurados em pura essencialidade da vida. Ao mesmo tempo, em função da tuberculose que o atacara na adolescência, quando a doença ainda era considerada mortal, sua obra apresenta a mais longa convivência com a morte de toda a poesia brasileira, sem, contudo, ser dominada pelo desespero ou pelo medo.
Em Estrela da Vida Inteira são reproduzidas as seguintes obras:
• A Cinza das Horas (1917): Primeiro livro de Manuel Bandeira, A Cinza das Horas traz poemas parnasiano-simbolistas escritos durante o período de sua doença. Nesta obra, o eu-lírico vivencia o ato de morte à medida que descreve sua agonia em versos de sangue.
• Carnaval (1919): Carnaval é um livro sem unidade muito bem recebido pela nova geração da época e por parte da crítica especializada. Nesta obra o autor já utiliza versos livres, tendo sido considerado, por isso, o precursor do movimento modernista no Brasil. Sob o pretexto de que no carnaval todas as fantasias são permitidas, Manuel Bandeira admite em Carnaval três ou quatro sonetos parnasianos ao lado de poemas como Os Sapos, que contém uma sátira ao parnasianismo. Este poema, considerado uma espécie de hino nacional dos modernistas, provocou reações radicais ao ser lido na segunda noite da Semana de Arte Moderna de 1922.
• O Ritmo Dissoluto (1924): Publicado durante a segunda fase modernista, O Ritmo Dissoluto é um livro de transição entre dois momentos da poesia de Bandeira. Nele, o autor começa a explorar de forma mais sistemática a simplicidade popular e certo prosaísmo, adotando o cotidiano como matéria poética.
• Libertinagem (1930): Libertinagem é considerada a obra mais vanguardista de Manuel Bandeira, aquela em que o escritor praticou mais livremente a própria liberdade formal, valendo-se de versos irregulares e sem rimas. Com a publicação deste livro, pode-se dizer que a poesia de Manuel Bandeira amadureceu definitivamente no que tange à liberdade estética, além de consolidar sua temática existencial e explorar com mais frequência as cenas e imagens brasileiras, utilizando largamente a linguagem coloquial. A obra contém 38 poemas escritos entre 1924 e 1930, como os clássicos Não sei dançar; Pneumotórax; Poema tirado de uma notícia de jornal; Teresa e Vou-me embora pra Pasárgada, seu poema mais conhecido. Quando Manuel Bandeira faleceu, em outubro de 1968, um jornal dedicou-lhe a manchete Bandeira, enfim, Pasárgada!, em referência ao poema que surgiu como uma esperança para todo brasileiro, fazendo referência a um lugar que tem tudo para todos.
• Estrela da Manhã (1936): Poema representativo da literatura contemporânea, é considerado um dos mais expressivos poemas lírico-amorosos do modernismo. Avulta um tom erótico, evocando a mulher amada através da metáfora “estrela”. Bandeira já tinha 50 anos quando, sem recursos financeiros, publicou 50 exemplares de Estrela da Manhã em papel doado e com impressão custeada por subscritores. Alguns músicos, como Jaime Ovall e Radamés Gnatali, interessaram-se por seus textos, e em 1945, a pedido do maestro Villa-Lobos, que procurava canções tipicamente brasileiras para serem cantadas em ocasiões festivas, o poeta compôs as letras para uma série de canções denominadas Canções de Cordialidade. 
• Lira dos Cinqüent'Anos (1940): Em comemoração ao seu cinquentenário, Manuel Bandeira continuou pagando a edição de seus livros por alguns anos. Em 1940 o autor fez uma publicação de emergência de Lira dos Cinqüent’Anos, o primeiro convite que recebera de uma editora. No mesmo ano Bandeira candidatou-se à Academia Brasileira de Letras.
• Belo Belo (1948): Publicada em 1948, esta obra teve seu título tirado de um poema da Lira dos Cinqüent’Anos. Numa edição posterior, em 1951, foram acrescentados alguns poemas.
• Mafuá do Malungo (1948): Publicado na Espanha por iniciativa de João Cabral de Melo Neto, Mafuá do Malungo celebra a amizade em versos de circunstância. “Mafuá” significa feira popular e “malungo” é um africanismo que significa companheiro, irmão de criação. Este título é bastante significativo, pois sintetiza os procedimentos de criação de Bandeira: o amor pela linguagem coloquial brasileira e o uso de aliterações e assonâncias. Neste livro o escritor faz jogos com as primeiras letras das palavras, sátiras políticas e brinca “à maneira de” outros poetas.
• Opus 10 (1952-1955): Nomeando um livro seu a partir de uma expressão tomada do universo da música (“Opus” é uma palavra latina que indica genericamente obra, composição, e o número indica a posição de determinada música num conjunto de composições), Bandeira ressalta em Opus 10 a importância da música e da musicalidade em sua obra.
• Estrela da Tarde (1960): Publicado em 1960 e reeditado em 1963 com novos poemas, Estrela da Tarde atesta a inquietação do poeta, sempre procurando novos recursos formais para expressar sua visão de mundo. Nesta obra, o autor tanto retorna ao soneto tradicional, reinventado na sua poética, como utiliza recursos gráficos na montagem de poemas, talvez inspirado nas vanguardas contemporâneas.

Sobre o Autor

Dois anos mais tarde Manuel Bandeira escreveu Carnaval, em que já mostrava suas tendências modernistas. Posteriormente, participou da Semana da Arte Moderna de 1922, descartando de vez o lirismo bem comportado. Passou a abordar temas com mais encanto, muitos dos quais tinham foco nas recordações de infância. Escritor de destaque na literatura nacional, solidificou a literatura modernista em todas as suas implicações: verso livre, liberdade criadora, linguagem coloquial, irreverência e ampliação das temáticas comumente usadas nesse período, cultivando a capacidade de extrair poesias das coisas mais simples do cotidiano.
Além de poeta, Manuel Bandeira foi jornalista, redator de crônicas, tradutor, integrante da Academia Brasileira de Letras e professor de História da Literatura no Colégio Pedro II e de Literatura Hispano-Americana na Faculdade do Brasil (RJ).
Contrariando todas as previsões médicas feitas em sua adolescência, quando estava tomado pela tuberculose, faleceu apenas em 1968, aos 82 anos de idade. Logo após seu falecimento, um jornal dedicou-lhe a manchete Bandeira, enfim, Pasárgada!, em referência a seu mais conhecido poema.

Principais obras:

Poesia
• A cinza das horas
• Carnaval
• O ritmo dissoluto
• Libertinagem
• Estrela da manhã
• Lira dos Cinquent'anos
• Belo Belo
• Mafuá do Malungo
• Opus 10
• Estrela da Tarde
• Estrela da Vida Inteira
• O Bicho

Prosa
• Crônicas da Província do Brasil
• Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro
• Noções de História das Literaturas
• Autoria das Cartas Chilenas
• Apresentação da Poesia Brasileira
• Literatura Hispano-Americana
• Gonçalves Dias, Biografia
• Itinerário de Pasárgada
• De Poetas e de Poesia
• A Flauta de Papel
• Itinerário de Pasárgada
• Andorinha, Andorinha
• Itinerário de Pasárgada
• Colóquio Unilateralmente Sentimental
• Seleta de Prosa
• Berimbau e Outros Poemas
• Crônicas Inéditas I
• Crônicas Inéditas II

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